<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351</id><updated>2012-02-16T07:00:43.018-08:00</updated><category term='Ensaio'/><category term='Nuno Brito'/><category term='Beatriz Hierro Lopes'/><category term='Sobre Gatos'/><title type='text'>Descoiso</title><subtitle type='html'>Contos e outras ficções</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>94</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8564546771195763890</id><published>2011-12-25T16:21:00.000-08:00</published><updated>2011-12-25T16:27:56.175-08:00</updated><title type='text'>Mudança de morada:</title><content type='html'>O Descoiso mudou-se para &lt;a href="http://pequenosanimaissemexpressao.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8564546771195763890?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8564546771195763890/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8564546771195763890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8564546771195763890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8564546771195763890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/12/mudanca-de-morada-pequenos-animais-sem.html' title='Mudança de morada:'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-9161388729252925113</id><published>2011-07-11T07:36:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T07:38:03.155-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Antena</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há salvação possível fora da imitação do silêncio. Mas a nossa loquacidade é pré-natal. Raça de tagarelas, de espermatozóides verbosos, estamos quimicamente ligados à Palavra: Emil Cioran.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A televisão tinha deixado de dar há dois dias. O Tio Sam disse que devia ser por causa do ninho das cegonhas na antena. Muitas cegonhas morriam electrocutadas em toda a Provença, as televisões deixavam de dar. O sistema de televisão terrestre digital estava a alterar isso. Muitas pessoas metiam também televisão por cabo. Mas na nossa zona ainda não funcionava. O Tio abriu uma garrafa de cerveja e bebeu directamente pelo gargalo. Fazia muito calor. A avó dormia. O tio sugeriu que fossemos para o quintal fazer um boneco de palha, com um ninho de cegonhas por cima da cabeça. Para as cegonhas irem para lá e deixarem a antena. Eu fui com ele. Passamos a tarde toda a apanhar palha. O tio dava nós nos molhos de palha que faziam os braços e os pés. Depois a cabeça. Ao fim da tarde o boneco ficou pronto. Depois o tio foi buscar uma escada e pô-la junto ao poste com a antena. O ninho estava vazio. Fiquei a segurar a escada. O tio apanhou o ninho, trouxe-o para baixo com cuidado até ao terceiro degrau e passou-mo para as mãos, no cimo de uma antena. Mostrou-me o ninho. Tinha dois ovos. A avó tinha acordado e ido ao jardim e também viu os ovos. Disse que os queria para os fazer estrelados com compota de morango e salsichas brancas pequenas. Disse que isso lhe fazia lembrar quando era pequenina. Mas o avô e eu não deixamos e os ovos ficaram nos ninhos. Fizemos uma pausa para ir lanchar e fomos para a cozinha. Depois o tio meteu o ninho no cimo do boneco. Fui buscar dois novelos de lã branca que eram da avó e que serviram para fazer os olhos. O avô cozeu os olhos ao boneco, depois metemos-lhe uns óculos de sol. O tio cozeu o ninho à cabeça do boneco. Ficamos sentados à espera que a cegonha chegasse. &lt;br /&gt; A avó disse que a televisão já estava a dar e começou a ver um concurso. Adormeceu outra vez. Vimos a cegonha vir pela janela. O tio disse que ela devia ter cerca de um metro de altura. Ficamos a espreitá-la de dentro para não se assustar. Parecia que não estranhava o novo ninho. Era como se ele sempre tivesse estado aí. Ficava muito bem no cimo do boneco. Via-se o sol pôr-se ao fundo da seara. O tio foi buscar outra cerveja ao frigorífico. Mudou de canal. Eu também me sentei. Estava a dar a notícia de que dois aviões tinham batido nas torres gémeas. Ficamos a ver com atenção. As imagens repetiam-se. Estávamos todos assustados. De vez em quando viam-se pequeninos pontinhos a caírem dos prédios. Essas imagens alternavam com a das torres a ruírem pelo meio. O apresentador falava muito rápido. Outras vezes os pontinhos caíam. Perguntei ao tio se eram pessoas. O tio não respondeu. Perguntei outra vez, o silêncio apoderou-se da sala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-9161388729252925113?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/9161388729252925113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=9161388729252925113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9161388729252925113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9161388729252925113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/07/antena.html' title='Antena'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3347327456325508874</id><published>2011-07-08T06:56:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T06:57:30.522-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Alegoria Final</title><content type='html'>&lt;em&gt;Escrever é inscrever no interior de um círculo o exterior de todos os círculos: &lt;/em&gt;Maurice Blanchot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amnésia segura uma estrela-do-mar, mete-a entre as mamas, está viva. É adocicada a sua parte de baixo, as suas pontas engrossam, incham entre os seios quentes - A estrela-do-mar incha de prazer e de recordações, como que alimentada por um espasmo solar que se reflecte nos olhos da Amnésia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Todas as recordações provêm do sol, é ele o único actor, representa as sombras, e representa a luz, representa toda a natureza humana como criador absoluto. A estrela incha, todas as suas pontas aumentam com o calor. Ela entra no mar, mergulha, atira a estrela para as ondas. Nunca tinha dormido, tratava-se de uma estrela-do-mar autista. Eterna como qualquer gesto humano ausente de simbolismo. Pelo último mito, a amnésia mergulha. Depois já em casa, a amnésia, puxa a luz de dentro do peito de Artur: Puxa-a devagar do tronco nu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há como esquecer a viagem, mas não há como acordar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo foi uma noite, pensa Artur, uma noite com Cassandra, que não esquece. Uma noite de chumbo que durou mais de um milénio. Um milénio com que brinca um gato, como se fosse um novelo fluorescente feito de noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amnésia tem um campo de algodão no lugar do peito. Mas o peito é perfeito. É feito de carne e não de luz, embora os fotões o atravessem, como atravessam todas as coisas vivas, sempre à procura de algo, como quem tem sede, ou quer simplesmente nadar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não tenho mãos, não tenho boca, só tenho memórias, memórias que caem líquidas como azeite que escorre da boca de um paralítico. Cronos limpa-a, ajeita-a, mete-lhe a algália. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cassandra também não esquece, &lt;br /&gt;Acaricia o peito de Artur. &lt;br /&gt;Também ele não dorme&lt;br /&gt;Porque o dia é citrino, em tudo citrino: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há obsessões que se repetem como um jogo de voleibol entre o futuro e o futuro. Em campo-contra-campo. A Amnésia mergulha no mar: Esquece.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A visão parcial e fragmentada é necessária. A obsessão é necessária, é o único acto universal, guia-nos até à sobrevivência. Anula-nos os limites. Transfere-os para níveis mais elevados de consciência. A Amnésia beija Artur na boca, e o novelo corta-se em várias pontas; fragmenta-se a consciência, quebra-se a narrativa, todas, pelo esquecimento que se apodera de tudo. A sombra dos girassóis deixa de existir. A sombra dos homens deixa de existir. Acabou a representação – Começa o jogo verdadeiro. A Amnésia puxa a luz do corpo de Artur. Todas as pontas se acendem. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artur sonha com fios, com nós, coisas que ligam: os lobos transformam-se em meninos e descem pela Suécia em direcção às estações de metro de todo o continente. São ciganos. Sentam-se em frente de cada hipermercado. Mas isso não se passou verdadeiramente.&lt;br /&gt;A literatura nunca existiu,&lt;br /&gt;Diz Cassandra – Porque o único suporte permitido, agora, é o calor. E ele não regista. É só ponta e sensação que aumenta o novelo, engrossa as pontas da estrela. Ela está excitada, nas mamas da Amnésia. Artur escrevia duas novelas: "duas variantes do mito de orfeu", e "a vitalidade dos rapazes jovens". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Amnésia beijou-o na boca e ele perdeu o fio condutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia com Cassandra era impossível esquecer. A amnésia anda a rondar-nos, a mim e a Cassandra. A memória mais pura, cristalizada na boca de um paralítico. Cronos limpa-lhe os beiços. Numa cara atómica, que é a de todos: Não esquecer faz os rios descerem. O mar é já só esquecimento, uma pequena morte; se no fundo do Mediterrâneo está um nigeriano com algas nos pulmões isso não simboliza nada. Apenas faz com que a moral seja como a libido de um pedófilo. Porém, fizeram-lhe uma castração química. E agora a sua cara arde. E a mensagem é a própria cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O minotauro está a chorar, e a verdade é que vários helicópteros ergueram com cabos o labirinto no ar. E o seu sofrimento ficou exposto. Está a ser filmado para a BBC o último mito e dele se fará um manifesto, um manifesto que vai com o vento, que anda de bicicleta, um manifesto pedófilo com a cara a arder. O mensageiro é a única mensagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve, nunca houve mensagem, libertei o sono da sua caixa azul para os homens dormirem, e os homens dormiram e do seu sono nasceu a Amnésia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da insónia nasceu Cassandra. As duas são gémeas. Dormem com os braços e pernas entrelaçados, as bocas juntas, a mesma e única respiração quente, e são agora já só uma e a mesma coisa, porque se fundiu memória e esquecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só, uma mulher vem à janela, e liga o mp3, ouve Nina Simone, acende um cigarro. Liga para Artur pelo telemóvel. Há dias citrinos em que Cronos corre demais, tem à sua frente o caminho mas come o caminho, e depois não fica nada, só um livro para ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz é filha de Cassandra e do Tempo. Os dois criaram o dia – As memórias provêm do sol. O labirinto tende para o mar. Se a Amnésia me beijasse na boca tenderia para o mar, mas foi Cassandra quem me abraçou. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa seara da Boémia, duas ceifeiras colhem trigo, uma conta para outra a noite que passou com o seu amigo: Um louva-a-deus olha para elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Provença os louva-a-deus são vistos como insectos adoradores do diabo, pelas suas patas fixas para o céu. Seja como for, adoram algo, adoram como quem está vivo. As ceifeiras riem-se. A visão do louva-a-deus é fragmentada. Os louva-a-deus fêmea arrancam a cabeça do macho durante o sexo, no exacto momento em que este se está a vir. As ceifeiras colhem o trigo e riem-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contava-se que no deserto um eremita com muita sede e fome, viu um louva-a-deus. Seguiu o caminho que as patas do insecto indicavam, ele estava em posição de abandono, numa quase meta-morte que o protegia dos predadores pensando-o inanimado. O eremita seguiu para sul. Pouco mais à frente viu um prado com um rio. Aí alimentou-se e bebeu. Mais tarde voltou ao local com vários eremitas para aí criar uma cidade em forma de estrela. Mandou vir fabricantes de sinos, adoradores de ídolos, construtores de telhas e de tijolos. Vários fornos foram montados para fazerem tijolos para as torres latinas. No cimo de cada torre havia um sino: um menino também que o badalava. No centro da cidade em forma de estrela estava um pequeno palácio de vidro. Aí dentro estava guardado o esquecimento. Quem lá entrasse não teria uma única recordação mais na sua vida. Toda a memória se ia. Depois as memórias de todos iam por pequeninos canais para o Nilo e desaguavam no Mediterrâneo. As memórias engrossavam as estrelas-do-mar e eram o seu único alimento: gorduroso, extremamente táctil e vital mas invisível. Como se fosse uma medusa, a mais perversa medusa, a memória amamentava-as, aumentava as pontas da rede. Mas de que rede se poderia falar? De uma invisível, única. Por uma visão fragmentada as meninas desciam os rios em direcção ao Mar Negro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não legitima, a luz legítima &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entra trémula na casa da possibilidade, oferece-se aos homens. A possibilidade sopra a noite de dentro dos búzios, e a noite cai, espalha-se em rede, os homens dormem e, enquanto dormem, o sol sopra a noite para cima devagar. A amnésia lambe-me os ouvidos, o farol dá o sinal – Há simbologias recorrentes no seu uso da escrita:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A alegoria é sempre doce e azeda ao mesmo tempo, a alegoria é citrina, ácida, tende para os pólos, para os unir. A vigília lambe-me os pulsos e faz com que eu seja todos os narradores, estou no centro da torre latina, a espera é extremamente ácida. Estou dentro da amnésia, venho-me dentro dela, ficamos abraçados, a anulação do medo é a morte, a morte entra no quarto, com o seu rabo aceso. Não vou personificar mais nenhum sentimento ou estado. Pois todos os estados são fêmea, como duas irmãs gémeas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não legitima, a luz legítima: A memória chora leite condensado para cima da Escócia – Como se fosse neve, dentro das órbitas dos olhos o sol reflectido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha profissão é a de guarda, guardo uma pirâmide, um supermercado, um rebanho, uma multinacional de próteses, um segredo, ou um olhar doce e triste, não sei bem o que guardo, mas guardo com todas as minhas forças, na retina, no meta-plasma, faço uma gravura daquilo que guardo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não legitima, só a luz legítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fragmento-me, uno-me dentro da amnésia, com Cassandra a puxar a minha luz, ela sai silenciosa. O avião levantou voo, e não há como arrebentar, cair, aterrar, só há como estar em cima. Sou a vontade em tudo malhada de te ver sorrir, espalho-me. A mulher sai da água.....................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cronos espalha-se dentro dela, ela lambe-lhe os pulsos, Cronos possui a amnésia, o seu sexo incha de prazer, a respiração é cada vez mais rápida. Ela tem uma faca na mesinha de cabeceira. Cronos está prestes a perder todas as memórias. Está-se a vir: A amnésia está por cima, possuída de um prazer extremo - espeta-lhe a faca nas costas. O tempo pára ......................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amnésia segura uma cidade santa na mão, pela alegoria mais doce injecta leite condensado no peito: Aqui o novelo desenrola-se todo, a natureza humana cria a rede, a natureza humana precisa da rede. A rede viola as filhas da revolução, estão meias de licra espalhadas por toda a cidade. A rede infiltra-se em todos os corações – A meio do caminho há uma puma, devora o caminho para trás, mete a cabeça no forno, escreve a primeira ode, a primeira ode vai com o vento, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é o fim da poesia, &lt;br /&gt;toda ela entra nos casulos, &lt;br /&gt;uma procissão de búfalos subaquáticos atravessa a cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia as águas vão subir e vão trazer o Rober, é a natureza humana que fala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um imperador chinês mandou que destruíssem todos os livros, queimados pelo fogo, mandou preservar apenas os tratados de medicina e de jardinagem, também um ou outro texto que falasse da imortalidade, construiu uma muralha que cobrisse todo o império: A rede entrou no império. Mas o imperador mandou que os jardineiros fossem cortar as pontas à rede. Mas a rede é invisível, não se vêem as pontas. Também não se vêem os nós que elas fazem: A amnésia segura uma cidade santa na mão e um farol na outra. Desenha um círculo a giz. No meio está um sapo, escreve o nome "Cassandra" num papel, e mete o papel na boca do sapo. Depois coze a boca do sapo e enterra-o vivo. Mete terra no buraco. O sapo morre asfixiado. Cronos está dentro dela – Mas está morto. Não há acção possível, foi tudo como um mergulho da ficção na realidade. Mas quem voltou à superfície não trazia cara alguma – Trazia a cara de todos. A amnésia dá-nos a mão, procura um fio condutor, corta esse fio condutor, a novela fragmenta-se... A luz trémula brilha nos olhos negros de Cassandra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3347327456325508874?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3347327456325508874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3347327456325508874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3347327456325508874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3347327456325508874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/07/alegoria-final.html' title='Alegoria Final'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-9074005761053180855</id><published>2011-06-23T09:53:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T09:54:05.271-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Duas variantes de coisas que ligam</title><content type='html'>Dormia com um labirinto de espuma dentro de si: o criador da escrita, através da qual todas as narrativas seriam feitas. Tinha no pulso um relógio em decomposição, orgânico e perene como qualquer gesto. De vez em quando os fios do labirinto ficavam da cor do âmbar e aí as pessoas perdiam-se porque só conseguiam olhar para os muros. No centro estava um touro quente. Disse-me um anjo que o labirinto estava desnivelado e tendia para o mar. Quinze eram as entradas e as saídas. A música também entrava no labirinto e ela perdia-se como todos e como todos desenhava a saída no ar. Dormia com o labirinto dentro. Cassandra, a que nada esquece, entrava no labirinto e encontrava a amnésia bem no centro. A amnésia transportava pólen nas patas de uns contos para os outros e ia fertilizando o estilo novo. Ele dormia, há quinze séculos, sem se aperceber que as águas tinham subido até ao quarto andar. E os blocos de notas estavam todos molhados. Também estavam molhadas as fotografias. A amnésia mete gel no cabelo, e uma mini-saia vermelha. Está no centro do labirinto que ora é um labirinto ora é uma rede. As pessoas perdem-se na mesma. É da natureza das pessoas perderem-se, é tão natural como um movimento de vanguarda, como uma abelha, como um copo de água. O labirinto é em tudo líquido embora por vezes as suas paredes congelem. Cassandra deita-se com a amnésia. E o psicólogo perguntava – O que é que inventou afinal? – A escrita – Respondia o labirinto – O mar cobria o psicólogo, depois o mar inundava o labirinto e ficavam algas no meio e bem no centro um esqueleto de baleia. Dormia com várias coisas que ligam dentro dele – Tens de te pôr nos olhos dos outros – Disse-me o caderno quadriculado, ou foi a minha mãe? As pessoas perdem-se na mesma, para se encontrarem. Do outro lado da morte – Dizia o labirinto através de um estranho eco. O eco descalçava-se e entrava no mar, e no continente seguinte ouvia-se o mesmo poema em métrica sáfica. O poema a lavrar os campos de trigo da América – Na forma de tractor. As pessoas perdem-se na mesma e por cima delas o sol brilha e reflecte-se nos espelhos do veleiro. Escreveu "Alegoria final" e "Composição sobre o gelo". Deitou-se (com o labirinto dentro) nunca tinha dormido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-9074005761053180855?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/9074005761053180855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=9074005761053180855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9074005761053180855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9074005761053180855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/duas-variantes-de-coisas-que-ligam.html' title='Duas variantes de coisas que ligam'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-9156771528202662077</id><published>2011-06-23T04:09:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T04:14:17.087-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Coisas que ligam</title><content type='html'>Tu que tudo desatas, prende-me novamente, animal invencível, amor&lt;br /&gt;         Safo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cassandra está na praia a fazer barquinhos de papel, de um caderno preto, com poemas seus de há muito tempo. Faz mais de cem barquinhos, depois entra no mar e vai pondo os barcos na água; Vê alguns irem ao fundo, outros são arrastados para areia. Alguns deles desaparecem, vão com as ondas. Um dos barcos tem escrito a marcador "Sentir é dois" – Outros versos do Rilke vão pelo mar dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem ter à praia um veleiro, e nesse veleiro vem a amnésia: com os seus pés quadriculados e luvas brancas. A amnésia mergulha e nada até à areia. A amnésia segura Cassandra, beija-a na boca. As duas ficam de mãos dadas, mergulham. O mensageiro toca num piano de uma esplanada da praia a "petite suite" de António Fragoso: fica a ver, com as mãos trémulas, as duas a nadaram. A mensagem é o próprio mensageiro. Os barcos de papel vão cada vez mais longe.&lt;br /&gt; A amnésia possui Cassandra debaixo de água. Cassandra esquece, esquece-se de tudo. O dia está roxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amnésia conduz Cassandra a um túnel que passa por baixo da América - Abre a caixinha do sono, o sono liberta-se e os homens dormem. Cassandra dorme por fim; Nunca tinha dormido. E do seu sono cria-se a música, o primeiro esquecimento que corrige a vida: Começa a vida nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amnésia cria a noite, e da noite faz o medo. O medo é quadriculado e chora cal para cima do seu diário. Um choro ácido que queima o papel e deixa furos no caderno de uma vida. Depois fecha o diário e atira as chaves ao mar - A amnésia cria outras coisas que ligam, e dá as coisas que ligam aos homens. Dá-lhes a rede, a possibilidade, o medo e o dia. A amnésia beija o nosso século na boca, dá-lhe de beber, a bebida é uma rede líquida, uma rede que parece âmbar. O nosso século lambe a amnésia – Antes isto tudo era mar – Há um esqueleto de baleia no cimo desta serra; O escritor mete o sono num círculo, o círculo está fechado. Ninguém dorme. Os que têm as chaves protegem o círculo. Os sinos dobram. O círculo é fluorescente. Um futuro antiquário compra o círculo do sono. Há quinze mil anos atrás. Porque nunca dormiu. A amnésia lê o diário – Hà lá várias frases sublinhadas, citações de Cesariny, Cioran. A amnésia tem a noite na mão, dá a noite a comer a uma cotovia, e a cotovia levanta voo, e vai deixando cair bcados de noite do bico por onde passa, da Austrália ao Cabo Horn tudo fica escura. Depois volta para o seu ninho. Adormece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************************************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-9156771528202662077?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/9156771528202662077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=9156771528202662077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9156771528202662077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9156771528202662077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/coisas-que-ligam.html' title='Coisas que ligam'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7008100775035557922</id><published>2011-06-17T07:14:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T08:29:27.403-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>A mais negra</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória dobra-se, estende-se pelos campos cheios de pirilampos – Sou ela, nado no fundo do lago de Patrícia; estou em todas as línguas, nas suas fronteiras quentes e fluorescentes – Passo: passo sempre, segura: preciso de calor, tenho a boca torta cheia de medo e o coração recheado de leite condensado: No meu útero um relâmpago, bebo o caminho que tenho à frente porque o futuro é líquido, derrete-me da boca. Sou a possibilidade em tudo múltipla de te ver sorrir : Recheio-te de estrelas – Nunca lhes cortarei as pontas, nunca lhes cortarei as pontas – Deixá-las crescerem, entrarem na rede, precisamos da rede, mas comemo-la; ela equilibra-nos, mas ela faz-nos perder - as pontas da estrela crescem outra vez: Entram nas casas: Do Pólo Norte à Austrália. Na Nova Zelândia abrem a porta à estrela, ela entra, cheia de sede, porque procura, procura perder-se no interior do humano, duplo-poço contínuo. Sou a memória, uma rede contínua, às vezes estendem-me pelos campos,tapo os pirilampos com o meu manto de seda e vêem-se várias luzes fluorescentes sobre o pano que sou eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou agora num ringue de gelo em Viena, e as tropas aliadas estão prestes a entrar aqui, a ficção mergulha na realidade, escrevo um verso de Rilke no gelo &lt;em&gt;"Sentir é dois"&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;"Amar é mais"&lt;/em&gt; completa um outro patinador que vem atrás de mim, o registo é logo apagado por outros patinadores, outras linhas se sobrepõe a mim, memória última: no gelo, na comunicação, na história da humanidade – O patinador que me segue escreve outro poema, e as linhas dos patins no gelo tornam-se fluorescentes por instante, enquanto os americanos entram na cidade lê-se um poema que fala de perenidade, de gelo e de girassóis, o poema é assinado por Alma Mahler, sujeito poético do patinador que me segue. No gelo escreve outros aforismos aos quais logo se sobrepõem outras riscas de patins – Nunca se apagou nada até hoje, sempre se falou/escreveu/criou por cima, apagar é impossível, apenas é possível renovar, revitalizar, criar por cima – Os patins são de marca – Sou a memória: tenho uns patins suiços, de marca, já competi na Suécia, já estive dentro dos cactos: Ao meu lado dorme um homem que quer esquecer – Acorda, levanta-me a saia beje, fala de Alma Mahler, fala-me de um avião que como todos aviões não pode cair, não pode voar, não pode arrebentar, apenas lhe é permitido subir e chegar ao seu destino: A torre latina de escada em caracol tomba, o continente treme de líbido, não se consegue conter mais, do Perú ao Equador todos os faróis dão o sinal, uma pirâmide de fogo está em fuga contínua pelo deserto. Meteste-me pirilampos no cabelo, no porto de Lima, à noite escura, num sopro quente de Verão: o Chile parte-se ao meio - a amnésia beija-nos na boca – Temos caminho à nossa frente e bebemo-lo – A amnésia diz: isto e aquilo deve ser esquecido, e por isso a pirâmide cavalga, em fogo, cheia de botijas de gás dentro. A tempestade beija a amnésia. Nossa Senhora da fertilidade recheia-me o útero de relâmpagos e cerejas – A amnésia mete a música entre as pernas, é a pintora mais perversa; pinta árvores, mete céu entre as árvores – Possuí a música que possuí o céu, que possuí a cidade – Os muros precisam de ajuda, toca um trompete do quarto andar, por uma alegoria mais doce, a ficção mergulha na realidade. Atirei a chave do diário para o fundo do mar, o farol acendeu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;III. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantaram-me as saias nas traseiras do convento, um homem que quer esquecer, injecto-lhe uma vontade Nova nos olhos, vejo-os descerem pela montanha, alguém me escreveu uma carta: Não te esqueças de ir para a varanda ver esses olhos verdes passarem/ fugirem/ desaguarem no mar – Vejo todos os olhos em fuga, todos os olhares a descerem pela montanha, a dobrarem-se sobre o seu próprio eixo, por uma visão Plena* Uma visão que tudo abarca, todos os sentidos a fazerem tremer a terra: ela não aguenta mais o seu líbido e treme; Sou a mais obssessiva de todas as paixões, tenho um gorro azul que a loucura me deu – E não consigo esquecer, como Cassandra, tudo absorvo, como uma esponja da alma condenada à mais doce e pergisa das penas, nada esquecer – A patinadora escreve agora uma ode de Ricardo Reis, depois uma de Petrarca e um homem sentado ao lado do ringue aponta tudo numa mortalha, todos os poemas, depois enrola tabaco nas mortalhas e fuma-os – No gelo as marcas também desaparecem, a letra carolina de uma caligrafia perfeita fica com riscos por cima – São agora muitos os patinadores. Os exércitos americanos entram na cidade. Viena está pronta para ser aliada. A guerra é agora um fio com que brinca um gato, um fio que une os pólos. Um fio que é um dia de chumbo. Pedi ao patinador que me segue que personificasse um sentimento: ele personificou o medo: Escreveu que ele era quadriculado e em tudo geométrico, como o voo previsivel de uma mosca, mas que tudo agarra por trás como uma rede. Levantaram-me as saias nas traseiras de um convento, um homem que quer esquecer: a minha saia é curta e beje – Vejo do canto do espelho três pastorinhos búlgaros, os que velam: para que seja noite e dia ao mesmo tempo, um dia roxo – A amnésia beija-nos na boca, a ficção mergulha na realidade – Vejo-a passar de bicicleta ao lado do Farol de Alexandria, com os barcos ao fundo, os amantes ao fundo; ao fundo também eu, novelo que faz esquecer – Que as minhas mãos ardam se me esquecer dos teus olhos – Estamos na Guerra Colonial, estou na líbido de um soldado português: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - E então eu dizia às pretas: Punho Punho – E elas batiam-me uma punheta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; .................................................................................................................................&lt;br /&gt; Apressei o fim da história, virei todas as páginas com os meus dedos compridos: os sósias do fundo alimentam-se da minha líbido: Estou no lago quente de Patrícia, onde todos os que aquecem se banham. Os sósias do fundo são só um: o mesmo homem com a mesma touca às riscas. Olham-se num espelho Barroco abandonado no fundo do lago. De vez em quando inventam a escrita para que novas civilizações contem as suas histórias, as transmitam aos seus descendentes: Tornam a Literatura Possível – Injectam leite condensado na Estrela para que as suas pontas cresçam com mais força: A literatura entra em todas as casas, acende todos – Dormem no meio das balizas subaquáticas. O seu empate é uma forma de amor. De que falamos quando falamos dele? Um diário de uma vida cai de um vigésimo andar. A amnésia possuí o mar, permite as marés, permite a lua que se recheia de encontros. A amnésia leva pólen nas patas, para outro continente. Um  abraço pré-hispânico em tudo eterno há-de polarizar todos os movimentos, todos os gestos humanos, toda a Vida* O que há antes dela? Depois dela? Apenas pólen nas patas, um ramo de violetas e uns patins de marca. Os canhões americanos rodeiam o ringue de gelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7008100775035557922?