XXVI
Melhor que a mulher é o vinho
que faz esquecer a mulher...
que faz dum amor já velhinho
ressurgir novo prazer.
Finale, muito católico
XXVII
Asiim termina o Lamento
pois recordar é sofrer.
Ama e fode. É bom sustento!
E por nós reza um pater.
Luiz Pacheco in "Coro dos Cornudos" - Contraponto
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
SESSÃO DE POESIA MEXICANA - CAFÉ PROGRESSO / POETRIA
domingo, 28 de setembro de 2008
Emily Dickinson
657
Habito na possibilidade -
Uma casa mais bela do que a prosa –
Com mais janelas –
E portas - maiores
Salas como Cedros –
Que o Olhar não alcança –
E como Tecto Imperecível
Os limites do Céu –
Visitantes – os mais belos –
Ocupação – Esta –
Abrir ao máximo as minhas Mãos finas
Para colher o paraíso -
Emily Dickinson – tradução de Nuno Júdice
Habito na possibilidade -
Uma casa mais bela do que a prosa –
Com mais janelas –
E portas - maiores
Salas como Cedros –
Que o Olhar não alcança –
E como Tecto Imperecível
Os limites do Céu –
Visitantes – os mais belos –
Ocupação – Esta –
Abrir ao máximo as minhas Mãos finas
Para colher o paraíso -
Emily Dickinson – tradução de Nuno Júdice
Os três pastorinhos búlgaros
Nossa Senhora não se esquece da Bulgária,
Depois da escola os três pastorinhos vão lanchar
Pães com manteiga molhados no café com leite
Leite quente – faz frio – na montanha
Muito frio na montanha BRRHh
Nossa Senhora não se esquece do povo búlgaro,
Dá-lhes frio quando é preciso e sol quando é preciso,
Quando é preciso os búlgaros também têm neve,
As ovelhas sobem a montanha seguindo os passos dos
Três pastorinhos – sobem as ovelhas, sobem as pessoas,
descem as ovelhas, descem as pessoas
descem a montanha, as pessoas e as ovelhas
Nossa senhora não se esquece da Bulgária
Aparece sempre bela e provocante aos búlgaros
no seu vestido de seda vermelha,
braços macios, não feitos de luz, mas de carne humana
ajoelham-se diante dela á sombra duma oliveira
Os três pastorinhos búlgaros
Nuno Brito 2008
Depois da escola os três pastorinhos vão lanchar
Pães com manteiga molhados no café com leite
Leite quente – faz frio – na montanha
Muito frio na montanha BRRHh
Nossa Senhora não se esquece do povo búlgaro,
Dá-lhes frio quando é preciso e sol quando é preciso,
Quando é preciso os búlgaros também têm neve,
As ovelhas sobem a montanha seguindo os passos dos
Três pastorinhos – sobem as ovelhas, sobem as pessoas,
descem as ovelhas, descem as pessoas
descem a montanha, as pessoas e as ovelhas
Nossa senhora não se esquece da Bulgária
Aparece sempre bela e provocante aos búlgaros
no seu vestido de seda vermelha,
braços macios, não feitos de luz, mas de carne humana
ajoelham-se diante dela á sombra duma oliveira
Os três pastorinhos búlgaros
Nuno Brito 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
As idólatras formigas do mal
O vento frio assobia e corre dentro do osso
Voando triste de um lado ao outro do esqueleto;
Sem medo,
Percorre-o até ao arrepio,
Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos,
As extremidades violentas das pessoas dentro dos carros pretos,
Passa um barco a apitar de uma ponta à outra do crânio
A medula, a caixa craniana ressoa
Quando batida como um tambor contra os faróis de um camião
A medula, A caixa craniana,
Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos
A Rússia inteira com fome,
Com todos os seus dedos e articulações
Sagrada família esculpida em açúcar
apocalipse em braille…
As idólatras formigas do mal comem um menino Jesus de açúcar
Nuno Brito, 2008
Voando triste de um lado ao outro do esqueleto;
Sem medo,
Percorre-o até ao arrepio,
Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos,
As extremidades violentas das pessoas dentro dos carros pretos,
Passa um barco a apitar de uma ponta à outra do crânio
A medula, a caixa craniana ressoa
Quando batida como um tambor contra os faróis de um camião
A medula, A caixa craniana,
Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos
A Rússia inteira com fome,
Com todos os seus dedos e articulações
Sagrada família esculpida em açúcar
apocalipse em braille…
As idólatras formigas do mal comem um menino Jesus de açúcar
Nuno Brito, 2008
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