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7008100775035557922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7008100775035557922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7008100775035557922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7008100775035557922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/mais-negra.html' title='A mais negra'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-6472244077932274692</id><published>2011-06-08T05:34:00.000-07:00</published><updated>2011-06-08T05:35:51.285-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Meta-sono</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Que a amnésia nunca nos beije na boca&lt;/span&gt;: Roberto Bolaño – Manifesto Infrarrealista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O sono descalça-se, desenha o trigo a aguarela,&lt;br /&gt; Amarelo que foge com o vento, &lt;br /&gt;o sono descalça-se. &lt;br /&gt; Como um fabricante de sinos do futuro,&lt;br /&gt; o lavrar subaquático dos campos de Marte:&lt;br /&gt; mudámos as linhas, todas, &lt;br /&gt;acelarámo-as em direcção ao coração; &lt;br /&gt;Jiacina abre a caixinha do sono, ele expande-se em rede,&lt;br /&gt; como uma estrela fluorescente,&lt;br /&gt; entra nas casas, nos prédios, nos edifícios municipais, &lt;br /&gt;os homens dormem:&lt;br /&gt; O sono põe céu entre as árvores &lt;br /&gt;e põe céu entre as casas, e põe o céu entre as pernas –  &lt;br /&gt;o céu permite a música,&lt;br /&gt; o céu acorda a música,&lt;br /&gt; o céu possuí a música – &lt;br /&gt;A música põe o céu entre as pernas, &lt;br /&gt;como uma cabeça viva, extremamente viva – &lt;br /&gt;O orgasmo das raparigas é clitorial – o céu sabe isso – &lt;br /&gt;O céu lambe a música, o sono foge para dentro dos búzios&lt;br /&gt; com as suas meias de lã grossa, de fora, &lt;br /&gt;por uma alegoria mais doce injectamos leite condensado no peito, &lt;br /&gt;na sede de contar uma história hiper-real &lt;br /&gt;recheámos uma estrela suicida de memórias, &lt;br /&gt;ela escreve a giz no espelho que o sono venceu o medo, &lt;br /&gt;e que a música venceu o medo:&lt;br /&gt; a casa é mais ampla agora, o arado sulca a terra fluorescente, &lt;br /&gt;pelo fim de todos os símbolos damos a mão, &lt;br /&gt;pelo último mito bebemos da boca: &lt;br /&gt;uma só – &lt;br /&gt;Lancetaram o útero à loucura &lt;br /&gt;só ela pode ter filhos – &lt;br /&gt;O amor é a união do medo com a música, &lt;br /&gt;tinha a boca ao lado e a vontade de possuir tudo. &lt;br /&gt;Jiacina liberta o sono, &lt;br /&gt;ele cai da boca como leite condensado: &lt;br /&gt;o sono têm a música entre as pernas –&lt;br /&gt; Já só é possível a calma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-6472244077932274692?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/6472244077932274692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=6472244077932274692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6472244077932274692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6472244077932274692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/meta-sono.html' title='Meta-sono'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-6096521403875211601</id><published>2011-06-02T06:04:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T06:33:48.194-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>outra forma de mentir</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;Sou a verdade, uso uma mini-saia vermelha,&lt;br /&gt;Vejo os homens masturbarem-se das suas janelas enquanto me olham,&lt;br /&gt;passo nas ruas de Alexandria, Berlim, Tóquio, Budapeste, &lt;br /&gt;Bernini esculpiu-me, Whitman descreveu-me &lt;br /&gt;mas nunca nenhum homem me possuiu &lt;br /&gt;Por mim correrão futuros antiquários ainda por nascer&lt;br /&gt;Afundo-os de desejos, mutilo-lhes os sonhos&lt;br /&gt;Sou múltipla e tudo acendo sobre a forma de calor,&lt;br /&gt;Quem tem medo está mais próximo de mim, estou na boca dos amantes, &lt;br /&gt;Nos seus ternos abraços: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;A minha visão é fragmentada de tanto olhar para o sol,&lt;br /&gt; um fabricante de sinos do futuro, também ele cego,&lt;br /&gt; mergulha dentro de mim e badala como do fundo de um lago suíço,&lt;br /&gt; não tenho sono, nunca dormi até hoje, &lt;br /&gt;ouço o badalar link link link link, &lt;br /&gt;subaquático e triste:&lt;br /&gt; Todos os comboios correm até mim,&lt;br /&gt; velo o sono de um faroleiro com medo do escuro,&lt;br /&gt; teço-lhe os sonhos de fios dourados,&lt;br /&gt; puxo as extremidades para o centro da alma e sento-me a chorar,&lt;br /&gt; também eu tenho medo do escuro e me deito à sombra&lt;br /&gt; as cidades possuem o céu,&lt;br /&gt; o céu possuí a música &lt;br /&gt;e a música possuí-me a mim, &lt;br /&gt;sou todas as viagens, a meus pés construíram Tróia, &lt;br /&gt;os semi-deuses esculpiram Cápri dos meus joelhos -&lt;br /&gt;A amnésia beijou-me a boca;&lt;br /&gt; O futuro líquido na forma de dois joga pólo aquático consigo mesmo,&lt;br /&gt; tudo é um, tudo está condenado a ser um,&lt;br /&gt; criei a poesia, teço todas as narrativas, &lt;br /&gt;mergulho em todas as prosas, &lt;br /&gt;todas as ficções me atravessam a nuca, &lt;br /&gt;de um ao outro lado um comboio apita, um rio passa,&lt;br /&gt; acorda um gato em queda, &lt;br /&gt;os homens têm caminho à sua frente &lt;br /&gt;e bebem o caminho, porque têm sede e o futuro é de beber, &lt;br /&gt;as memórias também são de beber, o amor é líquido, &lt;br /&gt;apesar de não existir também eu bebo o caminho: &lt;br /&gt;Nado dentro de todos os homens;&lt;br /&gt; Não penso, sinto, não corro, minto.&lt;br /&gt;..............................................................................&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-6096521403875211601?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/6096521403875211601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=6096521403875211601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6096521403875211601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6096521403875211601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/outra-forma-de-mentir.html' title='outra forma de mentir'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7054880400965144943</id><published>2011-06-01T04:39:00.000-07:00</published><updated>2011-06-01T04:42:58.635-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'></title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a culpa, &lt;br /&gt;Tenho o útero recheado de girassóis &lt;br /&gt;e a boca cheia de relâmpagos – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as minhas mãos são às manchas, &lt;br /&gt;os meus dedos tocam todos por dentro, &lt;br /&gt;dobram como sinos, &lt;br /&gt; desenrolam a memória - &lt;br /&gt;As sombras provam-nos que há sol&lt;br /&gt;mergulho nele – um abraço desde dentro,&lt;br /&gt; sou a culpa, o meu século é às manchas e&lt;br /&gt;é só mergulho em acto contínuo &lt;br /&gt;...........................................................................................................................&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A dor é azul,&lt;br /&gt;  O medo é azul, &lt;br /&gt;marítima é também a vontade de te abraçar, &lt;br /&gt;de nadar por ti dentro, &lt;br /&gt; só o riso é deus, só ele molda verdadeiramente as caras, &lt;br /&gt;só ele folheia verdadeiramente e abre,&lt;br /&gt;  vêm a voz e recheia-me de relâmpagos, &lt;br /&gt;O anjo lambe o futuro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7054880400965144943?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7054880400965144943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7054880400965144943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7054880400965144943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7054880400965144943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/06/sou-culpa.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3143948090122141843</id><published>2011-05-25T08:01:00.000-07:00</published><updated>2011-05-25T08:02:15.495-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Zahut II</title><content type='html'>O futuro joga badmington consigo mesmo, na forma de dois: derrete pelos olhos, provoca uma visão fragmentada, distorce, soluciona, apresenta-se como alucinação na parte de trás da nuca, nada como uma estrela de várias pontas por ti dentro, como um comboio percorre-te a nuca, os braços: uma infra-língua lambe a civilização assustada. Folheamos de forma apressada o genocídio do Darfur; Na casa diante do mundo com os seus grandes espelhos. O futuro sobe pela coluna na alucinação dos cactos, é só um gato em queda contínua, vertical como a música. Zahut esconde o sono numa caixinha pequena, forrada por dentro de celofane azul. Depois vai brincar com as montanhas, muda-as de sítio, de vez em quando mete uma montanha na boca – Com os seus sinos de bronze a tocarem – A montanha branca, o lago, dentro da boca – O futuro a vestir os seus calções justos, só vigília de várias pontas acesas, porque o sono está numa caixinha. O futuro escreve. Zahut escreve, mete o medo num saco, fuma o medo e vai brincar com as montanhas, em mortalha de prata, vertical como a música. O último símbolo anda de patins no ringue: Zahut escreve porque tem medo e abraça-se a Jiacina. A entropia aumenta o sinal, fortalece-o de ligações mais fortes e seguras, a estrela nada por eles, dentro deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3143948090122141843?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3143948090122141843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3143948090122141843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3143948090122141843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3143948090122141843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/zahut-ii.html' title='Zahut II'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-4932859174183682775</id><published>2011-05-25T07:45:00.001-07:00</published><updated>2011-05-25T07:45:48.255-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Zahut</title><content type='html'>Deram um livro a Zahut sobre metalinguagem. Zahut não percebeu o livro e atirou-o ao lixo, depois veio falar comigo e disse que não gostava de metalinguagem nem de linguagem em geral, pediu-me um conselho para acabar com a linguagem: Olhei-o, a sua cara parecia um triângulo assustado. Disse-me depois que queria fazer uma gelatina de linguagem, de toda a linguagem. Respondi-lhe de forma segura que isso seria impossível, porque não é possível fazer uma coisa física de uma ideia, ou de uma abstracção, disse-lhe que isso só seria possível na literatura, só a literatura une o mundo das ideias ao mundo físico. Zahut não concordou comigo e disse que ia organizar uma reunião para a qual iria convidar os melhores linguistas e estudiosos da fonética, assim como os principais fabricantes de produtos alimentares a nível mundial. A reunião foi marcada, Zahut disse que me iria mandar as actas para o mail. Nunca mais as recebi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-4932859174183682775?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/4932859174183682775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=4932859174183682775' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4932859174183682775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4932859174183682775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/zahut.html' title='Zahut'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8726506658579171598</id><published>2011-05-17T10:36:00.000-07:00</published><updated>2011-05-17T10:37:20.545-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Alegoria de Safo</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faón tinha uma joaninha a subir-lhe o pulso, a pulsação era forte e segura, guiava-se pelas veias azuis: fazia muito calor na praia em frente ao mar Jónio. Vinte e cinco séculos depois os navios aliados chegavam à praia. Fazia muito calor, não é da natureza das joaninhas estarem nas praias, mas sim nos jardins. A escola de fêmeas tinha um jardim que dava para a praia; fazia muito calor. Safo segurou-lhe o antebraço, pôs-lhe a mão no peito. Faón não resistiu. Era sua aluna na escola de fêmeas. Por essa altura as lições eram sobre a possibilidade e a aparição. Discutia-se Heidegger vinte e cinco séculos antes de ele ter nascido, e ainda pouco tempo depois de surgir a virtualidade da escrita já Safo se perdia nos links da loucura. A joaninha levantou voo e foi pelo mar fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faón tinha pena de Safo, uma forma estranha de adoração, misturada com um pouco de vergonha. Safo era já velha. Estava completamente apaixonada por Faón. Escrevia à noite rolos inteiros de poemas, na métrica depois chamada sáfica, sobre o peito de Faón, o calor, a energia de Faón. Ouvia o pássaro de fogo de Stravinsky lá fora, vinte e cinco séculos antes da sua aparição. O pássaro de fogo a entrar pela janela, a atravessar-lhe o peito: Faón era a sua melhor aluna. Nesse tempo discutiam a possibilidade e as alunas escreviam sobre Heidegger. Faón resistia nos intervalos. Não sentia atracção por mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heidegger dizia que o manifestar-se é um não mostrar-se, ao mesmo tempo, na mesma linha de tempo, onde cabem todos eles, todos os fenómenos, Safo entrava nas águas quentes do mar Jónio com Faón, Faón dava-lhe a mão. Por pena, sentia apenas uma grande admiração, embora soubesse que já há muito a tinha ultrapassado no conhecimento de Heidegger e do futuro. O futuro líquido percorria-lhe o pulso e Safo lambia-lhe o pulso. Sentiam as algas nos pés, era de noite, a água estava muito quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;Assim que Safo se lançou do promontório para o mar Jónio, as águas subiram mais um pouco: Mais tarde provocaria uma inundação em Veneza assim que a cidade fosse formada, porque o mar guarda um rápido registo, uma saga aflita, na memória dos moluscos do fundo, nos casulos marinhos. Franz Gillparzer escrevia em Viena cinco actos para uma peça sobre Safo. Estavamos no início do século XIX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faón tinha-se apaixonado por um rapaz. Safo notava a sua desatenção nas aulas. Resistia-lhe agora, tornava-se mais distante.  O mar subia em métrica sáfica, em links apressados que conduziam fios para dentro de Safo. Link, ouvia-se link, as joaninhas a levantarem voo com o calor no jardim da escola, suspenso por alicerces seguros. O rapaz calcava as uvas. Safo e Faón provavam o vinho tinto mais tarde, quente na praia. Deram o último beijo. Safo chorou a noite toda, deixou que o pássaro de fogo lhe picasse os olhos e dançou. Ligou a internet, viu o último texto de Faón, digitalizado do papiro, a narrativa falava sobre a perenidade de um beijo, sobre escalas de tempo apressadas, sobre casulos, sobre girassóis,tartarugas, labirintos e anagramas. A narrativa incluía poemas de métrica Sáfica. Safo correu para o bosque. Foi aconselhada por um dos que fazem esquecer. Aconselhou-a a lançar-se ao mar. Dirigiu-se ao promontório. Atirou-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8726506658579171598?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8726506658579171598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8726506658579171598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8726506658579171598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8726506658579171598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/alegoria-de-safo.html' title='Alegoria de Safo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5964960204537430304</id><published>2011-05-17T10:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-17T10:15:49.706-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Carta a Marília II</title><content type='html'>O pensamento é uma questão de gravidade, empurra-nos para baixo, ao contrário dos sentidos que são em tudo verticais e fazem subir. Não que acredite verdadeiramente nisto Marília, não acredito verdadeiramente em nada. São várias as portas abertas, que nos dirigem a ligações sempre novas e seguras. O Amor é tudo o que faz subir, a sensação e a emoção geram filhos. O pensamento afoga os filhos. Qualquer movimento de vanguarda sabe-o e deve explorar os pólos como a potência vital do homem, anular os pólos e abrir a possibilidade. Habito-a, a dos teus olhos. O nosso século acabou com a legitimação – bebeu de mais e acordou sozinho. Todos os filósofos alemães tinham um dilema antes de ir dormir. Rezar para dentro, fazer um pacto com o futuro, com um fabricante de sinos de uma realidade paralela, atingir o meta-susto perfeito que faz evoluir. Só o amor faz evoluir. Não há caminho, ele abre-se à nossa frente em links imperfeitos. O pensamento abre janelas, mas também afoga. O que dá valor à viagem é o medo, a sua virtualidade, o medo é a mais virtual das portas e recheia-nos de sombras Marília, mas só ele é motor e faz avançar, a civilização gera-se de medo, o medo engrossa as pontas da estrela. A estrela entra na cidade, assusta mas aquece. Aquece-nos a baía trémula de luz, como os lábios húmidos, sempre por fechar porque nada se fecha. Trabalhei todo o dia a partir pedra. Fiz um poema de amor com a ajuda dos heterónimos que me acordaram. Partimos num barco a vapor, esperavas-me do outro lado. Um continente cheio de medo a que chamaram América. Estou preso ao mundo por todos os meus gestos, aos homens por todo o meu reconhecimento. Mas também pelos fios dourados da culpa; também ela guia orientador da civilização. Toda e qualquer civilização leva pólen nas patas e deixa-o cair, espalhar-se pelos campos, como os evangelizadores jesuítas a deixarem a semente fluorescente do cristianismo, nos campos, nas cidades a serem pintadas pelos expressionistas. A minha alegria não têm fim Marília, é a de todos os que partem, e pouco tempo falta para te ver. Sou uma pequena abelha, sou uma pequena abelha, e escrevo ensaios sobre a morte e a para-literatura, a que não a chega a ser. Deus – Mediterrâneo – Força, ergue-se: Construção Link Link Link, A escultura grega decai quando surge o sorriso e o olhar. Há girassóis na nossa casa diante do mar, e os cordeirinhos banham-se a teus pés na rebentação da lua – da casa diante do mundo. Por cima do girassol meteram cimentos – alicerces fortes de uma construção para uma casa de saúde. Nada se fecha. As portas abrem-se, as janelas abrem-se, as rosas brancas abrem-se como num adagietto. Esperamos o fim da narrativa, mas não é um fim é um início eterno aquilo para o qual caminhamos.  Na casa diante do mar a ler as partículas elementares, a ler todos os homens, as suas expressões rápidas: Na casa diante do mundo, construída por Camus, a fumar na sua varanda: O sol de frente. Não foram duas, mas quatro Sicílias, aquelas que os remadores de troncos fortes viram quando vieram de Cápri. Quatro cidades de Palermo espalhavam-se pelo deserto, fugidas de sítio. Amar é perder a cara, a identificação. Tudo é um, caminha para o um. Não existe sim e não, os pólos tocaram-se em nó contínuo, desfizeram-se. O carregador tem a perna partida por causa de um acidente de trabalho. Toda a história universal é um acidente de trabalho. Está em recuperação contínua. Um abraço pré-hispânico há-de repetir-se na era nuclear, na verdade nunca acabou porque a arte é um rio, contínuo o seu leito Marília. A arte nunca está acabada, apenas é por vezes abandonada. Mas o abandono é uma forma perversa de criação, porque o tempo contínua a obra.  O mesmo se pode dizer da civilização, que é o mesmo que a arte, mas com um pouco mais de pólen. Mandaram-me carregar blocos de pensamento de um lado para o outro. Só depois percebi que eram de pedra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5964960204537430304?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5964960204537430304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5964960204537430304' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5964960204537430304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5964960204537430304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/carta-marilia-ii.html' title='Carta a Marília II'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7379617917093814642</id><published>2011-05-17T10:12:00.000-07:00</published><updated>2011-05-17T10:14:20.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Carta a Marília</title><content type='html'>******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definir poesia é dar as mãos, deixar o ar crescer em espiral, é como atravessar a ria, regar um girassol, toda a poesia simbolista não chega para acender um pirilampo e no entanto ele acende-se no seu cio fluorescente, Link Link Link – Três pastorinhos, escorre-lhes azeite negro pelos beiços, depois da alucinação mais perfeita num boulevard de Paris, leio-os, lês-os, lemos-os, o pirilampo é também representação e recheia-se de noite, de pontes, de pontas seguras que crescem e entram nos prédios – Se tiver saudades de alguma coisa vêm a aranha e come-o. Há métodos seguros de armazenar a memória, nos casulos negros marinhos. A estrela cresce de memória e abraços contra o fim do suporte e do símbolo. O último mito estará escrito na parede, debaixo das árvores e todos trarão antenas nas mãos e bocas cheias de cerejas. O Joaquim deu-me um livro sobre a perenidade. O livro foi escrito pela humanidade inteira. Não era um livro, era uma maçã, eu trinquei a maçã. Vimos a montra, entramos na montra, os artigos eram antigos e desadequados – definir é como estar à sombra, só a luz define, só ela revela e mostra as coisas como aparição, não se mostrar é revelar os outros – a abelha leva o pólen nas patas, a abelha leva o pólen nas patas – Definir é mostrar por dentro, qualquer manifestação é um não mostrar-se, a febre dos cactos, lenta e interna, a baleia sonha com leite condensado, as estrelas caem para dentro da boca, e isso Marília, isso é definir poesia. &lt;br /&gt; Criei dez heterónimos de reflexos rápidos, gostam de jogar badmington, fomos beber gin tónico, aos dez paguei as bebidas, depois cada um fez um poema sobre a perenidade, dez poemas sobre abelhas que dei a ler ao doutor, o doutor injectou-me futuro no peito, futuro líquido a entrar nas artérias do coração, o tempo medido a expandir-se no pulso enquanto as estrelas suicidas de Tule se rebentavam no seu próprio eixo, Rimbaud entrou na sala do esquecimento, a abelha enche-se de pólen com ou sem simbolismo – Maiakowsky bebe a noite estrelada. Sò Bolaño escreveu no ar, com um jacto, também isso foi representação da perenidade Marília, como o nosso abraço. Não estamos aqui por causa da gravidade, mas porque amamos o chão. Aqui todos os textos se unem num ponto único, estrela em espasmo contínuo. Qualquer movimento de vanguarda leva pólen nas patas, entra nas fábricas com as suas meias de lã grossa. A vontade é em tudo nova de te possuir, de engrossar a estrela, de em zeros e uns esquecer tudo para reforçar a memória de pontas mais fortes. Dez poemas que dei a ler ao doutor. Definir poesia é dar as mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei aos meus dez heterónimos o que era o amor, e dei-lhes dez páginas em branco, todos eles saíram da sala, fiquei sozinho Marília, fui jogar bingo e beber, beber para esquecer. Depois em casa reuni todas as definições de amor que encontrei, perdidas em cartas, em poemas, em dicionários, em enciclopédias, todas as que me foram dando ao longo da vida e registei na memória. Não há amor há vida sem desespero de viver, dizia Camus. Também esta guardei e adormeci. No dia seguinte fui jogar voleibol com eles. Os cinco heterónimos de um lado, os cinco do outro. Eu era o árbitro que lhes definia a personalidade. A bola era de fogo. Uma vez bateu-me na cara. O pavilhão era revestido de espelhos. Não há elementos externos se tudo for uma e a mesma coisa. E tudo é uma e a mesma coisa Marília, em novelo cdontínuo, em direcção ao início de tudo. Apressar o início, a primeira dança, o primeiro canto, é essa a direcção da poesia. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os meus dez heterónimos de viso assustado escreveram nas suas dez páginas em branco: fá-lo com os mortos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7379617917093814642?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7379617917093814642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7379617917093814642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7379617917093814642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7379617917093814642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/carta-marilia.html' title='Carta a Marília'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-4777093727874302699</id><published>2011-05-17T09:08:00.001-07:00</published><updated>2011-05-17T10:14:45.033-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Meta-gelo</title><content type='html'>………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque razão nunca cometeu pessoalmente um crime?&lt;br /&gt;É provável que não o tenha feito porque escrevi os meus livros.&lt;br /&gt;     Jean Genet – O sorriso do anjo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto patinava, escrevia no gelo um verso de Petrarca. À noite a máquina passava e limpava todas as linhas. Já de tarde as linhas que os outros patinadores deixavam no ringue sobrepunham-se à rima. Todos os dias deixava um verso novo. Pasolini traduzia-os para a linguagem dos rios: Nada é criado de novo, só se apagam umas linhas criando outras por cima; em todo o diálogo que é o posto da morte, em toda a história que derrete para dentro da boca. &lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Algumas tardes vi São Bento de Núrcia a encostar-se nas paredes do ringue; ficava a observar-me, apontava num pergaminho que trazia o verso novo do dia e ia-se embora. À noite a máquina apagava todos os riscos e o gelo ficava liso. Sonhava às vezes que o verso ficava fluorescente no gelo e reflectia-se no tecto espelhado do ringue. Era sempre nova a vontade e a pressa de dizer tudo. Os meus patins eram de uma marca boa e suíça. Isso dava confiança. Mas as linhas no gelo criavam entropia ao verso; um atrito necessário como toda e qualquer civilização deve ter: Como em toda a história de humanidade, que não vale mais do que uma menina comer o seu corneto de morango. Na boca, o creme a derreter condensa todas as guerras, as disputas imperiais, os sonhos eróticos dos papas, o casamento dos reis católicos, o genocídio arménio, o do Darfur: a menina têm-nos na boca, a derreter na sua língua quente: Pasolini traduz a história da humanidade para a linguagem dos rios – eles não pensam, e não pensar é subir – transformar-se em nuvem. São Bento apontava os versos de um poeta do futuro e voltava para o seu convento de Montecassino. Por baixo do gelo havia um infrassól que guiava toda a literatura, toda ela é acidental e corre a toda a pressa engrossando as suas pontas, repetitiva e obsessiva. No século três passou-se dos rolos de papiro para o pergaminho. Isso tornava mais fácil a pesquisa por temas e autores. Não era preciso desenrolar o papiro, bastava virar a página. Muitos livros foram perdidos porque não foram passados de papiro para pergaminho e o papiro era um suporte condenável pela sua premiabilidade ao tempo, extremamente frágil e erosivo. Decidi-me pelo gelo como suporte, o mais virtual. Em fluorescente métrica nova escrevo uma rima de Petrarca no gelo. Os franco-atiradores passam por cima. Estamos em 1945 em Roma. Qualquer gesto humano me excita violentamente, amo tudo quanto fluí. Adoro um infrassól que permite todas as possibilidades. Ouço os bombardeamentos lá fora e agora estou sozinha no ringue. Bastava virar a página, mas tenho creme na boca, toda a história – Enquanto ordenarem a história por blocos não terei calma, ela é fluida como o rio que Pasolini traduz – Pasolini traduz também as montanhas e os lagos, e os pirilampos acenderem-se é só um fenómeno como a fuga para o egípcio de um povo perseguido. Preciso de escrever assim como preciso de nadar, porque o corpo assim mo exige. &lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As linhas de tempo também não existem, disseste-me em doce estilo novo, abraçámo-nos, falamos de linhas a tarde toda – Depois voltei para o ringue. São Bento apareceu, dessa vez não foi um verso de Petrarca que escrevi, mas um de Mário Santiago Papasquiero, em forma de manifesto: Os manifestos aquecem e levam pólen nas patas. Deixam-no cair à sua passagem e fertilizam as pessoas. Esqueci-me dos bombardeamentos, as sirenes tocavam. Mário Santiago Papasquiero ainda não tinha nascido, era uma estrela bebé recheada de memórias futuras: Estava-mos em 4 de Junho de 1945, os aliados entravam na cidade. Escrevi no gelo um poema seu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He introducido mi vida&lt;br /&gt;en la vulva radiante de la estupefacción&lt;br /&gt;/ Mi droga es respirar este aire caliente / &lt;br /&gt;Traducir a la luna en mi piel&lt;br /&gt;: hermanar mis heridas con su savia creciente :&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-4777093727874302699?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/4777093727874302699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=4777093727874302699' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4777093727874302699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4777093727874302699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/05/meta-gelo.html' title='Meta-gelo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2669108667727114408</id><published>2011-01-23T03:31:00.000-08:00</published><updated>2011-01-23T03:32:33.616-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Alegoria de Sisifo</title><content type='html'>……………………………………………………………………………………………………………………………………………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sentado no cimo do monte de entulho e pedras, e atirou uma das maiores lá para baixo, ouviu-a e viu-a rebolar, esse som repetia-se desde o tempo da condenação. Uma marca de leite condensado pode criar um mito e no mito e nos dedos criarem-se cortes por um mau processo de enlatamento, as máquinas andam depressa, os mitos andam depressa de mais e afogam-nos, pensava nisto ao mesmo tempo que São Bento, o patrono da velha Europa, a racionar o pão, o vinho e o queijo para cada monge, a racionar a hora de deitar, de pensar, de meditar, de orar, de ouvir os sinos, de dobrarem literalmente os sinos, o tempo de banho, a água que se gasta em cada banho, não pode ser quente porque isso aliena o monge. Tudo pensado para para cada monge europeu, seguidor da regra como nós: Sisifo com os seus calções curtos e uma camisola dos ultra Ribeira, a soar há tantos séculos em cima do entulho. Desde que em Maio de 2020 todo o bairro dos Guindais foi demolido para serem criados miradouros, restaurantes, bares e jardins. Sisifo estava no cimo do entulho que era o antigo bairro, mas o tribunal declarou que não fosse criado o espaço cultural dos guindais enquanto Sisifo não tivesse cumprido a sua pena eterna, aos eternos filhos de Deus, o Parlamento Europeu e alguns estados americanos atribuíam a pena eterna com trabalho, algum trabalho que o juiz lia num livro de mitos, a justiça dava as mãos à mitologia, no mesmo sítio onde antes era o Palácio  das sereias e se colocava no alto do porto de Leixões grandes bandeiras negras, alertando que um semi-deus estava na cidade e que as pessoas não podiam acorrer a ela: o mesmo era feito nos aeroportos &lt;br /&gt; Sisifo fumou um cigarro e desceu toda a escadaria, a rocha tinha batido na ponte, Sisifo subia com elas às costas, assim o condenaram os deuses, subir com rochas até ao cimo, depois elas tombarem num movimento perpétuo e num ciclo eterno Sisifo subir com as pedras outra vez até ao cimo. Do seu cabelo e cara pingava suor. Estava muito sol. Passaram uns turustas japoneses que fotografaram o semi-deus a subir com a rocha às costas; captarem o9s eczemas nas costas, os músculos sobre tanta tensão e arranhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os turistas passaram, e foi aqui que o escritor que escrevia este conto, saiu do quarto e me disse para eu guiar o texto da forma que me apetecesse, liguei a aparelhagem e pensei nesta função de duplo-narrador, caberia s mim interromper esta narrativa, esta revitalização de um mito grego, acabá-la assim sem nada, ou criar nós infinitos dentro dela e fazer também desta novela, um nó de acção, mas um nó de acção suicida, ir lá acima à pedreira e entregar o nó de enforcado para que Sisifo se mate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pensava nisto quando vi Dante aproximar-se ao longe na marginal do Douro, com um passo calmo e seguro, um gesto seguro e firme, acima de tudo seguro. Não trazia nada na mão esquerda nem nada na mão direita. Caminhou em direcção ao entulho de pedras e subiu, com a sua boina verde na cabeça. Tive medo que minha linha de redacçãoção – o nó – que pensei enquanto narrador duplo tivesse perdido todo o carácter criativo com o aparecimento de Dante que parava a meio do entulho para observar o Douro. Decidi narrar apenas o que via, e assim fica aqui o que vi: Dante aproximou-se de Sifiso ajudou-o a tirar uma das pedras que ele se preparava para por no chão. &lt;br /&gt;Dante Disse: Meu filho, vamo-nos sentar em cima dessa pedra, não existem castigos tomados pelos deuses, porque não há deuses, tão pouco tu és um deus. Larga o teu trabalho e senta-te aqui comigo, vês li aquelas paredes que se dobram, dobram-se só por efeitos físicos e nem deus nem outra figura pode condenar ou dobrar, porque não existem. Talvez a estrela do norte nos indique, mas também ela muda de rota, tudo é movimento e transformação última e primeira. Não transportes mais pedras nem portas, pois esse trabalho é inútil, limita-te a receber o fundo de desemprego e escreve ensaios de critica literária que um dia hão de te ajudar a ti e à tua família. Acaba o teu chá verde com limão e come este eclair que te trouxe. Não existem mitos nem alegorias e nisto devemos estar de acordo, entra comigo neste café e continuamos a nossa conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais vi Dante nem Sisifo, apenas soube meses depois de um ensaio seu que apareceu no jornal de letras, com que conhecimentos Sisifo o publicou lá não sei, aqui fica ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elementos de Modernidade líquida em "Ecrã" de Rober Diaz &lt;br /&gt;O elemento virtual está presente em todo este texto e funde-se com o sensorial. O conceito de modernidade líquida, onde se diluem estilos, formas e conteúdos, está bem vivo e presente neste texto através duma dicotomia entre matéria e virtualidade, acentuada por uma linguagem forte e ausente de qualquer simbolismo. Em Rober Diaz o símbolo é o próprio objecto. Ele não deixa de aparecer, mas assume aqui elementos de hiper-realidade, de uma simbologia ao contrário em que as imagens valem pelo que são, (retirando assim qualquer força ao abstraccionismo e à interpretação).&lt;br /&gt;São vários os elementos inovadores presentes em “Ecrã”. A força da imagem assume aqui proporções imensas em que o sensorial se funde ao virtual, como uma outra forma de sentir, uma forma estranha de sentir: “De ti quisiera música lijera / tocarte la garganta profunda / con mi lengua de pixeles”&lt;br /&gt;O elemento luz / cor / sabor / textura / fundem-se obtendo-se uma unidade sensitiva discrepante em que os opostos são já a mesma coisa: la luz VS. la luz mia e luz CONTRA luz&lt;br /&gt;A nível formal o texto é um campo de grande experimentação em que a pausa é suave e conseguida não só através da pontuação, mas também do uso da maiúscula realçando a força das imagens. A criação de palavras está presente, como o caso de “ FALSIFICACASENSACIÓN” ou o uso do travessão que reformula a palavra ódio, com a repetição / recriação do conceito que aqui é levado ao limite.&lt;br /&gt;A imagem conseguida através da força do sublime continua em versos seguintes:&lt;br /&gt;“Estupidez absorbente, /hambre de hoyo negro / trágame en una calda / suave y/ par-si-mo-nio-sa-men-te”. O contraste líquido e absorvente procura sempre a fusão entre vários elementos. O tema é social – A questão da arte e dos seus estilos, a catalogação: a modernidade é líquida, é instante e é mudança, não é preciso muito para a atingir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abre los ojos/ es la modernidad&lt;br /&gt;cierra los ojos/ es la pos-modernidad&lt;br /&gt;háblale/ que ahí está la entidad metafísica&lt;br /&gt;cállate/ que ahí está la plasticidad laica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que poema histórico, o poema é social e doce. “A impressão alia-se à sensação numa racional e inteligente linguagem de contras entre a grande velocidade e a paralisia, ou o movimento de ecrã lento, num jogo de escalas temporal mas também físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Soy el ecrã SUPERSLOW”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“De ti quisiera danza &amp; confusión&lt;br /&gt;para activar los censores contra incendios,&lt;br /&gt;delatarme como un televisor de bulbos&lt;br /&gt;en esta alter-modernidad de fast- track”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito poético é aqui a mudança, não se acredita que seja um homem, embora só possa ser um homem (Alguém que se perde em colapsos nervosos no meio de um filme pornográfico) A imagem de alguém inserido na teia virtual (mundo da imaginação, do vazio, do que não há) é aqui potencializada.&lt;br /&gt;É potenciada a forma do mundo virtual (o das trevas: o não-lugar) de uma era desconhecida em que a modernidade se assume flutuante e ambígua. Este texto não está assim arredado de elementos meta-literários.&lt;br /&gt;O homem na sua impotência face ao ecrã, numa impotência radioactiva, impotência, impotência. O ecrã como lugar de recepção/ recolha passiva de representações – mas também lugar de criação onde o sujeito poético se perde, questionando as concepções de modernidade como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ecrã &lt;br /&gt;De ti quisiera música lijera&lt;br /&gt;tocarte la garganta profunda &lt;br /&gt;con mi lengua de pixeles&lt;br /&gt;sentir las sustancias móviles&lt;br /&gt;como la rabia&lt;br /&gt;antes que su olor se pierda&lt;br /&gt;entre tus gritos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saber cual es el sabor&lt;br /&gt;dulce o amargo&lt;br /&gt;de tu visión sensacionalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tú ojo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;la luz VS. la luz mía&lt;br /&gt;esplendor simultáneo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luz CONTRA luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tú deslumbrante&lt;br /&gt;comienzo, TÙ&lt;br /&gt;hiel coagulada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FALSIFICACASENSACIÓN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que aparece&lt;br /&gt;y se esfuma en una interferencia&lt;br /&gt;de placeres&lt;br /&gt;en una antena oxidada&lt;br /&gt;mi yo irradiado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;YO,&lt;br /&gt;abarcado por tu señal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;odio, o-dio, o-di-o&lt;br /&gt;te,&lt;br /&gt;odio-te, o-dio- te, o-di-o-te,&lt;br /&gt;¿ porqué nunca para tu queja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupidez absorbente,&lt;br /&gt;hambre de hoyo negro&lt;br /&gt;trágame en una calda&lt;br /&gt;suave y&lt;br /&gt;par-si-mo-nio-sa-men-te&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hazme la noche,&lt;br /&gt;en una operación binaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abre los ojos/ es la modernidad&lt;br /&gt;cierra los ojos/ es la pos-modernidad&lt;br /&gt;háblale/ que ahí está la entidad metafísica&lt;br /&gt;cállate/ que ahí está la plasticidad laica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hazme sentir&lt;br /&gt;el carbono 14&lt;br /&gt;que vive de historias&lt;br /&gt;mal contadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ti quisiera danza &amp; confusión&lt;br /&gt;para activar los censores contra incendios,&lt;br /&gt;delatarme como un televisor de bulbos&lt;br /&gt;en esta alter-modernidad de fast- track&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soy el ecrã SUPER SLOW&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acércate a la pantalla&lt;br /&gt;ve&lt;br /&gt;los rastros más insignificantes&lt;br /&gt;de mi catástrofe&lt;br /&gt;multimedia&lt;br /&gt;en horario estelar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;los más pequeños detalles&lt;br /&gt;de mi colapso&lt;br /&gt;cibernético&lt;br /&gt;en un canal pornográfico,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;las huellas más imperceptibles&lt;br /&gt;de mi crisis&lt;br /&gt;nerval…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rober Diaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Sísifo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2669108667727114408?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2669108667727114408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2669108667727114408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2669108667727114408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2669108667727114408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2011/01/alegoria-de-sisifo.html' title='Alegoria de Sisifo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3255393189203113393</id><published>2010-12-22T16:22:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T16:23:44.458-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Elegia Nuclear</title><content type='html'>Elegia Nuclear&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus olhos são um duplo-poço onde mergulho e nado,&lt;br /&gt; tal como o sol afundo-me neles, nasci antes da criação da rede,&lt;br /&gt; quando os vários faxes das redacções dos jornais europeus emitiam um ´&lt;br /&gt;barulho ancestral para comunicar a explosão de um reactor, o sol mergulha nos  teus olhos, a terra quente aquece os teus pés, perco-me em ti, &lt;br /&gt;nos teus olhos que vejo de uma perspectiva múltipla, irmã da memória e da sedução,&lt;br /&gt; ver tudo ter fome de ver, virar páginas com força, o vento? O bater de uma porta? Os homens por trás dela. Atiraste os dados e saiu a vida, e atiraste os dados e saiu a Vida: Adoro-te, o mesmo pode ser dito em outros dialectos, em outras linguagens, no som dos golfinhos, no acasalamento das baleias, nos sons submarinos de um Mahler que procura uma ametista – Mahler está no céu, Papini está no céu, Bataille está no céu, seja ele bem fundo ou bem elevado, a obra perdura, não se podem apagar as riscas, a melhor forma de conservar um passado indesejado fora do alcance, é criar um passado com riscas mais claras, nada se apaga, tudo se reconstrói, cria, traça, fala por cima, e isto já foi dito – o miliagre não é uma laranja ser redonda, o milagre é as laranjas já serem esféricas, um paralítico, escorre-lhe azeite negro pelos beiços volta a cair no prato ou na babete, ou nas bordas das paredes do Universo, várias cores, resta-me a sinceridade e a saliva de todo o mundo, tenho sede de uma perspectiva múltipla, beijo-te o colo, os braços, as ancas, duas línguas entrelaçadas desde o fim da Etrúria, um abraço pré-hispânico em tudo moderno e contemporâneo da tempestade, repito-me, salto de textos para outros, escrevi sempre um mesmo texto, porque escolhes sempre motivos tão obsessivos, estrela contra estrela – na auto-estrada. Os braços apertados num abraço quente, a febre siamesa dos que aquecem, os braços entrelaçados num abraço quente, tudo o que aquece e acende, é múltiplo esse aquecer, mergulho e nada no duplo-poço, tal como Milton amo tudo quanto fluí e tenho pressa muita pressa de dizer tudo, de ficar com o palato preso numa única sílaba DAP DAH DAP DAH – Atravesso-te a bruços o peito, as ancas, a nuca, lambo-te as orelhas, e apareceu o Fernando Chinês, quer comprar haxixe, o Fernando Chinês com os seus olhitos em bico: Fomos de táxi ao Aleixo e na cave escura cheia de seringas no chão sentimo-nos como se tivéssemos inalado a Austrália toda, uma Austrália fluida e volátil, com um espelho no seu centro a reflectir cangurus e deserto vermelho para todas as direcções, a cada aspiração parecia que fumávamos não só um continente, mas a febre de todas as siamesas, os sonhos de todos os sósias, os cangurus dentro dos pulmões de vidro, os cangurus a reescreverem a história, expirámos, sentimos todos os nervos seguros, ele lê-me as cartas, diz-me que como escritor sou repetitivo e obsessivo. Tenho muitas imagens como a câmara escura, absorvo a luz do sol para tirar uma imagem perfeita, como se de uma grande angular, o acelarador de partículas está no meu pulso esquerdo, no meu pulso direito a tempestade, conto o minutos pelo tempo que o soro demora a entrar, um litro inteiro nas veias, tempo &lt;á deriva, tempo que se inscreve em aulas de dança de salão, com muitos braços, ele dança bem, duma ponta à outra da Austrália, há um duplo túnel que se bifurca várias vezes, nesses nós encontram-se homens que consertam relógios e meninos que tocam carrilhões suíços, no metro as pessoas passam depressa, os carrilhões continuam a tocar, um ou outro anjo passa também, com os seus dentes cariados à procura de uma sensação de um todo. Aqueço-me à escala humana, a mais perigosa e maior, deserto líquido a entrar por ti dentro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3255393189203113393?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3255393189203113393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3255393189203113393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3255393189203113393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3255393189203113393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/12/elegia-nuclear.html' title='Elegia Nuclear'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-4075945487972309435</id><published>2010-10-30T04:43:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T04:44:09.919-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Miguel de Unamuno: Névoa</title><content type='html'>Miguel de Unamuno disse sobre “Dom Quixote de la Mancha” que as duas personagens fulcrais, Dom Quixote e o seu escudeiro Sancho eram mais reais que o próprio Cervantes; com esta afirmação pode-se perceber tudo o que está implícito em “Névoa”: a novela tem trinta e três capítulos e um anexo final “Oração fúnebre em forma de epílogo”, para além disso dispõe de um prólogo, um pós-prólogo e um “prólogo à terceira edição, ou seja, a história de Névoa”: a novela é assim nada mais do que um pós-prólogo de Miguel de Unamuno, como autor da obra.&lt;br /&gt;Logo no primeiro capítulo, Augusto, homem solteiro que vive dos seus rendimentos e a personagem principal da novela, sai de casa sem uma direcção definida. Logo vê passar uma mulher muito atraente, segue-a, repara que os seus olhos são muito sexys e cheios de vida; Segue-a até casa. Afasta-se um pouco e mal esta entra, mete conversa com a criada que está à porta, dá-lhe algum dinheiro em troca de informações, logo fica a saber que ela se chama Eugénia e é professora de piano. Nos dias seguintes volta a segui-la com a mesma obsessão. Uma das vezes em que passa pela sua casa, vê que de uma das varandas cai uma gaiola com um periquito, apanha a gaiola, não perdendo a oportunidade de poder entrar assim em casa de Eugénia; é recebido pela tia de Eugénia que logo lhe agradece muito e convida-o a entrar para a sala, logo aparece Eugénia, a tia apresenta-o como o salvador do periquito, mas ela trata-o com desinteresse e desprezo. Logo sai. O desprezo de Eugénia acende em Augusto um desejo ainda maior. Considera que até aí viveu numa névoa, e os olhos dela tinham-no despertado para o mundo. Acende-se nele uma enorme vontade de viver e de se aproximar de Eugénia. Escreve-lhe um bilhete que entrega à governanta. Fica a saber que ela tem um noivo o que o desanima mas não o faz baixar os braços: Apresenta-se novamente em sua casa onde é bem acolhido pelos seus tios. A tia intercede junto de Eugénia a favor de Augusto. Alertando-a para o desemprego de Maurício, o seu noivo, que considera mandrião e alertando-a para as boas qualidades de Augusto. Este percebe pelas conversas com a tia de Eugénia que esta tem uma casa hipotecada por dividas familiares, e que para recuperar a hipoteca tem de dar lições de piano embora não goste minimamente de música.&lt;br /&gt;Augusto liquida a divida e refere isso aos tios. A casa deixa de estar hipotecada. Eugénia em vez de ficar contente, dirige-se a casa de Augusto insultando-o e tratando-o com desprezo, afirmando que este a queria comprar com a liquidação da dívida e que isso era uma forma baixa de conquistar uma mulher. Volta para junto de Maurício e convence-o a arranjar emprego para que se possam casar o mais cedo possível. Não aceita a oferta de Augusto e trata-o com desprezo. Mas a incapacidade de estar com Eugénia desperta os seus impulsos e desejos em relação ao sexo oposto, até aí adormecidos. Refere a Victor, o seu melhor amigo, que desde que vira Eugénia todas as mulheres lhe parecem belas. Aqui Unamuno influencia-se verdadeiramente por Dom Quixote e o seu estado de paixão por Dulcinea. Nota-se em “Névoa” que a influência de Cervantes é bem visível em Unamuno, admirador extremo da obra e vida cervantina. Augusto que até aí vivia numa névoa com os desejos amorosos inibidos e auto-reprimidos, logo se sente atraído pela engomadeira de sua casa, Rosário, a quem tenta convencer a fazer uma viagem. Rosário também se apaixona. Eis que surge o eixo central da novela, extremamente bem arquitectada por Unamuno. Eugénia procura Augusto, dizendo-lhe que tudo tinha sido um erro, aceitava a oferta gentil que ele lhe tinha feito e que gostaria de casar com ele, mantendo sempre o respeito. Seria um casamento por conveniência e isso é dito logo a Augusto, isto não o inibe de aceitar o pedido. Augusto passa a visitá-la com mais frequência ansioso pelo casamento. Eugénia sugere-lhe que com as suas influências arranje um emprego para Maurício, mas um emprego bem longe, para ele não os voltar a encomendar. Augusto consegue um trabalho para ele, bem longe na província. Logo é recebido por ele, que agradece a Augusto a oferta generosa de um posto de trabalho. Deseja boa sorte ao futuro casal, e diz que se apaixonou por Rosário, que vai viver com ela no campo. Augusto desabafa com o seu amigo Vítor, e as conversas com Vítor são o eixo central da novela, a espinha dorsal de toda a construção do texto.&lt;br /&gt; Augusto recebe poucos dias depois uma carta de Eugénia, a dizer que tinha ido para o campo viver com Maurício, acabando a carta desejando-lhe boa sorte, agradecendo o emprego de Maurício e dizendo que Rosário voltaria para a cidade. A partir daqui todo o mundo de Augusto desaba. Vai ter com Vítor, que acaba de ser pai tardiamente e começara a escrever uma novela. O diálogo que aí tem com Vítor é de uma profundidade humana enorme, vários temas filosóficos são invocados por Unamuno e são referidos pelos dois amigos numa conversa corrosiva e cheia de sarcasmo. Vítor diz-lhe: “Serás apenas um mero espectáculo de ti mesmo” . Tudo isto se passa no capítulo 30, parte do texto em que Unamuno mais leva ao extremo a metafísica de Victor e a intensidade do diáologo – “É a comédia Augusto, é a comédia que representamos diante de nós próprios, o que se chama o foro interno, fazendo ao mesmo tempo de cómicos e de espectadores. E no palco da dor representamos a dor e parece-nos um descontrolo que de repente sintamos vontade de rir. E é quando mais sentimos vontade disso. A dor é uma comédia, uma comédia!” . Os comentários de Vítor são inteligentes e perspicazes, mas azedos para Augusto já muito fragilizado que pergunta: “E se a comédia da dor leva alguém a suicidar-se?”: Pergunta Augusto, “É a comédia do suicídio”refere o amigo agravando o estado de desespero de Augusto. Unamuno tinha já feito ensaios de filosofia e psicologia sobre o tema do suicídio e aproveita em “Névoa” por explorar o tema através da ficção. É neste capítulo que de uma forma subtil e inteligente Victor aconselha o suicídio ao amigo, é neste capítulo que o espírito mais corrosivo da alma humana é explorado de forma inteligentíssima por Unamuno; Augusto sente-se desesperado, no fundo do poço. O Amigo diz-lhe: “Devora-te” já antes tinha dito “ A tua única saída é devorares-te a ti mesmo”, “Queres dizer que me suicide? – Nisso não me quero eu meter, adeus”: Assim Victor despede-se e assim termina o capítulo 30. No capítulo seguinte, Augusto decidido a praticar o suicídio pretende falar com Miguel de Unamuno, é aqui que o autor de “Névoa” entra também como personagem decisiva da sua própria novela. Augusto conhecendo os ensaios de Unamuno sobre o suicídio decide ir até Salamanca encontra-se com o autor que lhe deu vida como personagem: É recebido por este no seu escritório-biblioteca. Aí tenta aconselhar-se perante um dos grandes estudiosos do suicídio até à época, Unamuno diz-lhe que conhece bem a sua vida, porque foi ele quem a criou. Refere que Augusto não passa de uma mera personagem da sua novela. Augusto fica incomodado e diz que mesmo assim, não existindo como pessoa, mas sim como personagem se vai suicidar, mas Unamuno diz não lhe conceder o suicídio, como criador pode fazer da sua personagem tudo aquilo que quiser e não lhe apetece que a sua personagem Augusto, se suicide. Augusto não aceita o capricho do seu criador, e volta-se contra ele. Se não me dás o suicídio, eu mato-te. Unamuno alerta-o para o facto de este não o poder matar e reduz Augusto à sua insignificância de personagem, alguém que não vive por isso também não pode morrer, muito menos matar. Unamuno diz que lhe vai conceder a morte mas de uma outra forma, vai morrer assim que chegar a casa, vai escrever e isso acontecerá. O espírito de Unamuno é aqui extremamente aguçado e todo o capítulo está repleto de referências filosóficas sobre a existência. Augusto não existe, Unamuno não existe – estão perdidos numa névoa. Augusto volta para casa, no comboio reflecte sobre a sua vida como personagem. Chegando a casa é acolhido pelos seus criados que o vêm branco, extremamente pálido, Augusto pede que lhe sirvam a ceia e come, come desesperadamente “como logo existo”pensa para si, não se conformando com a sua existência como mera personagem. Alguém que se queria suicidar e que assim que Uniamuno diz que o vai matar, apenas deseja viver “quero viver viver viver” Diz para Unamuno, o seu criador. Aqui o novelo tecido por Unamuno sobre o suicídio como fenómeno é brilhante – alguém que ainda há pouco queria morrer, quando sabe que isso vai acontecer, desiste e apenas quer viver – É de uma perspicácia enorme e muito nítida a reflexão que Unamuno faz sobre o desejo do suicido. Personagem e criador encontram-se, recheando no seu diálogo todo o capítulo 31 de um nível dramático delirante. Augusto morre em sua casa, talvez por comer compulsivamente pressentido a morte: “A morte do meu amo foi um suicídio, apenas um suicídio” diz o criado depois de ver o corpo morto de Augusto.&lt;br /&gt; Aqui regressamos ao início, Unamuno considera Dom Quixote e Sancho Pança mais reais do que Cervantes, e em névoa cobre a narrativa de uma extrema discussão filosófica e de paradoxos: sobre existência/inexistência; Vida/Morte; Vígilia/Sono; Real/Irreal. Com uma inteligência acima do seu tempo e uma criatividade aguçada Unamuno alicerça no trama da sua névoa, toda a sua filosofia. &lt;br /&gt; A tensão é evidente em toda a novela; Victor, o amigo confidente de Augusto, é quem escreve o prólogo à obra. Há assim uma confidência notória entre Unamuno e uma personagem da novela – Unamuno pede a uma das personagens da ficção que escreva o prólogo da obra, e aquilo que Unamuno relata é um pós-prólogo – Toda esta ligação entre sonho e realidade – Vida e ficção é arquitectada por Unamuno de forma a que Névoa deiche muitas portas em aberto a futuras interpretações: Névoa é uma novela mas também um pós-prólogo onde ficção e realidade se mistura; Unamuno como narrador e escritor é também personagem, personagem confidente de Vítor que aconselha o suicido a Augusto. Não deixa de ser sublime que assim se atinja um efeito de ficção suprema, ficção levada ao limite, às bordas da realidade. O que é névoa? O que é desejo? O que é realidade e o que é sonho? O efeito meta-literário está bem patente na parte final em que Augusto discute com o seu criador qual é o seu papel na vida ou na novela. Vítor diz a Augusto que está a escrever um romance, e depois explica-se melhor, não é um romance nem uma novela, é uma “nivola”, face à curiosidade de Augusto em saber o que é uma “nivola”, Vítor explica que é um texto narrativo em que as personagens ganham vida, um texto em que abundam os diálogos e se discute tudo até tudo não ser nada. É este o efeito que “Névoa” dá, a construção de um texto dentro de outro texto, fenómeno que mais tarde inspiraria em muito autores como Borges ou Enrique-Vila Matas. Névoa lança os alicerces de uma ficção nova, uma ficção que se interroga enquanto tal, reinventando e revitalizando todo o papel da narrativa. Névoa é um exercício de uma habilidade/coerência/ perspicácia narrativa enorme e nele Unamuno leva o exercício ao limite do seu próprio estilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-4075945487972309435?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/4075945487972309435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=4075945487972309435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4075945487972309435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4075945487972309435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/10/miguel-de-unamuno-nevoa.html' title='Miguel de Unamuno: Névoa'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1030655727589216946</id><published>2010-10-25T01:13:00.001-07:00</published><updated>2010-10-25T01:13:42.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Ode que ferve</title><content type='html'>Ode que ferve&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários comboios se descarrilam dentro do meu peito, várzea&lt;br /&gt;à noite com muitos pirilampos acesos:&lt;br /&gt;fervem e cruzam-se todas as linhas -&lt;br /&gt;uma pirâmide de olhares cruzados em fogo,&lt;br /&gt; muitas rotundas, auto-estradas, viadutos,&lt;br /&gt;linhas de metro, passa estridente um comboio a alta velocidade, bebo toda a cidade&lt;br /&gt;e caio rotundo para o chão -&lt;br /&gt;sinto o suor de todos, o doce espasmo de uma jovem etrusca e todo o&lt;br /&gt;Sol a incendiar-te o sorriso: fizemos um pacto com ele, com a vida com o futuro (Comboio estranho que derrete) fizemos um pacto com tudo que fluí, as linhas entrelaçaram-se, sinto a tua pulsação no meu peito e beijo-te os pulsos, a ansiedade nervosa da cidade, o doce espasmo das borboletas e a &lt;br /&gt;Contracção de cada recém-nascido que parte –&lt;br /&gt;A febre recheia a cidade –&lt;br /&gt;O peito cheio de praças e cidades inteiras por dentro, viadutos túneis, contigo em cada esquina, dentro de cada café – com o pôr-do-sol dentro dos pulsos – a injectar o sol líquido no peito, não há mais caminho para trás – tenho a tua sede de futuro, são seis e vinte da manhã e a cidade acorda e adormece ao mesmo tempo – Sinto o calor de todos os que aquecem – A cidade a subir-me pela espinha dorsal, como uma nuvem branca, quando te abraço faço um pacto com a Vida&lt;br /&gt;A cidade chama por nós e faz nós dentro de nós, tudo flui a uma velocidade frenética e todos os poetas futuristas, italianos, russos, franceses, portugueses, espanhóis levantam a cortina pesada da noite à velocidade do dia –  enchem os teus olhos de sol – bebo por eles toda a cidade, todos eles sabem quanto te amo (cidade industrial, ceroulas, pastor alemão, civilização assustada, seringas e preservativos no chão, cave com vários fundos húmidos) a boca cheia de vidros – lambo-te o peito, os pulsos, os dentes, a língua (uma abelha na auto-estrada) o relógio de sol funciona à noite – se formos rápidos e seguirmos o dia – quando se patina sobre gelo fino a velocidade é a única salvação – e aqui cito todos os que não disseram a frase porque a sabem e sabem que o tempo corre – Sinto todo o desconforto dos cães à toa antes de serem atropelados&lt;br /&gt;estou nas mãos dos fabricantes de carros que atropelam os cães, nas mãos dos operários, nos muros contra os quais urinam, os operários com as suas mãos – com a linha da vida a arder até ao pulso, e no fim do dia as mesmas mãos com a linha da vida a arder, ou várias linhas que se cruzam, a segurar o pulso da mulher, a acordá-la, a segurar o pulso de todas as mulheres dos operários – preciso tanto de calor – sou a sede, a raiva, o medo, a Vontade líquida de estar dentro de ti, sou líquido e fervo por ti dentro, amo os teus olhos a tua boca os teus dentes os teus pulsos os teus medos as tuas inseguranças as tuas dúvidas, os teus tornozelos, a tua saliva, a tua língua, os teus olhos, a tua boca, os teus dentes, amo os teus braços, as tuas mãos, braços, pernas, pés, e atravesso a peito a tua nuca quente, o teu peito a nado, sou líquido – vejo pelos teus olhos – todos – beijo-te os tornozelos, se penso em escrever um poema sobre o fogo lembro-me da bombeira voluntária de vinte e um anos que morreu a combater os fogos deste Verão – continuamos a subir – são 6:35 da manhã e a cidade acorda por ti adentro&lt;br /&gt;Vejo por trás de ti&lt;br /&gt;Por trás de nós&lt;br /&gt;Por dentro de nós,&lt;br /&gt;a cidade acorda: o sol dos teus olhos a injectar-me no peito uma Vontade Nova – Em tudo Nova – Amo tudo o que ferve&lt;br /&gt;a noite láctea que te atravessa o peito de Calor&lt;br /&gt;Ode que ferve e liga pelo skype,&lt;br /&gt;nado por ti adentro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1030655727589216946?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1030655727589216946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1030655727589216946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1030655727589216946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1030655727589216946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/10/ode-que-ferve.html' title='Ode que ferve'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2000662124325926577</id><published>2010-10-05T00:53:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T00:54:32.113-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Dizia-se em Oachaca</title><content type='html'>Falava-se em Oachaca da tua sede e de uma menina que injectou petróleo no peito – Cristalizou da sua boca um líquido em fogo a formar-se no canto do lábio em ponto de açúcar, em ponto de sol e fuga e conjunto de limões e conjunto de homens que acedem os faróis: e descia da sua boca, pela casa, pelo chão, descendo as escadas, descendo o passeio, descendo a montanha, e pela montanha abaixo descia um sol líquido adocicado pela memória de todos – toda a memória do mundo a descer como um degelo solar pela montanha abaixo, todas as montanhas abaixo: À beira do mar pensava-se que o Vesúvio tinha irrompido; Todos saíam para os seus trabalhos e acendiam todos os faróis vermelhos que anunciam a nova era e os faroleiros entravam com uma mensagem nova, e as mulheres dos faroleiros iam aos faróis levarem um tuparware com sopa e trazer a roupa suja para levar, e sacavam a roupa suja e voltavam a levar a roupa suja. E faziam amor com eles no cimo de todos os faróis. E da montanha descia a memória em direcção ao mar, em ponto de sol, em ponto de fuga adocicada: Fizemos um pacto com a vida e com tudo quanto flui. A santa injectou petróleo e cristalizou da sua boca um fio que caía ardente – Todo o sol, carregado de sal e doçura a entrar na veia de cada heroinómano, de todos os amantes… Iam para perto dos faróis: às seis e trinta: por baixo da ponte da Arrábida um carro estacionado com dois amantes, os vidros embaciados. Depois ele abre o vidro e acende um cigarro de haxixe, o vento do mar entra-lhe no carro e bate fresco e quente ao mesmo tempo na cara dos dois. Ela baixa-se, encosta-se contra o peito dele. Sente-lhe o coração. Leve e seguro. Ele passa-lhe suavemente as mãos pelos cabelos. Beija-lhe as orelhas. A menina em directo para a CNN a injectar leite condensado no peito para afastar todas as nuvens que são rios inteiros em forma de vapor a flutuarem. Não era o quê? Dizia-se o quê? Em Oachaca. Falava-se de febre e limões, de beijos na boca que podem não acabar, de línguas entrelaçadas, de mãos dadas, de mergulhos no mar. Falava-se de Pedro Abellardo e Heloísa, de Mariana Alcoforado e de Alejandra Pizarnik.&lt;br /&gt;Diziam as raparigas de cabelo curto, com a boca cheia de cerejas negras, que o sol podia um dia não vir. Os Atlantas esperam-no, fazem um pacto com ele, nós com a vida. Créme de la créme pela montanha abaixo. O padre de Hiroshima a apanhar o sol no fundo da montanha. O padre de Hiroshima a meter um bocado na boca. A beber o degelo: a apanhar as sombras do chão. A prendê-las com molas no estendal - E o padre de Hiroshima, como a mulher dos faroleiros e dos cortadores de carne,, a estender também a sombra dos cogumelos e dos prédios que derreteram para o chão e a sombra dos lírios e dos corvos e a pegar fogo com o seu esqueiro, às sombras  das girafas, de todos os homens, animais, plantas e coisas: Adora, como todos a palavra “húmido”e o seu deus não é palavra e não se escreve por palavras e não sabe ler nem escrever. E ler nem escrever ajuda a encontrá-lo e ler e escrever não é nenhum deus: Dizia-se em Oachaca que o sol viria sempre e isso chegava aos homens que levavam os seus burros pela manhã nos caminhos de Oachaca. Passava um carro, um camião, os dois amantes por baixo da ponte Arrábida. Vão à bomba de gasolina comprar tabaco e cerveja em lata. Voltam para o carro abraçados. Dizia-se em Oachaca que o sol lhes ia entrar no peito: Dizia-se em Oachaca que nós somos todos os outros. Uma roleta russa de mel, para diabéticos enquanto descem flocos de neve para dentro das bocas negras. Um nevão que cobre África. Falava-se em Oachaca da minha vontade de te abraçar. Falava-se de um derrame, na artéria do coração, um derrame de petróleo doce e branco como o leite condensado ou o leite gordo das baleias. Um petróleo injectável: Falava-se disso em Oachaca enquanto todos os carros passavam para o trabalho. Falava-se com febre e as mãos a tremer, outras vezes com calma e com a ajuda do mezcal e tequilla. A sombra dos lírios violava a sombra dos homens. E a febre dos homens entrava nas mulheres: Dizia-se tudo isso em métrica sáfica e escrevia-se nas paredes dos cafés, das casas, das escolas e de todos os edifícios públicos, o quanto te Adoro. O Padre de Oachaca ouvia e secava as sombras e secava os rios e esvaziava os mares com o seu balde de plástico: um trabalho como o de Sisifo. De cada vez que se contém o choro os rios sobem mais um pouco. Falava-se em Oachaca da febre dos búzios, de pernas entrelaçadas, de braços entrelaçados, de estrelas entrelaçadas. As mulheres dos pasteleiros acordavam a meio da noite, com as suas meias de lã grossa, para virem abrir a porta à estrela que com todas as suas pontas batia em cada porta, e entrava dentro das casas: Uma estrela feita de solidariedade, que cresce quando as pessoas se abraçam, que é só febre, sensação e calor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2000662124325926577?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2000662124325926577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2000662124325926577' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2000662124325926577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2000662124325926577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/10/dizia-se-em-oachaca.html' title='Dizia-se em Oachaca'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5576624164614554257</id><published>2010-05-30T09:00:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T09:01:25.817-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Musgo que dá Vida</title><content type='html'>………………………………………………………………………………………….&lt;br /&gt;Foram dar banho a Patrícia (1) , mesmo assim não descobriram o seu sexo, desinfectam os seus eczemas, cortaram-lhe o cabelo. Puseram-lhe uma fita azul no cabelo curto, limpara as crostas de sangue nas curvas das orelhas, subia um bocado pelas fontes, a febre de Ana, anestesiada pelos calmantes. Fumou um cigarro no jardim do Hospital Psiquiátrico. Ficou sentada muito tempo Num banco de mármore, à sombra de um carvalho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não-lhe descobriram o sexo outras enfermeiras: Mas era Patricia, um ser humano múltiplo: Todos nós – No fundo de um lago dois sósias jogavam pólo aquático -  estavam sempre empatados. O jogo demorou muito tempo; Patrícia disse que tinha um lago na cabeça. Apagou o cigarro que o médico calcou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é vertical, não se vê mas é no entanto táctil e a maior conquista da Ciência Física ao serviço da Alma: O jogo continuava empatado, dentro da cabeça humana; com duas toucas roxas, o mesmo homem de sexo indefinido jogava contra si próprio e viva num empate do Fundo. &lt;br /&gt;Gostava de ser uma mulher:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dar banho à Patrícia e não lhe descobriram o sexo. Cronos cortou os testículos ao seu pai Úrano e atirou os testículos ensanguentado para o meio do mar. O sangue do sexo no contacto com o sal do mar, gerou uma espuma, pelo sémen de um titã do céu fazer humor com a terra. E da espuma, julga-se que no Atlântico formou-se uma mulher que emergiu: Patrícia foi criada da espuma, Afrodite foi criada da espuma: E Cronos passou a passear pelo lago. E a Patrícia nunca falava do tempo. Um relógio de alta precisão japonês: Era do seu pai: Patrícia meteu-o entre as mamas – O relógio de prata fria entre as mamas: E Cronos mergulhou no lago e ficou a observar os dois jogadores que eram o mesmo, com duas toucas diferentes: às roxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do casamento com Afrodite e Hermes, seu filho, nasceu uma criança de sexo indefinido: Patrícia – A hermafrodita que esquece. E nisto vejo a cidade de cima, vejo sempre a cidade de cima e sei onde eles estão: todos os filhos do sangue de Úrano: O planeta era hermafrodita e os pólos vão se unir: Noite e dia, sono e vigília, realidade e ficção, morte e vida, sonho e racionalidade, homem e mulher; espírito e carne (nunca pensei que o espírito fosse assim tão Carnal). A Fusão será única -  a Patrícia vai mergulhar dentro do mesmo lago e sair para a rua para beber. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta não pára: o ciclo não se fecha e renova e isso prova-o o coração de Patrícia a bater no peito: coordenado com o batimento cardíaco do seu coração, com o relógio frio entre as mamas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Cronos passeia-se nas margens, com os pés no musgo, a fazer o tempo avançar dentro de Patrícia: Só há tempo se houver movimento de um ser. E A deslocação de um ser provoca da deslocação no espaço: na boca, na terra –Patrícia riu-se (como se deslocasse as margens de todos os rios sem dar conta: um riso contagiante. Caminhámos um bocado pelos jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparece a Memória, a musa mais percersa, no seu bikini vermelho: E Cronos fixa excitado, completamente excitado, e para controlar a ansiedade e diminuir a tensão ordena aos deuses que hajam erupções em vulcões de todo o mundo: para acalmar a libido, os vulcões vêem-se em chamas por todos os cantos, todas as ilhas gregas, toda a Ásia Menor, toda a futura América Latina: Mas a memória é atraente e tudo quer. E Cronos não consegue controlar a erecção, e sai-lhe líquido pré—seminal como o de algumas flores gordurosas. E a Cronos só apetece fazer amor com tudo, fazem amor com tudo e consigo próprio, possuía a memória nas margens frescas do lago de Patrícia. E Cronos puxa a memória e dá-lhe um beijo no pescoço e depois no cabelo; a memória não se vira: Cronos não consegue acalmar a libido e quer possuir a memória de todos os homens, e comprar uma casa perto do lago de Patrícia, e ter os olhos magnéticos que tudo bebem, todas as memórias líquidas (as de todos) e mergulhar no fundo do lago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a memória que tudo Absorve compulsivamente chupa de baixo de água o sexo de Cronos, e os vulcões continuam-se a vir , aliviando-se a si e ao planeta: A memória chupa, e o sexo incha de prazer, o farol evangelista dá o sinal, os vulcões param, e Cronos vem-se dentro da boca da memória, e ela que tudo engole freneticamente, absorve algum do seu sémen e outro cospe na água esverdeado: os dois sósias espiam, E A mancha que bóia é o esquecimento e a anestesia. E os sósias vêm cá cima cima como dois peixes famintos e engolem o esperma esverdeado e adormecem abraçados no fundo do lago; Patrícia acende outro cigarro. A Memória volta a aparecer com o seu bikini, e repete-se o sexo oral subaquático, dos quais os dois homens que são o mesmo  se anestesiam: e nos quais ficam viciados. E quando a Memória não vem ou vem mais tarde, os sósias ficam de ressaca, e tremem no fundo do lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fazem amor por séculos na água quente do lago de Patrícia, enquanto os dois sósias espreitam no fundo: E o tempo, (toda a motivação só por o ser, é já movimento e acção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia faz amor com a música horizontal (de onde vêm o prazer, a vida, a morte)&lt;br /&gt;Patrícia faz amor com a vida horizontal e vem-se sozinha, no seu sexo indefinido, um orgasmo para cima do bolo (Tinha sido fundada por um Ministério, uma Associação que tivesse subsídios para se juntarem e comerem o bolo da Ana, com o leite branco e espesso de um orgasmo de dois sexos. E essa associação reunia-se num palácio com vista para o lago, grandes varandas, com cinzeiros grandes e sumos de laranjas e rissóis: E viam a Ana a afazer amor com tudo o que é horizontal, a Vida, a Música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci a Ana, levavalhe leite. Tentei que ela fosse comigo ao cabeleireiro, ao médico. Os seus eczemas preocupavam-me. Depois do leite bebia cerveja e vinho com outro sem abrigo ao lado Pingo Doce. Levei-a comigo mais tarde para o Hospital Psiquiátrico: Ela falou-me de um lago. Onde dois sósias jogavam Pólo-Aquático e estavam empatados e *as vezes lutavam e outras vezes faziam sexo dentro das balizasou no meio do campo.. Falou-me que o erro é a única forma de salvação e contou-me a origem do nome sexo e do nome sector. Os seus olhos pareciam de um magnetismo de âmbar, luminoso, um pôr do sol dentro da cabeça a iluminar de dourado o lago: Os seus olhos eram de cor nenhuma: mas extremamente Vitais. Do outro lado do lago outros olhos magnéticos, a chuparem a vida toda para si. Como se pelos olhos lhes entrasse todo o Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus criuou um único ser e colocou-o no planeta, um ser de sexo indefinido; Zeus achou-o feio e tosco e a precisar de companhia. Mandou que o fossem buscar e dividiu em dois;  sectarizando, partindo, tornando um ser em dois. O homem ees mulher, cabia-lhes agora a eles serem deuses e eliminar essa secção e criarem eles próprios como deuses. E aproximarem-se na forma e em tudo numa fusão contínua. Patrícia levantou-se a sombra começava a desaparecer e fomos para outro banco, ofereci-lhe  um cigarro à e ela continuou.: Riu-se “ A sombra dos lírios masturba a sombra dos homens”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos um século febril – Disse-me –Já leu Julian Artl? – Respondi que não – O nosso século precisa que a tecnologia se alie ao mais profundo da alma – A tecnologia ser só alma, ( o seu maior instrumento): Preciso de um abraço – Disse-me. Abraçámo-nos durante muito tempo. Eram por volta das seis da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de mergulhar no mais fundo do humano: os seus olhos magnéticos, reflectiam o sol: Precisamos ser todos os outros, aprender com todos, mergulhar dentro dlees, nos seus olhos nas suas nucas, nadar dentro de cada ser humano, Lê-lo e ser também ele: Como se fosse morfina, o sémen de Cronos ( o que tudo faz mover) ou outra poderosa anestesia – o contrário de sentir que a memória cuspia, da cor na morfina para a água quente que e, que logo atraía o mesmo homem, que em dois corpos diferentes, nadava à superfície para com as suas duas para anestesia: Como o sémen  liberto do tempo, fosse metadona: O esquecimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos a falar durante mais meia hora e tive de regressar ao consultório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A mesma referida em "Delírio Húngaro"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5576624164614554257?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5576624164614554257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5576624164614554257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5576624164614554257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5576624164614554257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/musgo-que-da-vida.html' title='Musgo que dá Vida'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-105554381591474843</id><published>2010-05-27T04:42:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T04:43:23.241-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Cerejas do fundo*</title><content type='html'>Uma rapariga comia cerejas, descalça na praia, e as ondas vinham e levavam os caroços. E no fundo do mar os caroços davam cerejeiras. E no cimo, com os pés molhados e salgados a rapariga comia cerejas numa praia perto de Nagasaky. Um cogumelo de fogo e fumo formou-se no ar e o mar contraiu-se com as cerejeiras no fundo. E a sombra da rapariga continuou a comer a sombra das cerejas: E as sombras dos pára-quedistas descem, fluorescentes no ritmo sobre a tarde roxa: e a sombra roxa recheia de susto os pescadores, todos eles com ametistas nos bolsos.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt; Mais tarde Mina cantaria Nagasaky Blues.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-105554381591474843?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/105554381591474843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=105554381591474843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/105554381591474843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/105554381591474843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/cerejas-do-fundo.html' title='Cerejas do fundo*'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2748892059540135419</id><published>2010-05-27T04:33:00.001-07:00</published><updated>2010-05-27T04:33:50.785-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Os que levam</title><content type='html'>……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando uma língua de mármore entra no Aleixo, por entre as nuvens, e leva uma criança: Se a língua quiser leva duas crianças, se lhe der vontade a língua tira três ou quatro grupos de crianças aos seus pais e desaparece. Os pais vão à Segurança Social e a língua não devolve as crianças: E os pais pedem à língua uma segunda oportunidade; que vão tratar da vida, ter rendimentos: A língua recolhe-se para dentro do edifício burocrata e volta sem trazer nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2748892059540135419?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2748892059540135419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2748892059540135419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2748892059540135419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2748892059540135419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/os-que-levam.html' title='Os que levam'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3333177837226015182</id><published>2010-05-27T03:52:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T03:54:45.528-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>As Paliças</title><content type='html'>Estava sentado numa taberna perto dos Clérigos, quando me chamou a atenção a conversa que dois homens tinham à porta enquanto fumavam: ÓH Paliça! – A Paliça que vi pelo vidro cheio de publicidade à Sumol, fez-lhes um sinal obsceno e continuou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um deles disse: Esta, se lhe pagarmos uma bola de Berlim ela chupa-nos durante uma hora. A desdentada anda cheia de fome. Parece uma cadela: – Os outros riram-se. A paliça continuou com o cabelo curto e branco, cheia de eczemas na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mais tarde ao entrar em casa, vi descer pela rua a Paliça, meti conversa com ela; vinha com uma saca com um frasco de metadona e alguns pêssegoa, explicou-me que o seu filho lhe pediu para deixar em casa o frasco, e comia um pão ressesso, que os poucos e frágeis dentes da Paliça iam trincando como um ratinho, mastigando muito tempo para os amolecer com saliva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A Paliça pediu-me um euro – Eu dei um euro à Paliça e ela deu-me um beijo com a cara cheia de batom de uma loja dos trezentos. Convidou-me a ir a casa dela. Tinha muito gosto que conhecesse asua casa. Falou-me do filho de uma forma vaga. Que estava na prisão a cumprir sete anos, e amanhã ia a Custóisas e lhe ia levar Pêssegos e cerejas e uma caixa de bombons, pediu-me mais um euro, enquanto subíamos. Percebi que a metadona não era para o filho. A Paliça tinha-se habituado a comprar no cimo da rua a um vizinho. Porque o filho estava a ser perseguido por dívidas e não podia ir ao CAT e um dos vizinhos, antigo frequentador do CAT que voltava a recair na heroína, ia todos os dias ao centro para a comprar, e fazia o tráfico dos frascos. A Paliça ia comprar para o filho quando ele estava ainda em casa. Depois ele foi apanhado a vender e foi para Custóias; e a Paliça ia comprar metadona para si. Traficava o seu corpo, e isto não era violento nem atroz, era simplesmente natural; E pensei que nenhum aforismo de Cioran se podia adaptar à vida da Paliça e que nenhum outro aforismo produzido pela humanidade se podia jamais adaptar a uma situação vivida pelo homem. Comemos pêssegos na cozinha. A Paliça parecia-me muito com uma figura que tinha visto no museu da cera em Fátima, quando era criança: uma figura anónima, que num conjunto de outras estátuas tapavam com os seus braços de cera, a luz que irradiava do sol e da aparição mariana. Cera incrédula que se convertia ao milagre. A Paliça disse para eu descontrair no sofá. Imaginei que não queria que a Paliça me chupasse, isso seria sexo oral feito entre duas estátuas de cera, isso assustou-me: Escultura que soube anos mais tarde, tinha sido feita por um artista plástico dinamarquês. Falei-lhe que era escritor e a Paliça, tal como Julian Artl e DJ Kant aconselhou-me a não escrever. Fui comprar fruta e bombons para a Paliça levar ao filho e fui para São Bento apanhar um comboio aleatório. A viagem que comprei acabava perto. Regressei várias vezes ao Porto e visitava com frequência a casa da Paliça, víamos no sofá os programas da manhã, os concursos da tarde, as telenovelas da noite, e outra vez os concursos que ficavam entre as telenovelas e os concursos. A Paliça tinha o comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3333177837226015182?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3333177837226015182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3333177837226015182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3333177837226015182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3333177837226015182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/as-palicas.html' title='As Paliças'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-6653681693661456508</id><published>2010-05-26T09:42:00.001-07:00</published><updated>2010-05-26T15:53:35.465-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Kant</title><content type='html'>Vieram de longe para ver Santa Teresa de Ávila a espumar petróleo, óleo sobre tela, de grandes dimensões pintado pelo DJ Kant, o mesmo que Julian Artl considerava o único crítico literário digno do nosso século febril: O mesmo que era incapaz de ler um livro porque os seus dedos lhe tremiam e porque estava sempre com um cigarro na mão (não podia folhear). Contavam-lhe histórias. Da exposição fazia parte também um conjunto de retábulos que Kant pintou para a sua primeira exposição nos arredores de Berlim: “Uma Sagrada Família com o reactor de Chernobyl ao fundo”, ao lado de Uma imagem de Cristo e São João Baptista na Segurança Social”, E uma de “Soror Inês de La Cruz a ser possuída analmente por um cavalo”. O último painel era uma Última Ceia, num jardim, os apóstolos sentados por baixo dos guarda-sóis comiam lírios, que estavam nos pratos e nas travessas: Pedro comia um lírio, Simão comia um lírio, Judas e Paulo também comiam lírios e Jesus descascava a parte branca enquanto trincava a parte laranja, de uma forma que alguns críticos acharam obscena e outros críticos acharam extremamente sensual. A exposição foi bem acolhida pelas revistas de crítica de Arte e ao contrário do que se esperava, passou praticamente desatenta às críticas das Associações católicas. O prior de uma Igreja de Roma comprou os retábulos, para possuir pinturas sagradas de novos valores emergentes da pintura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Artl era um dos convidados para a exposição, escreveu-me depois de Berlim, falando de cada um dos quadros e da admiração que nutria por Kant. Disse-me que Kant o aconselhou a nunca mais escrever, enquanto não conhecesse a fundo a natureza humana. Artl disse-me que ia seguir o conselho: Perguntou-me se seria possível enviar-me por mail o catálogo com as imagens de Kant, e se havia alguma hipótese das imagens serem scanizadas em folha de gelatina. Eu disse-lhe que o cão já estava morto, ou quase morto, porque há muito tempo que não se levantava do tapete, tinha apenas espasmos de vez em quando, nos primeiros dias: Agora nem isso: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está morto com estômago recheado com os seus últimos contos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-6653681693661456508?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/6653681693661456508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=6653681693661456508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6653681693661456508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6653681693661456508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/kant.html' title='Kant'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2908494588864045680</id><published>2010-05-26T09:40:00.001-07:00</published><updated>2010-05-26T15:50:51.314-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Três contos sobre Lírios</title><content type='html'>&lt;em&gt;“A Literatura é um pacto com o absurdo…”&lt;/em&gt;Rober Diaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura é o que fica quando tudo o resto é esquecido: Contra esta premissa Julian Artl cozinhou as doze folhas de gelatina onde tinha três dos seus últimos contos. O cão andava na cozinha. Vi no seu prato de comida misturada com um pedaço de ração uma folha de gelatina crua que o cão se tinha recusado a comer; estava endurecida, e dizia a marcador: A cultura é tudo o que deve ser esquecido: Julian foi ao prato do cão e pôs esta folha na panela onde já coziam outras, juntou dois xanax esmigalhados e açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da gelatina estar pronta o cão comeu-a e ficou a dormir. Ele sentou-se na sala comigo e contou-me a sinopse dos três contos: um deles passava-se na Antiga Grécia e uma rapariga com uma fita azul na cabeça “masturbava um lírio” e depois disse: o lírio ficou viciado nisso, e esperava a rapariga, que umas vezes aparecia e outras vezes não; e o lírio começou a murchar: o segundo tratava de um escritor que tinha ganho uma bolsa de criação literária na Islândia e conseguiu, junto do consulado, autorização para visitar o vulcão em erupção, apresentando um projecto de criação inovador que tinha permitido ao júri pressionar as autoridades civis para o autorizarem como o único membro externo à protecção civil e aos bombeiros a visitar a ilha. Foi de barco e conseguiu junto dos comandantes autorização para subir ao vulcão com o seu último romance e um lírio; atirou o lírio para dentro do vulcão, depois atirou o seu último romance, em fases de provas e exemplar único a aguardar publicação – Depois atirou-se a ele próprio para dentro do vulcão. O terceiro conto tratava de uma rapariga que em 1945 vivia perto de uma aldeia de Nagasaki e tinha por costume masturbar os lírios: um dia saiu de casa e viu um cogumelo de fogo a elevar-se no ar, e viu as sombras espalharem-se pelos campos e no lugar dos lírios havia a sombra dos lírios: Ela meteu uma fita verde no cabelo, e tirou as cuecas por baixo das saias. Sentou-se no chão e esperou. O quarto conto era sobre um homossexual não assumido que entrou numa sex-shop de Roma, perto da estação de Octaviano para comprar um dildo. Tocou à campainha e a porta abriu-se automaticamente; Desceu uma escada onde estava um indiano ao balcão a falar com outro indiano que via num monitor extractos de um filme porno, alguns clientes estavam a ver os dvd’s. Dirigiu-se à secção dos dildos, escolheu um e foi pagar. O indiano olhou para ele de forma perversa; começou a persegui-lo nos dias seguintes. Não me contou o fim da história (que o cão tinha comido – folhas de gelatina gravadas com marcador vermelho cozidas com xanax e rum) O cão dormia, com os quatro contos dentro de si, e isso não lhe provocava qualquer reacção: apenas uma dependência pela medicação e o álcool que o fazia seguir com atenção todos os gestos de Artl quando este escrevia ou estava na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tudo isto Julian Artl contava-me enquanto fumava um cigarro e dizia que em pouco tempo ia para Berlim, onde o esperava Kant, o DJ Kant, eu disse que não conhecia o DJ Kant, ele disse-me que era um homem de uma inteligência fora do comum que nunca tinha lido um livro no mundo mas que era o único crítico capaz em todo este início de século. Disse que não lhe ia levar os contos, porque os contos tinham sido comidos pelo cão que continuava a dormir. Mas que queria falar com DJ Kant sobre literatura: Fui levá-lo dois dias depois ao aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2908494588864045680?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2908494588864045680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2908494588864045680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2908494588864045680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2908494588864045680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/quatro-contos-sobre-lirios.html' title='Três contos sobre Lírios'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8584025370538333580</id><published>2010-05-26T04:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T15:42:29.691-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Linha</title><content type='html'>……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um sósia negro que atendeu do outro lado da linha: Já tinha ouvido falar dos sósias extra-continentais que viviam com feições e traços expressivos iguais a homens de outros continentes, apenas com as naturais distinções de raça (palavra obscura). No Dicionário Britânico Universal havia uma entrada para este tipo de sósias, que tem no fim uma extensa bibliografia e lista de célebres sósias inter-continentais. &lt;br /&gt;Do outro lado da linha ouviu a sua própria voz, a penas com um sotaque mais carregado do centro de África, um sósia dos PALOP, que rapidamente identificou consigo próprio. Era a linha de apoio ao suicídio, e a pastilha cor de rosa encontrava-se em frente na mesa, ao lado cinzeiro cheio e de um copo de whisky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Falou ao sósia, da sua vontade de cometer um nascimento oposto, e contou-lhe a sua história de desempregado. De antigo funcionário nos serviços de apoio ao suicídio da Direcção Geral de Saúde – Agora falava com um colega seu, que lhe parecia inexperiente e que era ele próprio numa versão negra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Conteve as lágrimas ao falar do último relacionamento; da queda no álcool, do tempo na faculdade de Psicologia, dos conturbados anos do Mestrado. O negro não dizia nada: Sendo ele próprio que falava do outro lado da linha, sabia já a história completa e não deu nenhuma espécie de conselho, não aconselhou a psicoterapia, não passou a chamada a outro especialista, não perguntou antecedentes, o médico que o seguia, não mostrou interesse em saber quais os fármacos psiquiátricos que estava a tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio manteve-se durante muito tempo entre o mesmo homem de um lado e do outro da linha, que se tornava enferrujada, comunicação tornava-se impossível e muito negra; Porque eram a mesma pessoa, inteiradas do mesmo caso clínico, o silêncio prolongou-se – Pegou no copo de whisky e na pastilha cor de rosa, acendeu outro cigarro e ouviu o isqueiro acender-se do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8584025370538333580?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8584025370538333580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8584025370538333580' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8584025370538333580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8584025370538333580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/foi-um-sosia-negro.html' title='Linha'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-4908300957219445730</id><published>2010-05-24T06:47:00.000-07:00</published><updated>2010-05-24T06:48:14.990-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Mascarada</title><content type='html'>Mascarada&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou ir mascarada à festa - Descobriu no espelho da sala que já estava mascarada; não percebeu de quê. Descalçou-se como as outras raparigas de cabelo curto para ir à festa. A cara fugia-lhe para um estranho ângulo, não era bem cara; Observou-se em campo/ contra campo – Não a ela – Mas às outras. Não era cara o que tinha; Descalçou-se e escreveu três poemas em métrica sáfica: “A Expiação de Pizarnik”, “Pathos de Mariana Alcoforado” e “A Tentação de Berlim”. Fez um bolo com muito chantilly para levar à festa. Parecia que voltava a ter cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa Noite sonhou que caminhava pelo gelo de um dos pólos, e estava cheia de febre, e era muito grande, anormalmente grande, e os seus pés quentes faziam derreter a neve,  e esse degelo criava pequenas lagoas e rios que desciam pela Escandinávia e depois pela Europa toda, e conseguia ver, pelo seu tamanho anormal a Europa toda, os fabricantes de cerveja em Munique, os semeadores de trigo da Sicília, os apostadores da bolsa de Amesterdão: alguns atirando-se de janelas por perderem tudo num mesmo dia. Os pescadores que pescavam no Báltico, os transportadores de sal, os camionistas a entrarem em França e a saírem de França, os leiteiros de todo o continente a levarem as bilhas a casa das pessoas, os guardas de todos os faróis da Europa a ouvirem rádios mal sintonizados, os pastores a percorreram com os seus rebanhos vários trilhos, os paquistaneses a venderem guarda-chuvas e flores em todas as metrópoles da Europa.&lt;br /&gt;E a neve estava um pouco vermelha, como se depois da neve tivessem chovido morangos, e ela calcava a neve e os morangos que no contacto com o seu corpo quente faziam rios vermelhos que desciam das montanhas. Olhava o mar, agora no seu tamanho normal e apareceu uma ninfa com a boca negra de petróleo, vinha do golfo do México onde no seu fundo Neptuno ficava imobilizado, com os músculos presos e cristalizados pelo petróleo gordo. E lembrou-se que o petróleo era antes de o ser, sangue de animais vivos como os dinossauros e de árvores vivas fossilizadas, coisas com vida, que agora davam vida, pensou na revitalização do planeta, e na morte como a grande ficção. A ninfa com a sua língua negra abraçou-a, e deram um linguado que demorou muito tempo, a sua língua estava também negra e o petróleo colou as duas línguas que ficaram presas e entrelaçadas: Mas isso não provocava pânico, era sangue de animais vivos, agora fossilizado, aquilo que permitia agora os carros dos bombeiros apagarem os fogos e fazer os aviões voarem: os dinossauros permitiram o voo aos homens. Isto fez rir as duas. Entraram no mar pensando-se uma única coisa. Escorria-lhes do sexo um leite adocicado enquanto o linguado continuava, e as línguas continuavam entrelaçadas e presas, tal como os braços, os da ninfa gordurosos de petróleo colavam-se aos seus como resina e eram uma só coisa, sentadas de joelhos em frente ao mar, à espera que a maré subisse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-4908300957219445730?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/4908300957219445730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=4908300957219445730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4908300957219445730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/4908300957219445730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/mascarada.html' title='Mascarada'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3242204829887371377</id><published>2010-05-19T07:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-19T07:09:17.891-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Coisas que servem para ver mais longe</title><content type='html'>…………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei que Santo Agostinho emergia de uma piscina de etanol, a mesma do nosso colégio. Tinha uma touca às riscas, a mesma que usávamos nas competições de natação. O Santo olhava para mim com uns binóculos antigos, notou a minha erecção, que fazia nos calções justos um chumaço torto. A minha boca sabia ainda lixívia doce. O Bispo de Hipona voltou a mergulhar com os binóculos como se procurasse no fundo da piscina uma relíquia da cruz de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha da piscina em direcção aos balneários, todos os outros estavam a jogar futebol, no balneário estava o monge, sentado e nu, apenas com uma toalha azul-marinho pelas pernas, que lhe escondia o sexo, a toalha tinha uma ânfora dourada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse que eu era um bom rapaz e convidou-me a sentar ao lado dele, enquanto se ia esfregando, senti aumentar o estampado da toalha, uma ânfora em fio dourado erguia-se com a erecção do monge, parecia triste. Senti necessidade de lhe dizer qualquer coisa, que cantava bem por exemplo, que tinha sido com ele que tinha aprendido a decorar e solfejar os salmos mais belos dos livros antigos. Ele sabia a minha paixão por hagiografias e sobretudo do meu interesse pela obra de Santo Agostinho, e muitas vezes pedia ao monge bibliotecário para me deixar ficar mais tempo com os volumes da “A Cidade de Deus” que eu lia muito devagar, tirando algumas citações do Santo para o meu caderno porque não os podia sublinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A toalha estava quente, o monge guiava a minha mão para cima e para baixo, tive vergonha de olhar para ele. Tirou a toalha e vi o seu sexo erecto, guiou-me a mão até ao sexo e voltou-me a falar dos binóculos, que tinham sido do seu avô, e falava-me de “A Cidade de Deus”. Corrigiu-me a postura da mão, depois disse – um bocado mais depressa – Os binóculos são bons – Eu disse que aquilo era porco e podia aparecer alguém. Ele disse que não e voltou a falar dos binóculos. Eu adorava ter aquele livro, por isso, quando me pôs a mão na cabeça e ma baixou devagarinho, não me atrevi a negar. &lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei nos binóculos e na edição nova da “A Cidade de Deus”. Pediu só que eu tocasse na toalha, na parte da ânfora, a que estava mais levantada, eu toquei, e ele pôs a mão por cima da minha, e disse – Faz assim devagar – Eu disse que aquilo era porco e não se devia fazer – Ele não respondeu e começou a contar a história da nossa Instituição, dizia que se lembrava de cor da cara de todos os meninos abandonados que passaram nesta casa, meninos que cresceram e têm agora um futuro pela frente podíamos ter nesta Santa Casa um abrigo, uma esperança e um futuro. Falou-me de um menino que era agora deputado e de um outro professor Universitário em Inglaterra. Enquanto eu continuava no ritmo regular, ajudado pela sua mão, que corrigia por vezes os meus movimentos, fazendo acelerar ou abrandar a intensidade do gesto contou-me que foi ele que pressionou o director a montar a piscina e o pequeno ginásio, porque é bom para nós e para os monges fazer-mos desporto, e o campo de terra batida só dava para os jogos de atletismo, a ginástica e o futebol quando não chovia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meti a boca e chupei, tentando pensar nas imagens de um livro de milagres ilustrado que tinha no meu quarto. Segurou-me na cabeça, e pediu que continuasse, esquecendo-se de falar. O sexo ficava cada vez mais duro, e ele pediu para eu continuar até que grunhiu e a minha boca encheu-se de um jacto quente. Ele disse que depois passava no meu quarto e foi tomar banho.&lt;br /&gt;Fui lavar a boca, o esperma quente estava-me nas covas dos dentes, no fundo e debaixo da língua, algum nas amígdalas, e durante vários dias parecia que tudo o que comia no refeitório me sabia a lixívia adocicada.&lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monge boiava numa piscina de etanol, Depois voltou à superfície com uma touca igual às riscas, e Santo Agostinho ficou lá em baixo durante muito tempo. Depois o monge grunhiu de prazer, o mesmo som que tinha feito comigo, imaginei a mancha de esperma a boiar no fundo da piscina. Os espermatozóides em dança eléctrica, nadando uns bruços imperfeitos: procurando um útero, que lhes garantisse a sobrevivência, inexistente na piscina do Etanol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;No sonho tive medo que pensassem que a mancha branca na piscina fosse minha, de fazer coisas porcas na piscina e sai a correr para o pátio. Entrei na igreja e rezei em frente ao altar de Santa Helena. No etanol a mancha, por um efeito químico, tornava-se fluorescente, como se fosse uma mensagem que o colégio devia acolher. &lt;br /&gt; À noite voltei à piscina para me certificar se a mancha ainda lá estava, procurando o intervalo em que o funcionário do ginásio estava a fumar um cigarro.&lt;br /&gt; Da água escura voltou a emergir Santo Agostinho com a sua touca às riscas, trazia na mão um pedaço de madeira e um espinho. Saiu da água e deu-me as relíquias para a mão, ainda com os binóculos ao peito. A minha boca ainda sabia a lixívia doce, e o arroz na cantina sabia a lixívia doce, e os rissóis pareciam ser de lixívia doce. Embrulhei as relíquias na minha toalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3242204829887371377?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3242204829887371377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3242204829887371377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3242204829887371377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3242204829887371377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/coisas-que-servem-para-ver-mais-longe.html' title='Coisas que servem para ver mais longe'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3629244636548595092</id><published>2010-05-15T13:47:00.000-07:00</published><updated>2010-05-15T16:57:03.456-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Créme de la créme</title><content type='html'>………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O mar é aquela coisa bela,&lt;br /&gt;     Azul e profunda onde os homens se afogam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;       Anónimo Português século XXI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou o tempo que demoram as ametistas a chegar ao fundo do mar, &lt;br /&gt;Sou só uma pessoa que quer mergulhar em todos os olhos e não sair, uma ametista&lt;br /&gt;Ansiosa que as pessoas se abracem; e ser também esse abraço para que as estrelas se venham, e que os olhos tristes da minha amiga nevem&lt;br /&gt;Ando pelas ruas à espera que dois olhos me violem o metaplasma, Acendam a espinha;&lt;br /&gt;Adoro lamber lágrimas e caras inteiras, as pequenas estrias e nódoas negras que Bernini esculpiu nos tornozelos da estátua A Verdade, são iguais às dos teus tornozelos, estrias, veias finas e azuladas, nódoas negras, hematonas, nas pernas / na pedra / bem torneados de um veio de mármore    um pouco mais azulado&lt;br /&gt;O amor é como carne&lt;br /&gt;sabe a mar e a limão, a parte de trás das orelhas – disseste&lt;br /&gt;Que as estrelas-do-mar são virtualmente eternas, porque são só pontas e sensação,&lt;br /&gt;e quando uma ponta é cortada dá origem a uma estrela nova, e isso pode demorar séculos, inquisições, guerras mundiais, guerras nucleares, holocaustos africanos, eclipses totais do sol,&lt;br /&gt;As estrelas-do-mar são virtualmente eternas&lt;br /&gt;se me  pedem para escrever um texto de cariz social, lembro-me da imagem do  Rodas, a ingerir os pacotes de coca e heroína, poucos segundos antes da polícia aparecer no início da rua e de alguém lhe assobiar,  vinte minutos depois de ser revistado a ir à banca beber água quente e azeite, e meter os dedos dentro da boca para vomitar - Tudo antes que os sacos rebentem: Na esquadra, diz-me o Rodas, levam alguns que não têm produto nos bolsos, ou enfiado nas meias para o hospital, &lt;br /&gt;E no hospital metem-nos o caga-rápido, e descobrem as embalagens – Já esteve preso seis meses, mas as coisas correm bem, mesmo com duas noites seguidas que passou na esquadra, e depois olha-me febril, a dizer que tem de sair da cidade, no dia anterior à visita do Papa, noite em que não é seguro vender, porque anda muita polícia na rua, e pensa sair, ir para o sul onde tem família. E lembro-me do discurso sobre a dignidade do homem de Giovanni Pico della Mirandola, e da responsabilidade total do homem de Jean Paul Sartre, e isso dá-me vontade de rir, e de ser abraçado pelo Sol, e dar Vida, nos braços, de um beco escuro ao lado da rua Mouzinho, dois injectam o sol líquido nos braços e tombam para a frente, e o sol aparece mais acima carregado de um esperma, gerado em chamas pela vitalidade e loucura dos homens: que lhe permite brilhar, num cio de estrela dependente de emoções&lt;br /&gt;***********************************************************************&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;atravesso a nado os teus braços, as tuas pernas,  a tua nuca, a parte de trás das orelhas sujas de café, de uma lambidela suja: por ti, (e vemos de todos os olhos) – O que foi visto e se há-de  ver: abraço-te a mim, num corpo único que há- de rebentar recheado de sol, sinto o teu corpo pelas minhas mãos, pelos teus olhos vejo entrarem todos os mares, e acenderem¬-te de desejo e resignação, como se uma orquestra que tocasse Mahler fosse enviada para Neptuno, os músicos unidos por fios dourados, coisas que ligam – pessoas a pessoas – tudo se acende à minha volta, assobiam do fundo da rua, o Rodas corre. A travesti canta para nós. A orquestra faz o planeta vir-se, e uma chuva de néon cai sobre a terra, da Eurásia à Austrália. Atiramo-nos para uma piscina, e no fundo, descobrimos uma galeria subaquática, que se bifurcava por baixo do solo: saíamos na região do medo, como se saíssemos na estação de Montparnasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrou-me um livro – Eu escrevi um livro sobre a droga – Corrigiu: Eu ditei para um escritor a minha experiência com a droga, Rodas! Rodas! – O Rodas chegou do quarto – Sabes onde está o livro sobre a droga que ajudei o escritor a escrever? – Está aí naquela gaveta – O Rodas foi à gaveta e tirou de lá um livro com a capa de um cor-de-laranja muito carregado e mostrou-me: &lt;br /&gt;O título era “Como evitar a droga?” – A capa estava geometricamente cortada em cima, faltava um bom bocado – O Rodas disse que tinha sido para fazer uns filtros – Abri ao acaso e surgiu-me uma página marcada com uma prata queimada na página 120, não decorei a que capítulo pertencia. O Rodas ligou a aparelhagem e acendeu um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuámos pelas galerias que a piscina nos oferecia, encontramos Cronos de calções, dois semideuses sem os dentes da frente nadavam em sentido contrário como Neptunos.  Mais à frente descia o nível das águas, e passámos a caminhar no lodo, apareceu um guia da América central com um microfone preso ao pescoço, guiou-nos pelo Inferno com a sua voz de sopinha de massas – Em que círculo estamos? – Perguntei ao meu amigo, que era uma puma, e outras vezes uma mulher – Não estamos em nenhum círculo – Estamos por baixo da casa onde mora o Rodas: E mais à frente ali os ratos – Não são ratos, são homens que desceram na condição social – Disse o guia – A pirâmide, está a ver, aqui vemos pirâmides, pensamos em triângulos, vemo-los por todos os lados, ainda não somos capazes de assumir a natureza humana, sem hierarquias verticais – Mas o planeta é uma linha horizontal da qual o homem se aproxima na sua subida. Assim, não são ratos, são homens: Vivem como ratos mas são homens. Pedi um cigarro ao meu guia e ele falou-me de um homem sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;Qualquer rato tem a sua mãe, e as mães dos ratos vão visitá-los à prisão e as namoradas dos ratos vão à prisão e fazem sexo com os ratos, e levam os filhos mais tarde para que os ratos vejam os seus filhos – E os ratos olham-se ao espelho – ansiosos por descobrir os mais Fundos Limites humanos e não vêm o espelho, vêm só um homem que são eles, obrigados a ter dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     ****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O homem sábio era David Foster Wallace, disse-me o guia, que como qualquer homem é sábio: E isto deu-me vontade de rir, e não sei porquê imaginei os músicos ainda  ligados por fios dourados em Neptuno a tocarem agora Bethoven – e lembrei-me da palavra “húmido” como adoro a palavra “húmido” como adoro tudo o que está húmido no corpo humano – como amo – tal como Milton – Tudo quanto fluí – e senti-me escorregar pelas galerias sem rumo e sem escolha do caminho entrando por umas saindo por outras auxiliado pela música:&lt;br /&gt; A forma mais evoluída de literatura – David Foster Wallace escreveu em “raparigas de cabelos estranhos” uma pequena história sobre um grupo de amigos que vão assistir a um concerto de jazz, na segunda parte do espectáculo, dois deles saem (um deles é a personagem principal do conto) E o outro rapaz que tinha tomado LSD antes do concerto diz à personagem principal: De onde advém a tua felicidade natural? --- Se me explicares de onde advêm a tua felicidade natural deixo-te esporrar para cima de mim e da minha namorada – No conto a personagem principal sente-se embaraçada com a pergunta mas começa a responder, são cinco páginas completas a resposta dele, uma resposta insegura que não convence o outro que lhe diz – Falas-te muito, mas não me disseste de onde provêm a tua felicidade natural. A personagem principal sente-se derrotado na capacidade de diálogo, mas tenta uma última tentativa: Se eu te der 1000 dólares deixas-me ir com a tua namorada? – O amigo aceita. O conto acaba pouco depois, ficando em aberto essa hipótese que o fim da narrativa não permite saber se se concretiza.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************* *************************&lt;br /&gt;   As estrelas do mar são virtualmente eternas&lt;br /&gt;   As medusas são virtualmente eternas &lt;br /&gt;(Porque não têm sistema central, não pensam, sobretudo não reflectem, são só nervos e sensação, ponta e electricidade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capa estava geometricamente cortada em cima, faltava um bom bocado – O Rodas disse que tinha sido para fazer uns filtros – Abri ao acaso e surgiu-me uma página marcada com uma prata queimada na página 120, não decorei a que capítulo pertencia. O Rodas ligou a aparelhagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3629244636548595092?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3629244636548595092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3629244636548595092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3629244636548595092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3629244636548595092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/05/creme-de-la-creme.html' title='Créme de la créme'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8926323272940106329</id><published>2010-04-27T16:09:00.001-07:00</published><updated>2010-04-27T16:09:55.939-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Ensaio sobre a cara</title><content type='html'>.....................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Conseguiram-lhe anular a expressão, vidrar o pulso: manter o cabelo na cor original -  injectar na sua cara, características de todos os homens vivos, a expressão era viva, mas anulada, a sua cara era multiforme: a de todas as pessoas, mas ninguém a conseguiria descrever. Quem a olhasse de frente morria, e aí, no centro experimental de Dallas, todos os matemáticos, químicos e médicos conseguiram recriar o mito de Medusa, e torná-lo real e prático, uma mulher pronta a entrar em acções de resgate. Alterada geneticamente para que a sua cara matasse, se calhar foi sempre a cara que matou - descrevia Kluge , em "Ensaios sobre a Cara" baseado em estudos anteriores e multidisciplinares que tinham sido publicados na Universidade de Hamburgo no início dos anos oitenta: "História da Cara" publicação em três volumes de difusão rara, recentemente digitalizada embora em língua alemã na Biblioteca Digital da Universidade. Só alguns poucos estudantes de sociologia ou antropologia alemães a citavam em frases curtas nas suas teses de mestrado. &lt;br /&gt; E a mulher que chamaram "Maria" para dificultar a interpretação, em guerra, de um mito pagão, foi conduzida de helicóptero até outra base e depois acompanhou os exércitos na primeira invasão do Afeganistão. Ia ser usada apenas em casos de buscas a domicílios, emboscadas de assalto e de salvamento de reféns, em espaços fechados. Entrava primeiro ela; depois as tropas só entravam quando todos os que a tivessem olhado na cara, já estivessem mortos. Uma mulher penitenciária, alterada geneticamente para que o seu olhar e cara toda matasse. Uma Medusa de cara nuclear, mas de viso irreconhecível. As operações mantiveram-se secretas apesar de algumas investigações de jornalistas, logo anuladas. Era legal, a cara da Medusa matar, era legal as armas matarem,  era legal a própria guerra depois das legitimações na cimeira das Lajes. Era sobretudo legal que a cara matasse, porque a cara sempre matou: (muitas vezes por causa dela, muitas vezes ela própria)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Maria sonhou que caminhava para o mar, por um caminho estreito, e várias raparigas de cabelo curto caminhavam também para o mar numa espécie de romaria radioactiva porque o céu estava roxo e todas cantavam e dirigiam-se para o mar que no sonho estava branco, espesso e gorduroso, as ondas criavam-se pequenas porque todo o mar era de um branco gorduroso, como o leite condensado, e as raparigas de cabelo curto aproximaram-se para encheram de mar os ouvidos e com os pés no líquido, enchiam de mar o sexo e lavavam os seios e do mesmo líquido, faziam gel que punham nos cabelos e na cara até ficarem sem cara: Esse era o sonho - Um pescador tinha-lhes avisado que nesse ano as baleias se tinham vindo de mais, de uma forma nunca vista, e as baleias macho produziam esperma em quantidade e havia nesse ano um cio sub-aquático como nunca tinha havido e o esperma em breve encheu todo o mar e tornou-o branco e espesso e gorduroso e quente, e as raparigas vinham para a praia para meterem mar no sexo e nos ouvidos e  para perderem a cara e a identidade: a sua - Para ganharem todas as outras - Todas as outras caras dizia o pescador. Todas tinham uma sugestão doce na boca e sabiam que era também esperma de baleia primitivas, mas ainda vivo e quente, aquilo que corria dentro dos cactos alucinatórios do norte do México. O transe e a alucinação eram naturais e marinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria foi acordada para uma missão, no norte do país, era preciso descobrir um dos maiores plantadores de papoilas do Afeganistão. Um dos maiores transformadores de flores em heroína. As tropas precisavam de alucinação e Maria devia estar com o homem, para que este a olhasse na cara, depois de revelar o local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu depois a Maria, ser violada por vários soldados americanos, que usavam capacetes de espelho que cobriam toda a cara, violadores Perseu, Medusa via vários espelhos - a penetração anal, no sexo, na boca, o sémen a escorrer pelas pernas reflectido num dos capacetes de espelho, e Medusa a ver-se a si própria - cara que mata, e por isso morre. E aqui o autor termina a ficção e relembra que ela, a ficção é a Criadora da realidade. Relembra uma passagem de "Pequenos animais sem expressão" de David Foster Wallace em que um apresentador de um concurso televisivo norte americano, vai ao psicanalista, e lhe conta o sonho que teve na noite anterior - Passava em frente a um restaurante pouco aconselhado num beco escuro - Espreitou por uma pequena janela que dava para a cozinha, e viu um cozinheiro cheio de tédio, e numa sertã que estava ao lume viu a sua própria cara: A ser frita. O cozinheiro esperava. &lt;br /&gt; Há outros casos semelhantes do tratamento da cara na Literatura Ocidental, sobretudo da cara tratada como factor-devir: de Fuga: A cara como perda dela própria - Algo que foge, algo que está em fuga. É o caso de um conto de Papini em que uma das personagens secundárias que vêm falar com Gog é descrito com uma cara triangular.&lt;br /&gt; "A cara em fogo" é tratada por vários autores - O escritor (todos os homens - produtores de comunicação - normalmente com problemas nela própria) precisa de perder a identidade como refere Jean Deleuze - Perder a cara - A identificação - Para ganhar todas as outras. A partir da Baixa Idade Média que na iconografia cristã Deus deixa de ser representado como um indíviduo, uma pessoa (com rasgos de velho, cabelo branco, aspecto de sábio) e a doutrina cristã assume-o como algo incorpóreo. Ao contrário da cara de Cristo, que é procurada ao longo da História por sudários e cuja evolução na iconografia é a própria evolução do Cristianismo enquanto doutrina, que se reforma. O que não tem cara assusta; não existe - Se Deus não a possuí na iconografia é mitificado e visto como simples energia ou simplesmente - tudo quanto fluí. &lt;br /&gt; A cara como espelho da alma é adulterada, entra em rede, é tratada em photoshop e é causa de morte. &lt;br /&gt; Outro caso interessante é o referido no conto - "O crocodilo - relato de duas faces como a moeda do Vaticano" da obra "O Espelho do Túnel" que escrevi no ano passado. A História é verídica e retrata a vida de um homem toxicodependente que numa prisão mexicana, é mandado mutilar por um traficante de droga do interior da penitenciária, porque este não lhe paga. A mutilação a que recorre este traficante, depois de vários avisos é sempre a mesma, ordenar que os seus homens deitem água a ferver por cima do que incumpre o pagamento: Água a ferver no corpo nu, que origina queimaduras de elevado grau em todo o corpo, e a consequente desfiguração - O homem tratado no conto "personagem principal" - Fica com a alcunha na penitenciária de "crocodilo" por ter a pele às manchas. O homem sai da prisão e procura emprego e não o consegue. É encontrado poucos meses depois o seu corpo morto no rio, porque contínua a consumir cocaína e é morto numa tentativa de assalto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ter sido tratada a história da cara, como a história do degelo, uma cara que derrete e se transforma em mar e faz aumentar o nível das águas, que as cidades marítimas temem: Uma cara que cobre toda a Holanda de água quente, ou uma cara que entra pela Basílica de São Marcos em Veneza e depois cobre Veneza toda, e os funcionários camarários apressam-se a retirar a cara incómoda do degelo da sua praça, para que os turistas venham - Tudo é cara e boca e olhos e identificação. Outra possível História da Cara seria ela ser um sol líquido que pinga: E por entre a cara líquida os homens passam nas suas vidas, ou para sul ou para norte, entre o sol líquido que cai entre eles. O cavalo marinho não se pensa a si próprio: a nuvem humaniza. O estado de fusão - de reconhecimento é o único possível - O Amor é perder a cara, e ter a cara do outro, porque se a sente. É comum depois do sexo, os amantes sentirem-se com a cara do outro. E no evoluir da relação são cada vez mais as expressões do outro que o amante adquire. O mesmo se passa com os afectos: A cara como abstracção - Algo a ser transformado, a estar condenado (beneficamente para a fuga - fuga de si próprio). A anulação da interpretação e a vida exclusivamente da sensação. A cara é sensação e recriação / revitalização / Potência - Mas isto apenas quando há relações de afecto. Caso contrário a cara torna-se inexpressiva, sem ânimo (alma) sem cor. E qualquer relação (anula) a identidade para Criar uma nova: Como aparece numa das cenas do filme "Nostalgia" de Tarkovsky, escrito na parede: 1+1 = 1.&lt;br /&gt;...........................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Afeganistão cortam as orelhas às pessoas que ouvem música estrangeira, pode um afegão ouvir toda a discografia do Chico Buarque, de Sonic Youth e Gardel, depois cortam-lhe as orelhas e desenrolam os fios das cassetes e pegam fogo às cassetes e aos fios das cassetes:&lt;br /&gt;  E o homem contínua com memória mas sem conseguir ouvir e ouve para dentro  de si a música que é tão internacional como a saudade ou as formigas. E ouve dentro de si as formigas a caminharem enquanto os exércitos americanos invadem o seu país: Os soldados passam de jipe, com a música muito alta em colunas enormes na parte de trás dos jipes, rock americano e os homens que têm orelhas ficam com ódio aos Estados Unidos. Os homens que não têm orelhas não ficam com ódio a nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8926323272940106329?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8926323272940106329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8926323272940106329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8926323272940106329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8926323272940106329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/04/ensaio-sobre-cara.html' title='Ensaio sobre a cara'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8567410470976437995</id><published>2010-02-15T00:13:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T00:23:06.238-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaio'/><title type='text'>Rosa Maria Martelo: A Porta de Duchamp</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kC_yo7D3I/AAAAAAAAAUc/cIZjsGrJVmQ/s1600-h/a+porta+de+Duchamp.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 199px; height: 299px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kC_yo7D3I/AAAAAAAAAUc/cIZjsGrJVmQ/s400/a+porta+de+Duchamp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438381319975014258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Porta de Duchamp – Rosa Maria Martelo: Averno, Lisboa 2009&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando vivia em Paris, no pequeno apartamento da rua Larrey, nº 11, Duchamp fez instalar dentro de casa uma porta que não podia estar aberta  nem fechada porque estava sempre aberta e fechada ao mesmo tempo” Assim começa “A Porta de Duchamp” de Rosa Maria Martelo, narrativa fragmentada de  17 partes, todas elas com um ponto em comum: as portas como ligação / o que abre / o que fecha - O que mesmo que esteja fechado está aberto. A reflexividade é marcadamente forte neste texto, injectado de uma emotividade sensorial muito acesa e de uma profunda e muito viva perspicácia. Logo no início, as citações iniciais revelam um pouco da narrativa:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Ouvi bater à porta.&lt;br /&gt;Não há porta. Porque haviam de bater à porta que não há?” &lt;br /&gt; Mário Cesariny&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta, e me possa abrir com razão a inteligência do mundo? “&lt;br /&gt; Álvaro de Campos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duchamp, Fernando Pessoa, Cesariny abriram muitas portas, Rosa Maria Martelo também com este livro, sobretudo muitas perspectivas. Trata-se de um livro múltiplo, coerente e vital, sobretudo de grandes revitalizações.&lt;br /&gt;A reflexão sobre a passagem / o abrir caminhos, é muito atenta e inteligente “Uma porta que ele abria quando a fechava (fechada mesmo aberta como, alguém disse acontecer com os livros”: A frase incluí reflexão sobre o fenómeno literário que continua no texto seguinte: “Há quem fale de livros entrados na carne, como agulhas, de venenos incolores descompassando veias” &lt;br /&gt; O elemento – entrada / saída é revisitado em outras partes do livro – Entrar com força, sair com força. A viagem prossegue com outras pequenas histórias interligadas por este factor, A fotografia está presente. A fotografia usada como registo frágil, suporte perene, pode ser uma das múltiplas aberturas / perspectivas e interpretações do texto “Lama”: “O que faz um fotógrafo de nuvens e de estrelas, neste dia de chuva, de temporal desfeito, quase deitado no chão, fotografias espalhadas no meio da lama”. Em “Infância”, há uma Imagem fortíssima de grande carga sensorial mantendo um registo único: “subtrair à passagem das ondas e do tempo pedacinhos de nada, menos que conchas (búzios partidos, por exemplo de que ficara o centro em espiral). Há uma revitalização da infância: portas que se abrem e fecham na memória e são invocadas (abertas / ou fechadas) nunca por completo: “nada pode ser verdadeiramente deste mundo”. Em “Filme” são invocado Gregory Peck, Ingrid Bergman e Hitchcock: “É então que Hitchcock abre porta atrás de porta, naquele movimento contínuo de certos filmes que aceleram a vida das plantas para as vermos nascer e abrir e abri mais, mas não morrer”. É de grande importância o uso da repetição e a pontuação em “folhas nascem e abrem) e abrem) e abrem)” O parêntesis é fechado, mas não aberto – A abertura está na frase. Outros recursos de grande vitalidade criativa são usados na criação de palavras por repetição e hífen, como “porta-porta”: As palavras abrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais poderia ter sido dito de um livro que é uma porta aberta e de um livro que é uma porta fechada (aberta e fechada ao mesmo tempo). É um livro que Abre muitas portas / perspectivas, onde se deve entrar e sair várias vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8567410470976437995?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8567410470976437995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8567410470976437995' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8567410470976437995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8567410470976437995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/rosa-maria-martelo-porta-de-duchamp.html' title='Rosa Maria Martelo: A Porta de Duchamp'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kC_yo7D3I/AAAAAAAAAUc/cIZjsGrJVmQ/s72-c/a+porta+de+Duchamp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-446269502247920850</id><published>2010-02-15T00:11:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T00:23:35.195-08:00</updated><title type='text'>David Foster Wallace</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kCDdfBX5I/AAAAAAAAAUU/fFT9ta3EJWc/s1600-h/david_foster_wallace.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 361px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kCDdfBX5I/AAAAAAAAAUU/fFT9ta3EJWc/s400/david_foster_wallace.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438380283504189330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Rapariga de Cabelos Estranhos – 1989&lt;br /&gt;David Foster Wallace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um livro de contos. Dez no total. Neste ensaio, serão analisados dois dos mais representativos: “Pequenos animais sem expressão” e “A Rapariga de cabelos estranhos” Conto que dá o novo ao livro.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Pequenos animais sem expressão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pequenos animais sem expressão” trata de uma rapariga Julie, personagem principal, irmã de um rapaz autista. São filhos de um casal conturbado. O pai sai de casa e a mãe é uma pessoa visivelmente perturbada, incapaz de prover à educação dos filhos. A educação do rapaz, carente de cuidados especiais é feita por Julie, ainda muito nova. A mãe está ausente. Julie passa a infância sozinha com o rapaz, no mesmo quarto com o mesmo livro. Os amantes que se aproximam da mãe e frequentam a casa, rapidamente se intimidam com a presença do rapaz autista. Julie e o irmão são abandonados pela mãe, em estado de grande fragilidade. O rapaz é internado numa clínica com o auxílio de alguns familiares. Julie faz todo o tipo de trabalhos para sobreviver. Desde pequena que passava a vida a ler obras de carácter geral sobre diversas curiosidades, vida animal, geografia, ciência. Obras para a infância. Julie concorre a um concurso de televisão, baseado em perguntas de cultura geral. Como vence o primeiro, vai no seguinte e volta a vencer. Vence sempre e por isso torna-se popular no mundo da televisão americana. Acerta em todas as perguntas. Entra aqui a capacidade fortemente imagética de David Foster Wallace, cujos cenários de muitos dos seus contos e novelas é o mundo dos bastidores da televisão, sobretudo das grandes produções da televisão americana. Noutros contos deste livro é abordada a questão dos talk shows. Foster Wallace aborda o fenómeno televisivo como uma realidade paralela, construída, mas recheada de caminhos escuros, entre eles a exposição da vida privada, levada ao limite. O oposto entre estes dois mundos é muito bem explorado neste conto. Uma das técnicas de som, Faye, do programa de televisão apaixona-se por Julie e as duas começam a namorar. A técnica de som procura sempre desculpas para o amor lésbico, Julie não procura desculpas. O apresentador do concurso, Alex, figura pública da televisão americana, frequenta um psicanalista, está inconscientemente apaixonado por Julie. Um dos métodos de terapia é a livre associação de palavras. E é neste exercício, que David Foster Wallace se esvai de forma absoluta, o conto possuí muitas livres associações de palavras, sobretudo por parte do apresentador, que vão desde o aforismo a frases de uma intensíssima carga erótica e sensorial. O irmão de Julie vai também um dia ao concurso e acerta em todas as perguntas sobre animais. Julie e o irmão tornam-se populares estrelas de televisão, com a perenidade que isso envolve. Mas as suas relações humanas privadas são exploradas por Foster Wallace até ao cúmulo da emoção. As descrições dos sonhos de Alex são relatos absolutamente geniais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A rapariga de cabelos estranhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conto é um relato na primeira pessoa de um advogado de uma grande empresa e do seu grupo de amigos punk. Todos vão a um concerto de música clássica, e é durante o concerto que se passa toda a acção deste relato. David Foster Wallace retrata uma sociedade de extrema, colocando-se na pessoa (voz, narrador principal) dos estereótipos que mais detesta. A personagem principal considera-se a si própria bonita (orelhas bonitos, cabelo perfeito). Diz para si próprio ser um homem de sucesso com muitos bons amigos. Durante o concerto conhece outros dois rapazes punk que os amigos lhe apresentam. Todos tomam LSD, menos ele. Antes do intervalo sai um pouco para o hall da sala de espectáculos com outro dos seus novos amigos e este pergunta-lhe como é que ele consegue ser tão feliz. E Diz – Se me explicares de onde provém a tua felicidade natural deixo-te ejacular para cima de mim e da minha namorada. Ele foge à pergunta, fala muito, três páginas mas fugindo à questão da facilidade. Acaba por dizer – Não respondi à tua pergunta, mas se te der 10.000 dólares deixas-me ir com a tua namorada. O relato é quase sobrenatural, completamente magnetizado pela presença no concerto de uma rapariga de cabelos muitos estranhos (a descrição não é feita) É apenas referido que são estranhos e isso contagia o grupo dos amigos a quem o LSD bateu forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Foster Wallace consegue levar as descrições ao extremo, as descrições roçam a alucinação e em tudo provocam estados alterados. Falamos de alguém que percebe como ninguém o que é hiper realidade e a leva ao limite. Todos os contos parecem um riso interno e condensado, um Concentrar muito grande de emoções – Não só a partir das descrições extremamente sensoriais, mas também das elipses inteligentes. &lt;br /&gt;Estamos perante alguém de um sensibilidade profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-446269502247920850?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/446269502247920850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=446269502247920850' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/446269502247920850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/446269502247920850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/david-foster-wallace.html' title='David Foster Wallace'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3kCDdfBX5I/AAAAAAAAAUU/fFT9ta3EJWc/s72-c/david_foster_wallace.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2626800716965175934</id><published>2010-02-11T22:26:00.001-08:00</published><updated>2010-02-11T22:26:27.786-08:00</updated><title type='text'>Café Del Greco</title><content type='html'>O mancebo entrou no Café Del Greco e pediu organino à marinheiro e o empregado disse: aqui não servimos música tocada por marinheiro, e também não servimos os marinheiros que tocam música, só servimos pasteis de chaves com muito fermento e cerveja também com muito fermento. O mancebo disse: Quero que as coisas com fermento se fodam!! Foi até à máquina de dar dinheiro, no fundo do café e meteu lá dinheiro e ficou sem o dinheiro porque não há máquinas de dar dinheiro. Pediu um prego no pão e o dono do Café del Greco deu-lhe um prego no pão. O mancebo saiu e foi ver o mar, a lua estava cheia e o mar tinha-se ido embora, depois o mar voltou e o mancebo chamou por um mexicano e o mexicano veio a fumar pela praia, com um passo muito lento. O mancebo e o mexicano sentaram-se na mesma duna e o mar sentou-se também numa duna. O mar pediu lumes ao mancebo e o mancebo disse: Eu não tenho lumes – E o mexicano disse: eu tenho lumes – E o mar começou a arder, e depois calçou umas botas de saltos altos e dançou como um tornado de fogo, e o mexicano disse que o mar era sexy e masturbou-se enquanto o mar dançava – É que dá-me tusa! Fodasse ver o mar dançar – Voltaram ao café del Greco e comeram dois pregos cada um e dois finos cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2626800716965175934?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2626800716965175934/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2626800716965175934' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2626800716965175934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2626800716965175934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/cafe-del-greco.html' title='Café Del Greco'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-6936060187526880046</id><published>2010-02-08T12:54:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T13:01:25.053-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3B6cMC45hI/AAAAAAAAAUE/Robbmh7cBo4/s1600-h/Novas+Teias+1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3B6cMC45hI/AAAAAAAAAUE/Robbmh7cBo4/s400/Novas+Teias+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435979374924457490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-6936060187526880046?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/6936060187526880046/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=6936060187526880046' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6936060187526880046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6936060187526880046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/blog-post_08.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/S3B6cMC45hI/AAAAAAAAAUE/Robbmh7cBo4/s72-c/Novas+Teias+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8577567220339676419</id><published>2010-02-08T06:20:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T06:22:23.470-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Quarta transcrição</title><content type='html'>Pensou ter acabado de assistir a Sunset Boulevard e a Mama Roma, guardando na memória, as imagens fortes que o ecrã LCD transmitia.&lt;br /&gt;Notou, sem que o proprietário o avisasse que não estava na Casa del Cinema, mas numa loja rara e não era para um ecrã que olhava, mas para um aquário com motivos barrocos. Com pequeninas esculturas de Neptuno e ninfas que os peixes riscados contornavam para passar o tempo, escondendo-se atrás do corpo de uma seria de pedra, passando entre as pernas de Neptuno ou de um D. Quixote de pernas compridas e douradas que decorava o fundo aquário. Havia também algumas pontes, o proprietário era coleccionador de coisas que ligam. As pontes em miniatura não ligavam nada, porque estavam no findo do aquário, serviam para alguns pequenos peixes eléctricos descansaram nos tabuleiros inferiores. Réplicas em miniatura da ponte de São Francisco, pontes de Hamburgo, de Paris, muitas de Eiffel. Havia também um Ferrari pequenino já a ficar oxidado e a perder a cor vermelha. Havia também uma réplica do Palácio dos Reis de Granada – Os peixes eléctricos entravam no Alhambra ou no Palácio de Carlos V e descansavam de barriga para o ar nos claustros internos. Uma réplica também das torres gémeas, habitação de um tubarão martelo e pequeninas medusas japonesas que, ao dormirem no seu interior, iluminavam todas as janelas de uma carga eléctrica fortíssima – Havia uma miniatura de um dos reactores de Chernobyl e um castelo de Neuchvenstein marinho, protegido por dois sátiros de sílex. Era como se o proprietário quisesse reproduzir toda a História da Humanidade mas debaixo do mar. Pequenas estátuas de actores de cinema mudo ou de actrizes famosas da Brodway decoravam o fundo de um ou outro aquário. Num deles, a recriação com soldadinhos de plástico de uma batalha do Vietname, com os bonecos caídos ou levantados, as mulheres segurando os filhos contra o peito de plástico – Os muros caídos com pequenas anémonas em cima –O proprietário tinha um acordo com alguns artistas plásticos, encomendava-lhes em gesso ou plástico, (dependendo se era para aquário de água quente ou aquário de água fria)a recriação de uma batalha, de um acontecimento épico – Um episódio da guerra de Tróia, onde se via a fuga de Eneias decorava um outro. Noutro maior, a recriação mitificada de uma aparição mariana e da entrada das tropas aliadas em Berlim, com o seu muro de espelho a reflectir os peixes que por isso se aproximavam, temendo o inimigo.&lt;br /&gt;. O proprietário grisalho notando o seu interesse no aquário e no cinema novo, introduziu-o no mundo subaquático:&lt;br /&gt; A conversa foi longa em galerias da parte de trás da loja: Com grande variedade de espécies. Saiu e telefonou-me. Contou-me por alto a história dos filmes – Tudo depende das perspectivas – Disse-lhe. Está na altura de voltar ao Porto e acabar a sétima parte de “A Estrela” –Um de nós,  deve concluir essa ponta que une todas as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o proprietário, sem cair na entropia de misturar várias histórias, lhe contou no fundo das galerias onde imperava um grande aquário decorado com a réplica de um castelo búlgaro de formas estranhas, algumas histórias sobre o suicídio no mundo animal – Não se conhece o suicídio na vida marinha – Disse, como se fosse um aviador marinho – Há três animais, que o fazem – O escorpião, os pequenos helicópteros, (insectos voadores), e os homens (que o praticam de forma mais variada e aleatória). O escorpião, em caso de fogo ou de perigo de morte espeta o ferrão na sua própria carcaça negra, com força – Aqui o proprietário estremeceu como um peixe sem espinha que se via em aflição, encurralado num buraco de uma rocha por um polvo de grandes tentáculos – Riu-se e fez uma expressão engraçada,, que manteve acesa, para que a história não se tornasse muito tétrica – Contou-me uma história da infância, quando passava os verões no campo, em casa dos avós – Com os primos costumava caçar escorpiões – Depois faziam um círculo de gasolina em volta do escorpião, muito rápido acendiam o círculo com um fósforo e desenhava-se no chão um círculo de fogo que rodeava o escorpião, que dançava assustado, até à decisão de espetar o ferrão. Os primos olhavam com os olhos bem abertos – Tinham acabado de levar ao suicídio um animal perigoso, cujo veneno pode matar os outros ou a si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sobre o segundo animal suicida, foi mais breve – os helicópteros: Contou-me como eles, em situação de perigo, chocavam uns contra os outros praticando uma espécie de  suicídio duplo em situações de perigo, como grandes incêndios ou tornados, um suicídio colectivo e binário, feito aos pares – Contava-se no País Vasco que da colisão entre dois helicópteros podia nascer uma espécie de faísca, pelo embate forte e aéreo – Essa faísca caía sobre a terra, antes dos dois insectos já mortos, e essa faísca servia de semente – E no local do suicídio aéreo, nascia na terra um girassol. Daí um suicídio que dá vida – Como de uma forma ou outra o suicídio de um escorpião enche de vida a casa da avó, com os primos e primas a correrem excitados. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de prosseguir com a história do suicídio no homem, o mais complexo e múltiplo, contou-me três histórias sobre o incesto na vida marinha, e como acreditava que a sua avó continuava a lavar a louça agora no fundo mar, onde é mais fácil de o fazer, na água quente das Bermudas – A sua avó e muitas outras a ouvirem a música dos golfinhos. Por momentos pensei que já não prosseguisse a história do suicídio na vida animal e estive certo, porque essa, pela sua complexidade, ficou por contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8577567220339676419?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8577567220339676419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8577567220339676419' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8577567220339676419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8577567220339676419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/quarta-transcricao.html' title='Quarta transcrição'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1508815479960903952</id><published>2010-02-08T06:16:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T06:24:05.195-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Festa campestre, o girassol, o gelo</title><content type='html'>Julian Artl passou uns tempos em minha casa. Era editor de uma revista de literatura que começava a receber boas críticas. Escreveu uma novela fragmentada e dois livros de contos. Nunca os publicou, só tinha um exemplar de cada uma das obras, com encadernações baratas. Apagou os ficheiros do computador. Nunca os tinha enviado por mail a ninguém, embora me tivesse lido vários contos e partes da novela ao telefone. Num domingo de chuva foi até à foz, estacionou o carro e atirou os três exemplares para o fundo do rio, na parte onde saíam uns esgotos e onde as tainhas saltavam e lutavam pelo seu pedaço de lodo – Como se fossem escritores – Disse-me ao telefone Artl – As tainhas pareciam escritores – Ri-me, não da frase em si, mas da sua voz, de quem tinha bebido muito. Falou-me sobre tainhas e literatura acidental. Imaginei as pastas de papel no fundo do rio. Alguns dos textos mais sinceros e completos que tinha lido, forravam o fundo do rio. Um dos contos falava de uma borboleta – Uma borboleta escritora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tinha estado em minha casa, tinha por hábito, cozinhar gelatina ao fim da noite. Gelatina de morango com rum. Comia enquanto via um filme, não falava muito. Às vezes quando chegava a casa, via-o a cozinhar a gelatina artesanal. Comprava no supermercado, folhas de gelatina de marca branca, e com um marcador azul, usada para escrever nos cd’s, escrevia nas folhas de gelatina alguns contos completos. Um dia vi, seis folhas de gelatina que serviam de páginas a um conto. Li todo o conto. Artl estava no quarto de banho, não reparou que eu já tinha entrado. Toda a casa cheirava a haxixe e o espanta espíritos estava desalinhado. A panela estava cheia de água e de rum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi porque é que o meu dálmata estava doente. Artl dava-lhe gelatina de rum e morango enquanto eu estava a trabalhar. Nunca saía de casa, por mais que eu lhe dissesse, para ir ao parque, ao estádio, conhecer a cidade, ver igrejas e museus, Artl era licenciado em História de Arte.&lt;br /&gt; O cão comia a gelatina feita com as folhas onde estavam alguns contos inéditos de Artl. Reparei no seu prato as bordas da cor do morango que ele lambia até à aflição. Imaginei, que Artl pusesse também xanax esmigalhado na  gelatina ou uma ou outra droga legal que mandava vir pela net. Para o estômago do dálmata a mistura devia ser corrosiva. Tinta de marcador cozida na água, rum e muito açúcar. Reparei que o dálmata dormia na varanda de barriga para o ar. Parecia estar a ter um sonho erótico. Talvez de uma cadela spaniel. Imaginei também Artl a aparecer no sonho do meu cão, com uma taça de gelatina e a Spaniel ao lado entuzada  ao lado do meu animal. Chamei-o várias vezes mas não acordou. Deixei-o dormir e liguei a televisão para ver o resumo das notícias do dia. Artl saiu do quarto de banho. Sentou-se à minha beira. Fiz de conta que não tinha visto o seu conto. Falamos um bocado. Depois disse-me que estava a fazer gelatina e foi à cozinha. Pôs o rum a cozer com as folhas onde estava o seu conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns contos consegui salvar nos dias seguintes. Enquanto Artl dormia descobri três desses contos. Doze folhas no total escritas com uma letra perfeita. O conto falava de um homem que vai ver uma exposição de escultura clássica. As personagens, as estátuas do museu falavam entre si sobre o visitante, que era uma atracção. Falavam dos seus calções, do seu penteado. Como se o museu fosse móvel e fosse todas as pessoas que entravam. Um museu único e vivo, sempre aleatório de gente que entra e sai. Trouxe-o para a beira do computador e transcrevi-o. No fim havia um pequeno aforismo sobre a perenidade do suporte. &lt;br /&gt;Art foi embora três dias depois. Ao contrário daquilo que pensava, a saída de Artl foi para o meu cão, indiferente, como se ele nunca tivesse entrado. A sua passagem na literatura foi feita do mesmo modo, como se nunca tivesse escrito. &lt;br /&gt;Transcrevi de uma folha de gelatina “Três caras no gelo”. Nunca mais tive notícias suas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Três caras no gelo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da sepultura de Adriano há um ringue de gelo, um castelo e um homem estátua. Há também uma ponte com muitos anjos, um anjo de bronze no cimo do castelo, e um marroquino que vende guarda-chuvas. No ringue de gelo está uma rapariga sozinha a patinar, como que por missão, repete-se (como que por missão) a rapariga parece a rapariga mais triste do mundo, mas cumpre a sua missão, patinar, ser triste, estar neste conto. &lt;br /&gt;A rapariga patina e escreve um poema no gelo, que não aparece porque no gelo já há muitas riscas, tal como em muitos braços e na alma de muitas patinadoras solitárias. Há muitos riscos que se fazem, e sobretudo, os riscos não se podem apagar, aconselhou-me, um anjo, um verdadeiro anjo, que para apagar um risco, se tem que desenhar um novo risco por cima, seja na memória, nos braços, numa conversa, em toda a história da humanidade: Nada se apaga, tudo se constrói/escreve/ relaciona por cima. E há vários riscos e os riscos de baixo, que não cicatrizam, na (memória, nos braços na parede) vão perdendo em força, porque há informação nova que se sobrepôs. Amanhã vou fazer uma tatuagem, a imagem de uma rapariga que levanta voo agarrada a uns balões; Foi desenhada por Banksy nos muros da Palestina. Pedi na loja das tatuagens que ocupasse toda a parte de cima do braço direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patinei durante a tarde toda, mais uma vez ele não ligou, ninguém passava ao lado do castelo, patinava sozinha, só um homem de chapéu estranho me olhava; Parecia a pessoa mais sozinha do planeta, tirava apontamentos, consigo ver sem os olhos, consigo patinar no gelo, e sentir o meu sexo quente, enquanto tenho uma visão de cima do castelo, do outro lado da ponte, vejo pelos olhos do que tira apontamentos, vejo o seu caderno quadriculado cheio de escrita nervosa e rascunhado. Vejo como se estivesse no Google World, no topo de um satélite, o homem estátua, os que olham o homem estátua, aquele indiano que o aguarda à entrada da ponte, porque sabe que ele vai passar ali e está a chover, e provavelmente vai comprar um guarda-chuvas, e isso dá-me riso. Escrevi um poema no gelo, metia as palavras &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“girassol”&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Perenidade”&lt;/span&gt; e&lt;span style="font-style:italic;"&gt; meta-gelo”&lt;/span&gt; – Tudo me dá vontade de rir. Várias coisas ficaram por dizer, debaixo do gelo há um girassol … &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me falta vender um guarda-chuva, aquele é americano, tem dinheiro, vou-lhe vender um guarda-chuva, sei por Alá, e depois vou para casa. Está frio. Está frio fodasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Julian Artl&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1508815479960903952?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1508815479960903952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1508815479960903952' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1508815479960903952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1508815479960903952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/festa-campestre-o-girassol-o-gelo.html' title='Festa campestre, o girassol, o gelo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7338180599373765532</id><published>2010-02-01T17:39:00.001-08:00</published><updated>2010-02-01T17:39:56.910-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/psjal_MT62I&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/psjal_MT62I&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7338180599373765532?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7338180599373765532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7338180599373765532' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7338180599373765532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7338180599373765532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8834274680107222878</id><published>2010-01-18T18:24:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T18:25:36.616-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Guarda-Rios</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sangue é por te amar &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; João Aguardela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti devo a imagem fresca dos Guarda-rios da Lua,&lt;br /&gt;que  velam com os seus calções apertados, o leite gordo&lt;br /&gt;que em  cada cratera desagua, Obliquamente enrolam os seus cabelos&lt;br /&gt;feitos de espera marítima e molham os pés no leite gordo que adormece,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trazem na lapela a sua enchada e na expressão o viso cansado,&lt;br /&gt;dão doces sonhos à avó do guarda-discotecas, contam anedotas aos piratas,&lt;br /&gt;apertam com todas as suas pontas tudo aquilo que acende e mata,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ti devo a doçura de ser só coisa que pinga e prata queimada,&lt;br /&gt;A fuga do Egipto, cada navio que parte, a ti devo as ninfas que jogam Playstation no fundo dos poços da lua, a ti devo o tudo e o nada,&lt;br /&gt;O querer ser Só Coisa tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8834274680107222878?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8834274680107222878/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8834274680107222878' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8834274680107222878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8834274680107222878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/01/guarda-rios.html' title='Guarda-Rios'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5927537185332752808</id><published>2010-01-17T08:11:00.000-08:00</published><updated>2010-01-17T08:12:48.208-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Sunset Boullevard</title><content type='html'>Ode Gente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, perverso em não existir, conjunto de limões em fuga,&lt;br /&gt;com a sua saia de séculos, a masturbar-se lentamente,&lt;br /&gt;A vir-se Em todas as direcções: &lt;br /&gt;Depois mais rápido moldando a cara dos lavradores&lt;br /&gt;Ofegante na sua vontade circular&lt;br /&gt;Cilíndrico na espera – a subir o Chiado a descer o Chiado,&lt;br /&gt;A entrar em cada casa, a passear na Afurada – a saber-se coisa-nada&lt;br /&gt;ele &lt;br /&gt;dá-te a mão, Espera, &lt;br /&gt;Pinta frescos na sala, detiora os frescos da sala&lt;br /&gt;tacteia nas tuas costas uma vontade nova, muda essa vontade&lt;br /&gt;cria uma nova e uma nova e uma Nova&lt;br /&gt;Escreve a lápis número 3 na sua sebenta: &lt;br /&gt;“Este país não é para velhos” E masturba-se devagar e&lt;br /&gt;depois Rápido: E adora Cláudio Magris e toda a Antena – &lt;br /&gt;e acorda com Sebald e deita-se com Sebald, viola as filhas da revolução&lt;br /&gt;e é manhã e insónia  a entrar em todas as tabernas &lt;br /&gt; a tingir de amarelo os calendários Michelin &lt;br /&gt; a crucificar este, a encher de prazeres aquele, a masturbar-se&lt;br /&gt; ciclicamente até ser só Vontade de ter passado: &lt;br /&gt;Tempo-Cidade, tempo-cavalo, tempo-proletário,&lt;br /&gt;tempo-homem, tempo-mulher, tempo camponês que dá a mão, tempo que escreve ensaios, tempo que canoniza  –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tempo que chora leite condensado para &lt;br /&gt;cima da Sebenta, com o seu rosto quadriculado que é só medo e está  passado – &lt;br /&gt; ………………………………………………………………………………………………………...&lt;br /&gt;Tempo que é União e fala por nós, que tenta chorar mas só lhe sai musgo dos olhos, fresco e verde como o que cresce nas fontes de Raguzza, que dão uma água carregada de ferro (Resta-me a Sinceridade e a Saliva de todo o mundo) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo a cavalgar com Zaratrusta, trusta trusta,, a procurar um efeito sonoro nos seus versos: Em busca deste ou daquele recurso estilístico que dê profundidade à rima imperfeita – a Injectar no peito uma vontade nova, um Sol líquido entre dois seios  que são também montanha, onde descansa o olhar –&lt;br /&gt; vários olhos que vêm os estorninhos dançarem numa nuvem única, que parece uma cabeça de Medusa, em permanente mutação: Criando novas formas do cabelo, novas expressões no sorriso …………….. Uma nuvem única que faz amor consigo própria, como se fosse com um filho por cima dos Campos de Marte - uma nuvem-estorninho a acompanhar Grieg na subida e  a acompanhar Grieg na descida: Nasceu uma Estrela com baton a mais – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Torre de Babel, as torres do Aleixo&lt;br /&gt;A torre latina que só espera,&lt;br /&gt; a doçura do&lt;br /&gt;teu queixo –  À procura da T-mésis per-fei-ta&lt;br /&gt;Um triângulo com as suas três pontas acesas, que bebe demais e tem medo de cair na entropia, um triângulo-cio com problemas de erecção.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;É só doçura a torre latina que cai, Gémea do silêncio e da solidão;&lt;br /&gt;A nossa língua não é  esquecida: Evoluirá até à deformação perfeita – &lt;br /&gt;O Tempo a acender todos os interruptores da Calábria, a fechar os olhos aos missionários que merecem o descanso: A dar-lhes um sentido porque todas as coisas devem ter sentido, seja ele único ou múltiplo: Seja ele cavalo, cidade-industrial, pastor alemão, vidro, sebenta, aguardente, erecção, uma viagem a Nova York, a Grécia Inteira; seja ele vento, microscópio, lixívia de marca branca, rebanho de ovelhas, medo do escuro, uma canção de amigo, uns olhos verdes e tristes – Seja ele, fazer obras num talho, mudar de instalações o sapateiro, o preço da gasolina, o preço do trigo, o que o colhe, ou o que o come…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                    ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui não há espera: Come o teu queijo gordo e guarda que o teu lamento não seja eterno ……….  Abre todas as janelas e deixa que o mar entre em tua casa – Nasceu do lodo, a simetria, a Vontade nova, em tudo nova; Não lhe quis dar um nome. Por superstição, deixei-a também flutuar como fumo de um cigarro que desaparece e é só instante. Deixei-o ir acordar os camionistas que seguem por estradas sem curvas, e precisam de dormir ……………………………… O que nos é estranho é adocicado e múltiplo, o que nos é estranho é o que Entra … Digo Entrar. Entrar Verdadeiramente:: &lt;br /&gt;Fomos alguém à janela com as suas pernas de cimento, fomos o pão negro que comia, um país na direcção do vento: O meu trabalho é partir diamante com a boca e encher de calmantes toda a Escócia e a gente austral. O meu país é só vento e aproxima o bem do mal: O meu país faz compotas de petróleo cristalizado, compotas de moral e de cimento que acordam os seus filhos pela manhã, compotas que indicam uma rota nova, que pedem boleia aos camionista, que têm medo de não passar bem a mensagem – É sua missão passá-la …  Dizem - Bom dia! – A este e aquele que passa, que tiram o chapéu educadamente; Que abrem os seus corações aos estranhos nas estações de comboio. Compotas que desejam mesmo um bom dia, a este e aquele viajante e só esperam que a sua rota seja perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que alguém se deite comigo, e não saiba já se está acordado ou a dormir e que a fronteira entre a vigília e o descanso seja só um novelo com que brinca um gato, em tudo exílio e olhos verdes, um gato negro que entra e sai das torres latinas. Um gato com o sonho Americano e a Dormir por si adentro.&lt;br /&gt;Manter vivas todas as Frentes e velar para que nunca se apaguem – Calcar um triângulo de espera - gelatinoso como o cancro da mama -  Um Triângulo que incomoda os séculos, um triângulo que minga quando as pessoas se abraçam: um triângulo que acorda e cavalga, um triângulo que sabe três línguas e assassina por trás. Um triângulo-Solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em métrica antiga abrimos todas as portas para que o rio passasse, negro e gorduroso no seu leito, a dizer que o país não se mete em sarilhos, em cada esquina um tétrico coro canta. Em cada esquina essa perda de cabelos dourados, wireless latino e agudo, entra em todos os jardins, come os teus figos maduros, Quê?&lt;br /&gt;Com uma flor na lapela que é o seu lamento,&lt;br /&gt;A criar estilos, a passear o cão, a ouvir o concelho de todos, a dançar regeton&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tempo a ouvir Sitiados&lt;br /&gt;A talhar a pedra -  a ser já só pedra e dados&lt;br /&gt;a construir sólidos telhados num labirinto guloso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Coro tétrico canta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é febre e mudança&lt;br /&gt;Panteão e virilha a arder,&lt;br /&gt;Tudo é promessa líquida que muda,&lt;br /&gt; e manequim a ferver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é perspectiva múltipla e &lt;br /&gt;nos exige a atenção,&lt;br /&gt;Tudo é língua, tudo boca ,&lt;br /&gt;Ode como um cão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esculpe-me o cabelo, o sexo e o antebraço,&lt;br /&gt;Recheia de chocolate os ouriços do mar, Dá-me a solução num único abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoça e esculpe-me os limites: Faz deles, nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acende um Farol em cada praia. Não esperes os navios. Entra em todos os seus porões sem aviso -  Recheia os capitães de Susto – Enche os Porões de riso e espasmo… Penteia-os com gel de golfinho. Sempre estive perto da loucura, se não fui ela própria, sempre quis ter bigodes púrpura e ser só a chuva lá fora – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca quis ser um poeta, só quis ser um navio em chamas: Um navio violado pelo seu tio, todas as manhãs e todas as tardes, um navio que há noite lê Bataille -  Um Navio que se afasta dos outros navios se não tiver cuidado, um navio que só quer ser ponte,  limite e União. Um navio que com os seus óculos de Sol, escreve na sua rota:  - Não existe o que se escreve nas rotas - &lt;br /&gt;Um navio que mesmo assim escreve e insiste em escrever, seja no osso de uma namorada morta, seja no computador, seja em rolo de papiro, em pergaminho, em papel, em folha de gelatina, em mármore, em porta de casa de banho, em quadro (pode ser com unhas ou com dentes) em areia molhada, no braço em tatuagem, nas costas em tatuagem, num deserto mexicano, num campo relvado, a chantilly num bolo de chocolate, no lodo, na lama, no gelo com patins, na cerâmica, na argila, no fogo, desenhando um rasto de gasolina, com urina num ladrilho seco – Não interessa o suporte, mais ou menos perene, ele só prova a nossa inocência, a nossa necessidade de partilhar -  A literatura, só pode ser União …………… Um navio que escreve rápido no ar e em fumo de cigarro (são precisos bons reflexos e ante-braço forte) – A Literatura tem de ser União –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca quis ser um poeta, sempre quis ser um espelho colocado no centro da Austrália, sempre quis ser a “fome de gente” que os espelhos têm -  Pequenos fios dourados, Guardar uma coisa qualquer, um hipermercado, um segredo, proteger essa coisa dos lobos; Ser vários cangurus espalhados pelo deserto reflectidos na minha cara fosca, de um e do outro lado, uma cara fosca que é só deserto espelhado carregado de nuvens vermelhas no vidro e na sede de ter Muitas Línguas -  Deserto Compositor a Criar um Requiem em Braille para que os cegos cantem uma Osana  Perfeita – Para que os cegos a vejam multiforme a Afastar todas as nuvens carregadas – Para que a Fuga seja só ficar – Deserto a vestir as suas cuequitas com motivos ursinhos, a olhar para mim, espelho que não dorme porque abre todas as  gavetas, todas as vontades para tirar de lá meias de licra – Sou só a vontade dos teus olhos. A Escócia a abrir trincheiras cor de rosa, África a sonhar com um incesto – Em tudo Maior – &lt;br /&gt;A calçar as All-Stars -  A jogar playstaition com a boca cheia de limão* Deserto a cavalgar a abrir portas – Não interessa a escolha do caminho, mas a intensidade com que se o percorre, seja ele um ou em tudo múltiplo e comprido. Deserto a abraçar deserto, deserto a espalhar-se vermelho na perda por deserto e deserto, deserto com sede de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………………………………………………………………………………………...&lt;br /&gt;Nunca quis ser um deserto, sempre quis ser um espelho ou um conjunto de limões _ Se fosse uma mulher, paria um espelho de espuma – Sei que a espera é o próprio Inferno, senão o Diabo Inteiro, sou o arquitecto de um labirinto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comer o labirinto&lt;br /&gt;Sair&lt;br /&gt;Ficar dentro – O Arquitecto é uma sombra e quer-se perder e espalhar pela praia ao fim da tarde, Criar a Sua Perda, um labirinto doce com muros que são folhas de gelatina, um arquitecto que só te quer a ti, todas as saídas e todas as entradas. A mais doce ária que é o azeite negro a escorrer pela boca de um paralítico. Esculpe-me o cabelo, o sexo, o antebraço, dá-me um abraço triplo, tira-me todo o ar, dá-me todo o Ar:&lt;br /&gt; A noite com as suas cuequitas apertadas uiva por Maiakovsky&lt;br /&gt;a língua da noite adormece os pescadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………….Gosto de te ver sorrir …………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Riso é o Gerador Único do Universo, &lt;br /&gt;só ele, quando, tudo o resto falha, permite que as estrelas, &lt;br /&gt;(infanticidas por natureza), se mantenham vivas e não cortem as suas pontas,&lt;br /&gt;Que as ligações frágeis, não percam vida e se extingam até à anorexia, perdendo luz e força,&lt;br /&gt;ou se arrebentem por dentro sobre o seu próprio eixo desatinado (desatinando para aqui e para ali) Só o Riso é Deus, só ele cavalga e Molda verdadeiramente as caras, &lt;br /&gt;só ele cria luz e espelhos de espuma, só ele goza a poesia, só ele fica sozinho, só ele dá vida.&lt;br /&gt;Quem escreve “O Fim da História”, mais não faz do que a começar. Sou um recurso estilístico a olhar-se ao espelho, a beber chá verde pela manhã, a empapar o cabelo em gel … &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sou a vontade, em tudo malhada, de te ver sorrir*&lt;br /&gt;………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lambi o sexo a um relâmpago de virilhas acesas&lt;br /&gt;os seus pintelhos tornaram-me a boca da cor do azeite,&lt;br /&gt;alguns engoli e escorri para os pulmões, vi o relâmpago a lavar os dentes e a cair por cima de uma biblioteca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a literatura (a primeira morte) só serve para unir – os fios que usa são dourados, &lt;br /&gt;é também dourada a sua paciência e a sua vontade de conhecer o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode em mutação, poema recheado de vento, poema que cavalga e é lusitano - Que é só sede e é só vento, (vontade de rir de tudo) -  Poema em rima cruzada a atravessar todos os rios, relâmpago a guiar numa auto-estrada em direcção ao sul – Poema a ouvir Belle Chase Hotel com a boca cheia de cerejas negras – Ode que canta um país que não quer amanhecer, e que é brisa e triste lamento, poema que é olhos teus e se alimenta de riso. Ode cão Ode cimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis ser uma cidade industrial escocesa que Turner não conseguiu pintar, sempre quis ser o acordar dos operários, que calçam as suas ceroulas, afastam o medo (Criação Absoluta e único Motor de tudo) Todos os mails não enviados que recheiam a Rede de pontas gelatinosas e fazem explodir as estrelas – De tudo o que deve ser dito com o palato aceso.&lt;br /&gt;Ode Gente, Ode canção&lt;br /&gt;Ode lixívia que limpa uma campa&lt;br /&gt;Ode-saia e alexandrina na rima, ode com dentes podres&lt;br /&gt; viciada em cocaína – Ode Gente dentro de Gente, Ode cantina,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode canção, perfeita no gesto – Ode hospedeira da Easy jet, Ode-gente que chove, Ode-Nuvem que tapa e destapa as cidades Belgas, Ode a abrir os frascos de mel todos, a meter-te pirilampos nos cabelos, a acender de escuridão a noite – Ode que chora quando morre o seu amigo, Ode que brilha quando morre – O Mundo começou agora e já está na sua varanda de Susto uma rapariga com a sua saia carregada de vermelho – Ode Saída a encher os pulmões de relâmpagos - Um país Ocidental que nasceu numa paralítica dança em construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode tinta e mutação num copo de espasmos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode de boca ao lado&lt;br /&gt;O amor é como carne …&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5927537185332752808?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5927537185332752808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5927537185332752808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5927537185332752808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5927537185332752808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/01/sunset-boullevard.html' title='Sunset Boullevard'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1575229861800865230</id><published>2010-01-04T22:40:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T22:42:56.610-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>As estrelas suicídas de Tule</title><content type='html'>As estrelas Suicidas de Tule*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;You have to think in Casanova &lt;/em&gt;– “Belle Chase Hotel”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com Maria Puig, o hermafrodita, que comecei a ouvir tango. Primeiro orquestras ligeiras, depois Gardel. Na altura, ela fazia a sua tese de mestrado sobre “Tristan Shandy”. Preparava também, em conjunto com um musicólogo e um fotógrafo, a obra “O Tango durante a Segunda Grande Guerra”. Era uma encomenda de um dos maiores grupos editoriais franceses.&lt;br /&gt;No centro da sua sala havia um velho gramofone que tocava repetidamente a “Munequita de Paris”. Outras vezes “Nagasaki blues” de Mina. &lt;br /&gt;Eu sentava-me no sofá e lia “What is the literature” do Sartre, ou uma revista sobre tatuagens. Ela ia mudar a agulha, eu continuava no sofá. Um dia vi no espelho do seu quarto de banho, uma frase curta, escrito a baton. Dizia só: “Um reich de leite” – A caligrafia pareceu-me sexy, e a sentença escrita muito devagar e com um pulso seguro. Não achei estranho a frase não ter verbo, não ser uma oração, mas apenas uma espécie de complemento incompleto: De quê? -Perguntei-lhe, ela sorriu e voltou a colocar a agulha no começo da música. Mostrou-me no mail algumas fotos que tinha recebido para ilustrar um dos capítulos da obra. Pessoas a dançarem em grandes salões europeus e americanos. Cadilacs com casais abraçados fora ou dentro dos carros. &lt;br /&gt;Um Reich de leite?&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;Como era o leite?&lt;br /&gt;“ disse que era gordo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrou-me um texto seu, dividido em cinco partes. Explicou-me que fazia parte de um diário e que eu não mostrasse a ninguém:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Fizemos amor durante muito tempo: Eu, um homem ou uma mulher; e ela, uma mulher ou um homem. Os nossos sexos eram uma sugestão e pareciam uma corrente tropical. Não eram os orgasmos que levantavam a alma, mas o calor e a respiração – e a Munequita de Paris – no auge de um orgasmo múltiplo de uma estrela suicida com baton a mais. Éramos essa estrela reflectida no espelho barroco de um submarino .Levantei-me e abri a boneca russa, dentro estava outra boneca, abri a outra boneca, e abri outra e outra e todas as bonecas que estavam uma dentro das outras como memórias tripartidas. A última boneca abri com a boca e sei que isso o excitou. Dentro da boneca estava uma mortalha. A mortalha tinha escrito um poema de Walser. Era inédito, como qualquer acto humano. Ele enrolou nela um bocado de tabaco negro e ficou com atenção ao fumo. Disse duas ou três coisas sobre a perenidade, o gesto humano, não sei o quê sobre África. Foi até junto do gramofone e meteu a música do começo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Imaginei um país neutro com todos os seus leiteiros a levarem as bilhas nos caminhos de terra. Os leiteiros a cantarem que – O seu país não se mete em confusões - Imaginei o país neutro com o seu povo trabalhador que semeia os campos de trigo e  que colhe  o trigo e do trigo faz farinha, e com farinha faz o pão que alimenta o povo. Dos operários aos ladrões, dos antiquários, aos guardas florestais, que protegem as reservas nacionais. Imaginei todas os seus bosques recheados de prostitutas. Imaginei-as a enrolar o preservativo no toalhete, num gesto de carinho. A passarem o toalhete no rabinho dos impotentes para que o seu orgasmo seja em tudo pujante e nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Os funcionários internaram a rainha na ilha de Capri. Aí a rainha ouvia a  “Munequita de Paris” e chorava cal viva. Uma lenda antiga dos pescadores napolitanos explicava melhor, que na impossibilidade da rainha chorar algo líquido, as estrelas-do-mar começaram a aparecer em grande quantidade, nas praias entre Herculano e Nápoles. De manhã todos encontravam as praias cheias de estrelas-do-mar. Noutras manhãs encontravam as praias cheias de soldados. O mesmo fenómeno se passava  na Normandia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.Eram grupos de meninos e meninas que encontravam as estrelas-do-mar, e as, viravam ao contrário para lamber a parte branca e adocicada que era o seu choro: Um líqiquido espesso, como o sémen dos cavalos-marinhos. Um choro que parecia  leite gordo e doce com muita nata, como o leite das baleias. As meninas metiam as pontas das estrelas nos ouvidos e ouviam as histórias da Rainha internada em Capri: Estávamos no início da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Era uma espécie de leite, mas não era bem leite, era segredo líquido e quente de uma rainha. O leite sabia também a outras histórias mal contadas. Porque as estrelas-do-mar sabiam muitas histórias sobre a emigração ilegal de África para as Canárias. Muitas vezes espreitavam a boca roxa, com os lábios grossos de um nigeriano inchado pela água, que se tinha deixado ir ao fundo. Sabem também boas histórias sobre a guerra que contam aos meninos que as descobrem pela manhã. Uma delas, é a de um capitão de um submarino francês que em 1940 desceu ao fundo do mar do Norte para uma missão de espionagem. Desligou o radar e forrou o tecto do submarino com papel celofane azul celeste. Colou nele muitas estrelinhas que picotou de uma cartolina dourada. Depois de forrado o tecto do submarino, o capitão pediu que lhe metessem no seu interior um espelho grande e barroco. Dois tripulantes trouxeram-no para o espaço central. Depois os dois tripulantes embebedaram-se, o capitão ajeitou a agulha do gramofone e começou a ouvir a “Munequita de Paris”. Morreu numa espécie de guerra privada. Todos esses segredos, tornavam o choro das estrelas mais espesso, gordo e saboroso, como se fosse leite condensado: memórias de guerra que as raparigas de Nápoles lambiam, ou usavam como gel no cabelo para seduzir, com o seu cabelo curto, um ou outro amigo de quem gostavam mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1575229861800865230?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1575229861800865230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1575229861800865230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1575229861800865230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1575229861800865230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/01/as-estrelas-suicidas-de-tule.html' title='As estrelas suicídas de Tule'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2600689141977836339</id><published>2010-01-04T21:50:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T22:41:46.918-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2600689141977836339?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2600689141977836339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2600689141977836339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2600689141977836339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2600689141977836339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2010/01/estrela-iv-munequita-de-paris-you-have.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8660093023433615382</id><published>2009-12-31T08:06:00.000-08:00</published><updated>2009-12-31T08:07:52.255-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beatriz Hierro Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre Gatos'/><title type='text'>A proximidade narrativa em “Sobre Gatos” de Beatriz Hierro Lopes</title><content type='html'>Este texto de Beatriz Hierro Lopes revela um batimento cardíaco próprio (felino e humano) repetido várias vezes sonoramente durante o conto. É o batimento cardíaco, o humano (em tudo felino) que se evidencia como o Grande Criador, aquilo que gera e que marca o tempo desta narrativa.&lt;br /&gt; O efeito sonoro e térmico é muito suave mas insistente e de grande força “a lentidão da respiração humana em repouso; O compasso melancólico do coração vigilante; a densidade amorfa do sangue nocturno” – O registo é fluído, em tudo táctil salientado por uma pontuação muito querente e que engrandece o ritmo. O ponto e vírgula tanto serve para estabelecer uma continuidade balouçante, como uma quebra ligeira, sempre como um ritmo “hipnotizado pelo batimento cardíaco”. A pontuação é utilizada de forma muito inteligente. &lt;br /&gt;O registo de Beatriz Hierro Lopes é em tudo equilibrado, mas inquieto. A força desta imagem é a do sublime, do mito: antigo, épico, mas rejuvenescido e recriado em tudo urbano: A frase é de uma intensidade muito bem conseguida: “Foi quando os gatos deixaram de se deitar com as mulheres que os homens se tornaram livres para o fazer”. A frase é doce e em tudo chama a atenção para alguns traços de Anais Nin, embora revitalizados e com um estilo mais aperfeiçoado. “Via-os idênticos na incapacidade”. Aqui a analepse permite dois caminhos, em tudo iguais. A incapacidade dos homens, a incapacidade dos felinos. &lt;br /&gt;Um universo castrante, sensitivo e erótico está presente, mais pela ausência do recurso estilístico que é aqui um Recurso fundamental. Aqueles que “nunca seriam capazes de adormecer em silêncio”. &lt;br /&gt; O narrador é em tudo muito próximo da personagem principal, e este é um traço muito próprio em Beatriz Hierro Lopes. Imagina-se um narrador confidente, um narrador que pode ser felino, um narrador neutro, que pode estar castrado. Um narrador que sabe quais as palavras que inundam os raciocínios da personagem principal. Palavras que se unem em “frases curtas e de significado labiríntico” – “Palavras pedra “ que a personagem evita. E aqui a metáfora é perfeita “pedras que não rolariam”. A personagem principal que dorme com o gato sobre o seu peito, é escritora, e procura criar uma nova linguagem “uma nova iconografia sustentada pela novidade de sons nunca antes ouvidos”. O conto possui assim elementos meta-literários e de reflexividade sobre o fenómeno da literatura “um estado transitório… de transgressão”. A personagem principal queria “narrar, descrever, pintar a soma da visão que retinha dos outros”. A memória é invocada e surgem imagens muito potentes na sua calma, tais como: “as amoras que tinham colhido e escondido num dos bolsos das calças em segredo, Como se não fossem amoras, mas antes algo de bem mais precioso: cornalinas selvagens com um tom idêntico ao do sangue”. O registo é extremamente humano, isto dito na versão última de evolução literária, o humano, o tangente, o tão perto e por isso difícil de descrever, é descrito de uma forma límpida ao ritmo da memória por um meta-narrador, ou meta narradora que se pensa e descreve a si próprio, ou algo muito próximo, como numa memória/ lago “oculto pelos nenúfares”. &lt;br /&gt; O narrador ou um homem com os braços cruzados ao lado do porto delibera quais as memórias que devem passar. Como um polícia do pensamento, dizendo: “aqui está, voltamos a elas”. A imagem é muito forte, e de um carácter assente num não lugar – algo entre o consciente e o inconsciente, mas com traços bem reais e firmes: O solo que pisa o narrador, que pode ser um homem ou um gato, ou um animal hermafrodita ainda não catalogado. Um animal controlador do inconsciente a quem a personagem principal recorre/ invoca. Isto pode ser uma das várias leituras que se depreendem da analepse Extremamente bem construída por Beatriz Hierro Lopes, resultante de um estilo muito conseguido e seguro. A imagem persiste forte e sublime: “Crianças com os bolsos a transbordarem de pedras vermelhas”&lt;br /&gt; As imagens são de uma grande força, utilizando o sublime através de uma hipérbole muito equilibrada. O narrador parece feito de memória e é invocado pela personagem principal, que adormece com o gato sobre o peito. Um gato com uma respiração “quase humana” que se parece com toda uma geração. A imagem de uma geração em cima do peito a adormecer, com o seu batimento quente “quase humano” é de uma força muito grande e mostra uma energia brilhante de alguém que tem Muito para dar *a Literatura Portuguesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8660093023433615382?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8660093023433615382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8660093023433615382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8660093023433615382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8660093023433615382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/12/proximidade-narrativa-em-sobre-gatos-de.html' title='A proximidade narrativa em “Sobre Gatos” de Beatriz Hierro Lopes'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2398104395531667817</id><published>2009-12-20T16:51:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T16:52:17.268-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>A escrita da estrela, o túnel</title><content type='html'>Ao fundo do túnel que era feito de cabelos loiros, distinguiu um espelho com uma frase a batôn, tentou aproximar-se e viu a sua cara com grandes manchas. Acordou.Eram três da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi até ao computador, abriu o gmail, só tinha um novo, dizia: URGENTE: Reencaminhe por favor este e-mail; por cada e-mail enviado este bebé queimado recebe 0,001 euros. Abriu todas as fotografias do bebé queimado. De nenhumas teve medo, parecia completamente queimado, mas já não parecia um bebé, mas uma rodilha com carne.&lt;br /&gt; Enviou o mail para todos os seus contactos. Imaginou a rede a ficar repleta de mails do bebé queimado, mails que se cruzavam, várias pessoas os iam receber e enviar engordando uma informação de várias pontas, sempre em expansão até à mãe do bebé ter o dinheiro suficiente na sua conta para a operação do bebé em Cuba. Imaginou a conta a ficar recheada enquanto o e-mail em forma de estrela ia crescendo, engordando as suas pontas cada vez mais benignas e fluorescentes. Imaginou a estrela com as suas pontinhas a bater à porta dos camponeses. E os camponeses, do Cáucaso à Finlândia, a virem abrir as portas das suas casas. E as mulheres dos camponeses a perguntarem- Quem é a esta hora? - E os camponeses com as suas meias de lã grossa a abrirem a porta à estrela que, com todas as suas pontas, entra por todas as casas. Enfia-se em cada lugar da Rede. Espalha-se benigno. Uma estrela hiper-real, feita unicamente de solidariedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia o Adagietto da quinta sinfonia de Gustav Mahler, enquanto consultava vários sites com tatuagens; Guardava algumas das imagens numa pasta para depois escolher melhor. Tirou alguns contactos que gravou directamente no telemóvel.&lt;br /&gt;Foi à beira da janela. Depois sentou-se à beira do computador e escreveu “A Estrela”. Começou também a escrever “O Viking e o menino autista”. Os dois contos ficavam completos no dia seguinte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2398104395531667817?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2398104395531667817/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2398104395531667817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2398104395531667817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2398104395531667817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/12/escrita-da-estrela-o-tunel.html' title='A escrita da estrela, o túnel'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2955966080372280281</id><published>2009-12-15T02:57:00.001-08:00</published><updated>2009-12-15T02:57:49.256-08:00</updated><title type='text'>A Estrela</title><content type='html'>A Estrela*&lt;br /&gt;……………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu marido é soldador e chega tarde a casa. Quando chega já está a dar o telejornal. O meu marido chega e põe-se em frente à televisão da cozinha. Dá algumas palmadas no cão. Depois muda para o outro canal onde estão a dar as notícias do desporto e ele vê com atenção as notícias do Dínamo de Bucarest e vem sentar-se à mesa quando já está tudo frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nunca falta sopa lá em casa, porque o meu marido e os meus filhos graças a Deus, gostam muito de sopa, desde pequeno que o meu marido gostava, e os meus dois filhos são iguais. Desde pequenos que comem duas ou três tigelas e depois pedem mais. Por isso normalmente não comemos muito ao jantar. Às vezes são só umas sandes. Normalmente faço-lhes sopa de hortaliça sem passar muito, e feijão, ponho muito feijão na sopa e estrelas. Ponho uma massa de estrelas de que os meus filhos gostam. Antes fazia sopa de letras. Mas o meu marido queixou-se das letras e eu mudei de marca. Agora compro de uma marca branca, mais barata, mas ele gosta mais. &lt;br /&gt;O meu marido trabalhou na Grécia dois anos antes de me conhecer e diz que na Grécia a massa de letras é com caracteres e que sabe melhor. Mas diz: Os gregos não punham as letras todas, porque ficava caro às fábricas fazer moldes para todas. Tinham que ser moldes muito pequeninos e era um investimento inicial muito grande, para aqueles que se decidiam a abrir uma fábrica de transformação de cereais. Eram uns pobres, depois uma mudança no destino, no rumo das estrelas e esses pobres diabos com um empréstimo ou outro lá iam criando as suas fábricas. Contava o meu marido. Na Grécia qualquer massa de letras só tinha o Alfa, o Beta e o Ómega, as letras mais populares, algumas marcas tinham também uns pontinhos, que faziam de ponto final. Mas a sopa era boa, dizia ele. A sopa dos russos também. O meu marido viveu um ano na Rússia, quando tinha 20 anos, trabalhou numa adega de um amigo que já estava lá há mais tempo. Dizia que a sopa dos caracteres russos também era boa. Esses punham os caracteres todos e por isso a sopa sabia melhor, porque ao paladar juntavam-se novas texturas, e os russos têm muitos caracteres e falam muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ponho estrelas na sopa e ele não se queixa. Mas às vezes pega no pacote da massa quando estou a cozinhar e não diz nada, mas eu sei aquilo em que ele pensa. Um dos sócios da fábrica de transformação de cereais é o Serj: um antigo amigo nossa. Cresceu junto com o Óscar. Tinham sido colegas de escola e de seminário, e depois ainda na tropa. Percebo bem o meu marido, a sua expressão quando olha para a embalagem da massa de letras. &lt;br /&gt;Quando saíram da tropa, o Óscar foi para a Rússia, primeiro como montador de pneus, depois a trabalhar numa adega. O Serj entrou numa empresa de construção civil e passava a vida no sul a fazer ginásios e estádios. Passado pouco tempo casou-se e foi viver para Bucareste. Dividia com outro homem um táxi, fazia o turno da noite e o outro fazia o de dia. O negócio começou-lhes a correr bem e compraram outro táxi, passado algum tempo tinham seis táxis novos e bons e alguns motoristas a trabalhar para eles. Ele continuava a conduzir um dos táxis da noite. Compraram mais alguns carros. Nessa altura a Anna tinha acabado de nascer e  no baptizado dela, ele disse ao meu marido que tinha levado o Emil Cioran à praia. Disse-lhe que o apanhou em frente a um hotel a fazer sinal para o táxi parar e que queria ir a Constanta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ia muito calado. Eu ia falando para passar o tempo. Ele pediu-me um cigarro porque a essa hora já estavam todos os sítios fechados e seguimos até ao Mar negro. Ia embalado com a música e adormeceu. Depois foi tirando uns apontamentos para um bloco preto. E eu disse que era uma grande honra levá-lo à praia. Ele saiu do táxi e foi até à beira mar. Tirou os sapatos e molhou os pés. A água devia estar muito fria. Eu fiquei ao lado do táxi a olhar para ele. Parecia o homem mais triste do mundo. Depois voltou e pediu que o levasse a um apartamento de um amigo, deixei-o lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntaram-se depois com outro sócio, e os três criaram uma empresa de camionagem. Compraram dois autocarros usados. No início faziam só duas linhas regionais, que traziam as trabalhadoras dos arredores de Reslta para o centro da cidade. Mulheres que vinham às 6 e meia da manhã para as fábricas de calçado. Ao fim da tarde as camionetas também vinham cheias para as trazerem a casa. &lt;br /&gt;Fizeram depois um acordo com a câmara da cidade para levar crianças dos arredores para as escolas mais próximas e por isso tiveram que comprar mais camionetas. Em pouco tempo cobriam mais linhas e tinham uma frota de sete camionetas, uma delas com ar condicionado para as viagens para Deva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ele vendeu a parte dele. Era na altura muito amigo de um empresário de Arad e decidiram criar a fábrica de transformação de cereais. Era uma fábrica pequena nos arredores da cidade, tinha 40 empregados. O negócio ia correndo bem, ia dando para aguentar as despesas com o pessoal e os fornecedores. Os clientes eram armazéns de retalho no Oeste. Para sul havia as grandes fábricas de transformação de cereais que exportavam para a Bulgária e para a Sérvia. Com essas não podiam competir. Os produtos da empresa só estavam numa mercearia ou noutra, todas muito afastadas umas das outras. Mas a carteira de clientes era boa e o negócio não era arriscado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois de ter criado a empresa, comprou uma casa, perto da nossa; Vinha cá algumas vezes ao ano com a mulher e a filha, a Simona que nasceu mais ao menos ao mesmo tempo da nossa Anna. No início O Serdj não vinha muito aqui porque a empresa ainda lhe dava muito trabalho, mas depois passou a vir mais e no verão costumavam ficar aqui cerca de 3 semanas. Às vezes tinha que ir mais cedo embora, mas a mulher e a filha ficavam mais uma semana ou duas e depois iam lá ter. A filha, a Simona dava-se bem com a Anna, brincavam juntas aqui em casa, ou iam até à biblioteca ou ao parque. Só lhes pedia para virem antes de ficar escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Anna andava no ballett aqui e Simona andava no ballett em Arad. Fechavam-se no quarto e punham-se a dançar. O Óscar tinha-lhe comprado uma aparelhagem de música nos anos dela e os tios davam-lhe cd’s de compilações. Punham a música alta e ficavam a dançar. Os gémeos ainda eram pequeninos. Às vezes um deles entrava, ou entravam os dois, e elas punham-nos fora, ou punham-se a fazer-lhes penteados e a pôr totós nos gémeos e riam-se e ficavam todos a dançar muito inocentes. A Anna pegava numa caneta e fazia de conta que era um microfone e cantava por cima das músicas, em frente a espelho. Saltava as palavras do inglês que não percebia. Os gémeos saltavam em cima da cama. Às vezes entrava lá o cão. Outras vezes eu ia lá pôr ordem e meter-lhes a música mais baixo. A Simonna era um bocado mais alta do que a Anna. Entretanto a Simona e a Anna entraram para o ciclo e continuaram amigas. Só se viam no Verão quando o Serj voltava. Íamos falando pelo telefone durante o inverno e sabíamos as novidades deles e eles sabiam as nossas, a vida do dia a dia. O crescimento da Anna e o crescimento da Simona. &lt;br /&gt;A Simona era boa aluna, tirava muito boas notas, a Anna também era boa aluna, mas a Anna estudava pouco por isso tirava notas mais baixas, mas o suficiente para passar, era responsável e isso chegava-nos. A Anna gostava mais de ler novelas, contos ou romances, que o Óscar lhe comprava quando tinha de ir à cidade. Novelas de autores romenos e búlgaros muito populares, ou então da Ennid Blinton. Mas a Anna ia à biblioteca procurar outros livros de que gostava mais e ficava a ler. Eu não posso ler muito por causa dos olhos, mas a Anna lia muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia entrei no quarto dela, que nunca foi arrumado. Ficou como estava depois de ela morrer. Só fiz a cama. Mas não mudei a roupa da cama. E também não arrumei a secretária nem arrumei a mesinha de cabeceira que está com um livro do Cioran em cima, com uma marca na página 30. Diga o que disser o escritor, foram as últimas frases que a minha filha leu. Por isso eram frases verdadeiras, certas, porque a minha filha morreu em paz. Outro dia vi qualquer coisa no jornal que o Óscar deixou em cima da mesa da cozinha. Tinha um artigo sobre Cioran. O Serj uma vez, levou O Cioran à praia, já lhe tinha dito? As coisas correram bem ao Serj. Teve uma filha que era muito estudiosa. Mas perdi o fio à meada. Eu falava que andavam as duas no liceu. E aí o Serj começou a vir menos vezes aqui. Ele ainda vinha algumas, mas muitas vezes sozinho e por pouco tempo, porque a Simona já não gostava tanto de vir aqui. Gostava de estar com a Anna, e falavam muito ao telefone. Mas a Simona, sabe as idades. A Simona tinha lá o seu grupo de amigos, e se calhar o seu namorado. A Anna tinha aqui o seu grupo de amigos e o seu namorado. A Simona já não gostava de sair da cidade. A cidade é animada no verão, é quando estão de férias, tem de se aproveitar a idade. O Serj vinha. Mas poucas vezes; Não é bom para um homem andar sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Simona dançava muito bem. Uma vez fomos a Arad vê-la dançar. A uma academia numa festa de Natal da escola onde ela andava. No fim fomos jantar todos à Pizza Hut de um centro comercial do centro. Ficamos duas noites em casa do Serj, era o fim-de-semana antes do Natal. Os gémeos estavam já no ciclo. Trocámos as prendas no restaurante. A Simone dançava muito bem e cantava muito bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Anna dançava… Como dizer… A Anna Dançava… É engraçado…                          &lt;br /&gt;Veja, tenho-a na carteira: Esta é a Anna quando tinha 6 anos. Foi tirada na cozinha de nossa casa. Eu disse ao Óscar para me deixar arrumar a vassoura primeiro. Para que a vassoura não aparecesse na fotografia. Antes dele chegar, a Ana estava a dançar na cozinha com o cão à volta dela aos saltos. A televisão estava ligada num programa da manhã e passava uma música animada de uma banda brasileira em digressão na Roménia. A Ana dançava com uma tshirt que o Óscar lhe tinha trazido de Bucareste. Uma tshirt com uma girafa estampada, a girafa só tinha duas patas e uma bola de futebol ao lado. Tinha uns calções curtos à jogador de futebol dos anos 70, uma gravata cor-de-rosa e uns óculos de sol. A Anna gostava muito dessa tshirt e dormia com ela. Naquele dia de manhã tinha acabado de acordar. Eu tinha-lhe aquecido o leite com chocolate que estava em cima da mesa já frio. O Óscar chegou a casa, com uma máquina fotográfica. Passou por casa só para apanhar umas coisas de que se tinha esquecido e experimentar a máquina. Tinha-a comprado em segunda mão a um cliente que passou pela empresa.&lt;br /&gt; Tirou várias fotografias. Vê aqui esta… Quando chegou à noite já vinha com elas todas reveladas. Sentou a Anna no colo e mostrou-lhe. Disse: Quem é esta menina que eu precisava mais de ver, do que o Moisés precisava de um mar para separar?&lt;br /&gt; Dizia-lhe sempre isso. E a Ana dizia que não tinha sido o Moisés, porque um tio já lhe tinha dito. E ele voltava a repetir e a dar-lhe beijos.&lt;br /&gt;Às vezes à noite ia-se despedir dela ao quarto. Dava-lhe um beijo na testa. Depois contava-lhe uma história que inventava. Uma vez espreitei e ouvi o Óscar a contar-lhe a história do Pastor. Ela adormeceu a meio, mas ele continuou até ao fim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: História do pastor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um pastor que tinha um rebanho de cem ovelhas e queria pô-las a pastar num prado, mas o prado ficava do outro lado do mar. Então apareceu Moisés e disse, eu parto o mar em dois, e tu as tuas ovelhas passam pelo meio. O pastor agradeceu. Mas Moisés mudou de ideias e disse: Afinal, só deixo passar um de vocês dois, por isso escolhe, ou passas tu, ou passam as ovelhas todas. O pastor disse: Então Moisés que passem as ovelhas todas, porque elas precisam de ir pastar e eu posso ficar aqui a dormir porque depois ainda me espera uma longa viagem de regresso. Moisés abriu então o mar para as ovelhas passarem. Depois de passarem todas, o pastor pôs-se a dormir na praia, mas passado pouco tempo Moisés acordou-o e disse: Pastor, tenho fome, quero comer sandes de queijo de ovelha. Tenho aqui pão, mas falta-me o queijo de ovelha. Eu abro-te o mar, e tu vais buscar as ovelhas, e recolhes o leite de uma delas para fazer queijo e trazes-me para pôr no pão. O Pastor aceitou, e Moisés voltou a abrir o mar. Quando Moisés chegou ao outro lado não encontrou as ovelhas, só encontrou um homem que lhe disse: Eu sei onde estão as tuas ovelhas pastor, mas só tas dou se matares o Moisés, é que ele está sempre a abrir e a fechar o mar, e por isso eu tenho que matá-lo, mas é melhor que não seja eu, porque se eu o fizer, fico com as culpas e posso ser julgado por isso. Assim, eu dou-te esta pedra e tu vais lá e atiras-lha, e depois eu devolvo-te as ovelhas. – O Pastor ficou desorientado, mas aceitou, pegou na pedra e foi ter com Moisés que perguntou se ele já trazia o queijo de ovelha, o pastor atirou-lhe com a pedra à cabeça e Moisés caiu. O Mar tinha ficado aberto, e o pastor voltou para trás para apanhar as ovelhas. O homem estava à sua espera, agradeceu que ele tivesse atirado a pedra a Moisés, mas disse: Agora pastor, vou ter de ficar com uma comissão de 40% por ter ficado este tempo todo a olhar pelas tuas ovelhas. E perguntou o pastor: Quanto é que é 40% das minhas ovelhas? – O homem disse – Tu tens 100 ovelhas, por isso 40% do teu rebanho, são 40 ovelhas para mim. O Pastor deu-lhe então 40 ovelhas, e ficou só com 60. Voltou outra vez para trás com as suas 60 ovelhas. Foi então que, atravessando o caminho que Moisés criou, encontrou uma estrela-do-mar e guardou-a no bolso. Mas entretanto Moisés acordou, porque tinha estado só a fingir que estava morto e disse-lhe – Com que então pastor, para além de não me teres trazido o queijo de ovelha, ainda me tentaste matar, e eu que tanto te ajudei ao abrir o mar em dois para tu passares. Então Moisés prendeu o pastor e as ovelhas numa jangada e pediu a Eólo, o deus dos ventos que lançasse uma tempestade sobre o barquito e que eles fossem lançados à sorte dos deuses. Então Eolo lançou ventos fortes que criaram ondas gigantes sobre o mar e o barquito quase ia ao fundo. Ficaram vários dias à deriva no alto mar até que o pastor se lembrou de rezar à estrela-do-mar, e pedir-lhe muita sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrela-do-mar ajudou-o e indicou-o caminho da Irlanda, que era o sítio mais seguro. O barco chegou são e salvo a uma praia da Irlanda, onde há muitos pastos relvados, e o pastor soltou aí as suas ovelhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................................................................................................................................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura a Anna já estava na Academia de Ballett, e em dois anos tornou-se a mais talentosa do grupo. A professora e o director da Academia um dia falaram com o Óscar e disseram-lhe que seria bom levá-la para Bucareste a algumas aulas da Academia de Bailado Clássico Nacional. Uma das melhores Academias de Dança Europeias. Disse que ela quase de certeza seria admitida com uma carta de recomendação, porque tinha muito talento. Mas isso implicava muitas perdas; Também muitos ganhos. Eu e Óscar falamos disso durante muito tempo. Sobre a Anna ir para Bucareste. Abandonar a escola aqui. Irmos todos viver para Bucareste. Mas e os gémeos. E começar tudo? A Academia em Bucareste tinha também escola que a Anna poderia frequentar. O Óscar dizia: A minha menina vai ser uma Estrela. Foi a decisão de que mais me arrependi. O meu marido de vez em quando fala nisso. Decidimos que se veria no fim da escola primária. A Professora achou sensato, porque a decisão implicava também muitos riscos e estávamos com pouco dinheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Simona dançava bem, mas não tinha tanto talento e quando entrou no ciclo desistiu da dança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há algum tempo a Simona conheceu alguns músicos, A Simona canta bem. Criou um projecto a solo. Começaram a dar vários concertos. Um produtor de espectáculos abriu-lhe os caminhos da televisão e a Simone começou a aparecer em todos os programas da Manhã, nos serões da noite, nas emissões especiais. Hoje, as suas digressões são muitas. Ela é bonita, canta bem, alguém lhe escreve as letras e já lançou quatro álbuns: Sim estou a falar da Simona que apresenta agora um concurso para cantores. Essa mesma, minha senhora. A mulher que aparece em mais capas de revistas no nosso país. Sim, é essa Simone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Estrela*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos a Anna queixava-se que lhe doía muito a cabeça. Por telefone, ligava e dizia que lhe doía e que estava com dificuldades em concentrar-se nas aulas. Disse-lhe para  tomar vitaminas e que me explicasse melhor que tipo de dores eram. Estava em Bucareste no último ano de Biologia. Vivia num apartamento, que dividia com duas raparigas. Não disse ao Óscar para não o preocupar. Ele andava com muito trabalho. Tinham recebido uma grande encomenda do principal fornecedor, a ser entregue em Janeiro. Os soldadores iam ser os que tinham que se apressar mais. &lt;br /&gt;Telefonei à Anna um dia pela manhã para o telemóvel mas ninguém atendeu. Liguei várias vezes. Depois ela ligou-me, disse que estava em aulas e estava com o telemóvel em silêncio. Perguntei-lhe se estava melhor. Disse que não. No início pensei que pudesse ser sistema nervoso, estava a acabar a primeira semana de Dezembro. Aproximavam-se os exames e para além disso tinha dois trabalhos de grupo que tinha que entregar antes do dia 20. Mas fiquei preocupada. Telefonei para a empresa e mandei chamar o Óscar. Ele atendeu. Disse que tínhamos de ir a Bucareste buscar a Anna porque ela não se sentia muito bem. Ele veio passado pouco tempo. Estava nervoso. Expliquei-lhe pelo caminho. A Anna tinha desmaiado na noite anterior e ainda não tinha ido ao médico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telefonei à Anna pelo caminho, disse-lhe para ela não sair de casa. Quando chegamos ela estava a dormir no quarto, uma das colegas delas levou-nos lá. Acendemos as luzes e chamámo-la. Ela acordou. Disse que estava tonta. Levantou-se, tinha pouco equilíbrio. Fomos ao Hospital Universitário. O Óscar ia a conduzir muito depressa. Uma das amigas dela veio também. Estava preocupada. Foram muito rápidos a atender-nos. Fizeram exames na mesma noite. Eu estava na sala de espera com a amiga da Anna e íamos falando. A sala estava cheia. O Óscar estava sempre a vir cá fora fumar. Telefonou para o director da empresa e disse que ia ter de ficar mais uns dias em Bucareste. A Anna ia ficar internada. A amiga disse para ficarmos lá em casa e dormimos no quarto da Anna esses dias. Um dia de manhã, o médico, que era muito simpático falou-me do tumor. Um tumor cerebral, maligno e galopante. Um tumor em forma de estrela. As minhas irmãs e a minha mãe vieram para Bucareste. Trouxeram os gémeos. Passado três dias, o médico disse que não valia a pena ser operada. O melhor seria vir para casa, onde poderia ficar mais à vontade e estar em família. Voltamos para casa e  foi o último Natal da Anna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos ainda juntos o Ano Novo, mas no início de Janeiro começou a piorar muito rápidamente. Perdia cada vez mais o equilíbrio. Estava cada vez mais tonta. Não tinha dores, mas a medicação que as tirava deixava-a desorientada, com muitos lapsos de memória. A casa estava sempre cheia de visitas, familiares e amigos. A minha filha perdia cada vez mais o equilíbrio. E o Óscar andava cada vez mais à deriva, e os gémeos andavam cada vez mais à deriva e o cão também andava à deriva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sonhei a morte. Uma morte europeia e travesti, com uns boxers apertados e às riscas. Nunca esquecerei o seu cheiro. Carrego-o todos os dias por baixo da língua como uma bola de algodão. Veio buscar a Ana. Com os seus boxers às riscas. Nunca vi figura mais ridícula. Acho que me ri dela no sonho, parecia uma personagem de uma novela negra japonesa, mas com menos classe: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebi se era um homem ou uma mulher, parecia um relâmpago preso dentro de um casaco verde da Prada, um relâmpago reprimido, mas ainda assim colossal , com as suas virilhas acesas, muito controlado, como uma dama aflita prestes a perder a controlo. Um relâmpago de saltos altos, muito compridos, pronto para explodir num orgasmo de luz e som, num Big-Bang desorientado. Mas que se controla e só explode para dentro, cada vez mais para dentro, muito educadamente minga até um estado inofensivo. Até ser um relâmpago-menino. O casaco verde ficava-lhe extremamente sexy a essa morte branca e láctea, como uma Puma feita de nata que, num voo muito elegante se atirou à minha cara: Um país a ambicionar o esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma manhã a Anna ainda dormia e fui à cozinha preparar-lhe torradas, adivinhando que ela já não deveria demorar muito a acordar. Depois fui ao quarto dela e deixei lá o prato. O livro do Cioran estava aberto. Ajeitei a marca e fechei-o. Deu-me um quase ataque de pânico que se parecia um rio. Mas controlei-me e não comecei a chorar. Vim cá para a porta de casa e aí explodi, um choro logo controlado e reprimido. Depois um sorriso, porque podiam aparecer os meninos que deviam estar quase a acordar, coitadinhos, a imagem dos dois a dormir quase me fez outra vez explodir. - Não chora – Disse para mim como se fosse uma criança, repeti as frases em pensamento várias vezes, mas com vozes interiores diferentes, sem dizer nada, imaginei muitas vozes cómicas a dizerem-na: Não chora, um antigo colega de escola a dançar um twist muito divertido e com uma panela na cabeça, a dizer a frase, e depois ri-me, e não conseguia parar de rir. E passou uma mota em frente a casa, e o homem com o seu capacete ridículo ficou a olhar para mim e eu tive vergonha. Depois ri-me ainda mais do capacete dele e imaginei-o a dançar. O meu riso era já uma ameaça profunda e tive medo de ficar preso a ele, atrelada à loucura, atrelada à mota do homem do capacete ridícula e ser arrastada pela estrada até ao Mar Morto: E lá o homem da mota estacionar ao lado de Cioran que escreve em cima de um banco no seu caderno preto, o esboço do livro que a minha filha está ler; Lembrei-me dos meninos, fui lavar a cara muito rápido, sem me olhar ao espelho. Entrei no quarto. Estavam a dormir. Fui ao meu quarto ver o Óscar. Estava a dormir, parecia uma criança. Beijei-lhe a testa. Fui à sala o cão estava a dormir mas a ter pesadelos profundos e soluçava como se fosse ter um ataque. Meti-lhe a mão no pelo e acordei-o devagar, ele levantou o focinho, acalmou-se e voltou a dormir. Depois vesti-me para ir comprar cigarros ao Óscar, porque ele estava sem tabaco, trouxe-lhe também o jornal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpa pela obsessão minha amiga, mas há muito tempo que não falava com ninguém * No quarto rezei a São Longuinho  e fiquei a olhar para a Anna. Rezei também a Santa Cecília e só pedi que fosse sem sofrimento a partida. Vi duas joaninhas, no parapeito da janela a subirem para umas flores muito bonitas, que uns amigos tinham trazido para a minha filha. As joaninhas subiram até às pétalas e voaram pelo quarto até à testa da Anna. Pousaram na sua testa e depois desceram devagarinho com as suas patitas como se mancassem felizes, em direcção aos olhos da Anna, pousaram na parte de cima das pálpebras e depois levantaram voo e saíram pela janela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois, como num milagre medieval, sonhei, que uma Nossa Senhora muito bonita me chamava, levantei-me da cama e fui ter com ela, os seus braços não eram de carne, mas sim de relâmpago. Também a sua auréola era um relâmpago vivo e circular, como que trabalhado durante anos por Volcano e Júpiter, era o mais perfeito círculo que havia visto. A Nossa Senhora trazia um vestido lindo e toda relâmpago abriu os seus braços. Senti-me muito atraída, como se já não fosse mulher, mas sim um homem, tinha um desejo incontrolável de possuir aquela mulher tão linda. Foi isso que fiz no sonho, abraçamo-nos e deitamo-nos na cama da Anna, e fizemos amor durante muito tempo. O sonho foi lindo. Lembro-me que o relâmpago era cada vez mais brilhante e sincero, vestia também ele o casaco verde da Prada, e não o manto branco com que me chamou. Nossa Senhora dos Relâmpagos estava cada vez mais bela…&lt;br /&gt; Levou-me pela mão até à Anna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca gostei de estrelas, quando me lembro de estrelas, penso em chaves de estrelas e no Óscar a mudar o pneu do carro. Penso numa faca que tenho para cortar piza, que também é em forma de estrela, penso nas estrelas de Natal, e penso nos gémeos que birram todos os Natais, porque querem os dois pôr a estrela no cimo da árvore. Pego nos dois e põem os dois a estrela. Penso nas estrelas-do-mar que a Anna nunca viu, porque o Mar Negro é muito salgado e as estrelas-do-mar dão-se mal na água muito salgada: Preferem-na mais límpida, clara e doce. Penso também em estrelas de música, como a Simona, penso em estrelas de futebol, como o Dan Petrescu. Penso na relação que elas podem ter com a gente a sério, porque as estrelas só existem e brilham na relação que têm com as pessoas.&lt;br /&gt;Mete-me nojo ver homens a olhar para as estrelas, imaginar o que é que esses pobres diabos podem estar a pensar. Rober Diaz descreve-os como “pedófilos a olhar para o crepúsculo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei por ler finalmente o livro de Emil Cioran. Despertou-me a atenção a frase: &lt;br /&gt;O momento em que pensamos ter compreendido tudo, dá-nos ar de assassinos – A frase estava sublinhada pela Anna, num traço forte e seguro, de confirmação. Ao lado numa das margens a Ana escreveu estas duas frases:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O momento em que pensamos ter compreendido tudo é ridículo -&lt;br /&gt; - Compreender tudo é ridículo -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito, 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2955966080372280281?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2955966080372280281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2955966080372280281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2955966080372280281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2955966080372280281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/12/estrela.html' title='A Estrela'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7786936514423342895</id><published>2009-01-11T19:54:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T19:55:35.809-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Holocausto tropical</title><content type='html'>“Limpa com os dedos o nariz, observa espantado o ranho, deita-o fora ou come-o, o teu gesto não terá ligação com o seguinte”: Jean Genet –Infernos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemos carne de porco no dia de festa&lt;br /&gt;No dia de festa comemos carne de porco&lt;br /&gt;E qual visita guiada ao Vietname da Alma as nossas festas atraem demónios&lt;br /&gt;E eu manifesto habilmente a minha necessidade de escrever sem escrever&lt;br /&gt;Ou seja viver por ti adentro. &lt;br /&gt;A tua cara tapada por um holocausto tropical &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumámos ontem toda a Gaza –  &lt;br /&gt;Uma antiga cidade  em mortalha de prata&lt;br /&gt;Os anjos estão presos magneticamente a uma qualquer cidade celeste&lt;br /&gt;Compra no LIDL – tem antenas de prata- &lt;br /&gt;Numa das antenas da CNN urina um pobre cigano&lt;br /&gt;Nunca será notícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito, 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7786936514423342895?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7786936514423342895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7786936514423342895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7786936514423342895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7786936514423342895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/01/holocausto-tropical.html' title='Holocausto tropical'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2447426700213598044</id><published>2009-01-11T19:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T19:54:05.358-08:00</updated><title type='text'>Abismo à portuguesa - continuação</title><content type='html'>Abismo à Portuguesa 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estranha forma de acordar que é estar pronto para dormir”&lt;br /&gt;Manuel Cruz - Tanque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonha para mim um abismo dourado &lt;br /&gt;Um abismo à portuguesa&lt;br /&gt;Com toda a sua chama, toda a sua Vida &lt;br /&gt; – Assim que houver abismo e assim que houver portuguesas com os seus cabelos sexys  e mãos sexys e que com a sua linha dourada  teçam  o destino do nosso país. &lt;br /&gt;O mar está fora de moda e nós estamos rodeados de mar… &lt;br /&gt;Ao primeiro marinheiro que chegar ao nosso triste povoado – hei-de apanhá-lo na doca &lt;br /&gt;Fazer-lhe um broche à portuguesa – pô-lo louco – fazê-lo vir-sena minha boca – &lt;br /&gt;dentro de mim A literatura vive &lt;br /&gt;Gosto dos escritores que nunca escreveram, sobretudo esses me são favoráveis&lt;br /&gt;Escritores que como Perseu  entram nas melhores pastelarias de Montevideu  para  comerem bolos dourados e mijarem em urinóis de prata. &lt;br /&gt;Mijam em urinóis de prata a dez quilómetros de Montevideu&lt;br /&gt; quero mais do que a vida&lt;br /&gt;Ontem vieram ter comigo homens tristes, acho que lhes dei confiança sou bem capaz disso&lt;br /&gt;Aliás sou capas de tudo e tenho medo disso -  nunca te apaixones por mim o mais provável é encontrares-me numa pastelaria de Berlim a fabricar bolos para os escritores comerem   enquanto escrevem nos seus guardanapos isto e aquilo  porque tudo é isto e aquilo mas será preciso dizê-lo ? Esses guardanapos hão de servir de alimento aos pássaros que não debicam só migalhas, pelo menos os alemães, mas toda uma literatura, todos  os guardanapos à saída da esplanada:  toda uma literatura de vanguarda comida, reciclada, escondida, descoberta nos casacos dos mortos  -- e eu a rir-me com sarah kane – ela ri-se e nós rimo-nos porque  somos pessoas a sério ou temos medo de o ser  - E porque temos casacos de marca e isso dá conforto. &lt;br /&gt; Tenho um medo violento – Amo tudo quanto fluí tal Milton – do extremo do corpo ao extremo da alma  – a experiência mais profunda – um abismo doce e alucinado à portuguesa – &lt;br /&gt;(Como os teus olhos) para onde todos saltem à doida português atrás de português – do extremo do corpo digo –o mar está fora de moda&lt;br /&gt;Mata agora os nossos marinheiros – o peixe está contaminado – a droga vem do mar – os cadáveres vem do mar – vem do mar a literatura triste do nosso país. &lt;br /&gt;porque é que o mar vai e vem? Porque é que ele não fica quieto– a questão foi levantada por um filósofo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rober Diaz e Vítor Teves&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2447426700213598044?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2447426700213598044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2447426700213598044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2447426700213598044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2447426700213598044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/01/abismo-portuguesa-continuao.html' title='Abismo à portuguesa - continuação'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5470426723589446715</id><published>2009-01-03T01:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-03T01:26:21.043-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nuno Brito'/><title type='text'>Uma ideia para José Saramago</title><content type='html'>Porque não vir uma onda (daquelas que Melville e Conrad viram mesmo) e essa onda entrar por Portugal a dentro e engolir o nosso país com aspecto de uma cara triste, sempre melancólico e obssessivo ficar coberto de água. &lt;br /&gt;Conseguem escapar as gaivotas e os poetas tristes nadam até uma França que espera a submerssão.&lt;br /&gt; Não para apanhar ratos, "tipo anos 60" mas para produzir o modernismo visceral - tipo XXI que do México tal onda tsunami atinge uma costa portuguesa desprotegida mas com boas antenas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5470426723589446715?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5470426723589446715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5470426723589446715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5470426723589446715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5470426723589446715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/01/uma-ideia-para-jos-saramago.html' title='Uma ideia para José Saramago'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3271730184531798592</id><published>2009-01-01T22:19:00.001-08:00</published><updated>2009-01-01T22:22:04.525-08:00</updated><title type='text'>A Revolução Industrial na Magna Grécia</title><content type='html'>Ensaio produzido por um sujeito colectivo que é Vítor Esser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa Senhora de Chernobill, de Minamara, &lt;br /&gt;De Nagasaki e de Guantanamo&lt;br /&gt;Dirijo-me a ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, três pastorinhos belgas, irmãos da mesma mãe e mesmo pai, crentes no Espírito Santo, fomos procurar emprego numa pequena cidade industrial da fronteira com França, uma pequena cidade onde o sol é tapado pelo fumo das fábricas e onde todos os dias há aparições marianas, o nosso pai vendeu um rebanho para pagar dívidas de jogo, nosso pai bebia muito, a bebida não ajudava muito nosso pai – nós fomos a Chernobill procurar emprego numa central nuclear – vimos lá dentro Diabo a masturbar-se num reactor avariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou escrever como uma possessa através de ti, através das tuas mãos, sou Diana uma princesa grega, hoje é dia de natal na Magna Grécia, mas eu aqui sentada com todos os semi-deuses da idolatria aguardo o nascimento do cristianismo. Todos os dias naquele monte ali em cima vejo serem crucificados salteadores de túmulos e vendedores de serviços virtuais, &lt;br /&gt;Todos pagam os seus pecados, vejo pedófilos tristes a verem o HI5 das meninas porcas às seis da manhã a olharem para o monitor. O pedófilo a pestanejar masturba-se para dentro de uma terrina, um vaso grego – que Diabo atira contra um muro – Porque o vidro está associado à solidão – porque o vidro separa …&lt;br /&gt; Eu, sentada aqui ao lado de Diabo dito para ti –olho para o espelho e não vejo nada, sou um espelho a olhar para um espelho, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existiu na Magna Grécia uma fábrica de espelhos em que todos os artífices eram cegos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EU vi-te no youtube&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vítor Esser&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3271730184531798592?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3271730184531798592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3271730184531798592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3271730184531798592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3271730184531798592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/01/revoluo-industrial-na-magna-grcia.html' title='A Revolução Industrial na Magna Grécia'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1386719104216791310</id><published>2009-01-01T22:01:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T22:06:16.115-08:00</updated><title type='text'>Abismo à Portuguesa</title><content type='html'>para Vítor Teves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo que Jesus não me esporre hoje na boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; não me esporre hoje na boca senhor jesus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor jesus senhor jesus senhor Jesus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Escrever é corrigir a vida”[i] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o esperma que escorre dos lábios de Maria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há de gerar um Semi-Deus  Forte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feito para  desenhar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma anunciação a tinta dourada quando houver tinta dourada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trezentas mil ovelhas caminham rumo a um “abismo à portuguesa”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O decifrador de sinais vê nesta frase uma absurda falta de simbologia, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe que eu adoro de uma forma bem primitiva  um hitler recém nascido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as suas cuequitas apertadas e o rugido do mundo que clama por uma Mão de Ferro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deliro só de imaginar o  seu doce esperma quentinho na minha boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Mona a Lisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Lenine&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem dei a mão a virgílio, Ele guiou-me pela tua boca, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conduziu-me à máxima experiência humana, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estremecimento de um holocausto digital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem fundo nos teus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Anunciação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nuno Brito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[i] Enrique Vila-Matas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1386719104216791310?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1386719104216791310/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1386719104216791310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1386719104216791310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1386719104216791310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2009/01/abismo-portuguesa.html' title='Abismo à Portuguesa'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-6588665770048228417</id><published>2008-12-19T19:27:00.000-08:00</published><updated>2008-12-19T19:29:10.309-08:00</updated><title type='text'>Mondongo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SUxmZlZO7JI/AAAAAAAAAMc/OeXVlFSF2ic/s1600-h/mondongo2Bk.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 201px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SUxmZlZO7JI/AAAAAAAAAMc/OeXVlFSF2ic/s400/mondongo2Bk.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281709052719459474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SUxmOhTxomI/AAAAAAAAAMU/OtT9mMCuzUM/s1600-h/mondongo5B.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 201px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SUxmOhTxomI/AAAAAAAAAMU/OtT9mMCuzUM/s400/mondongo5B.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281708862644265570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-6588665770048228417?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/6588665770048228417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=6588665770048228417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6588665770048228417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/6588665770048228417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/12/mondogo.html' title='Mondongo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SUxmZlZO7JI/AAAAAAAAAMc/OeXVlFSF2ic/s72-c/mondongo2Bk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2549426842881257274</id><published>2008-10-20T14:10:00.001-07:00</published><updated>2008-10-20T14:10:48.706-07:00</updated><title type='text'>Delírio Húngaro</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como a Morfina, tiro a dor ao homem&lt;br /&gt;Quem me olha nos olhos nunca mais será livre&lt;br /&gt;Sou a mulher mais bela de todas as mitologias&lt;br /&gt;Sou o paraíso em vida – o mais perigoso de todos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou loucura criadora&lt;br /&gt;Patrícia, a Irmã de Deus&lt;br /&gt;Os meus filhos são todas as coisas,&lt;br /&gt; Todas as possibilidades minhas filhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Induzo os mais complexos suicídios,&lt;br /&gt;Dou a vida e tiro a vida e não acho isso bem nem mal porque sou uma flor e as flores não julgam – são indiferentes e tristes &lt;br /&gt;Aconselho os românticos alemães a pegarem nas suas espingardas e a lutarem por causas inúteis &lt;br /&gt;Meto-lhes pólvora nas armas, &lt;br /&gt;Provoco-lhes os Maiores prazeres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou feita de carne e não de luz – &lt;br /&gt;Sou Nossa Senhora do Pólo Norte &lt;br /&gt;a ver o sol derreter-se&lt;br /&gt;e pingar sobre o gelo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o sonho de um camelo deficiente&lt;br /&gt;O delírio das gémeas siameses &lt;br /&gt;O pesadelo de quatro girafas recém nascidas &lt;br /&gt;A paralisia é o contrário de Deus &lt;br /&gt;- dizias&lt;br /&gt;Por baixo das minhas saias, afago-te a cabeça - &lt;br /&gt;Sou as cinzas de um ditador a voar no bico de um corvo&lt;br /&gt;todos os vendedores de marmelada na fronteira do Iraque &lt;br /&gt;Por baixo das minhas saias - torna-se bem evidente que te amo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a possibilidade –&lt;br /&gt;Na minha boca os bois lavram os campos,&lt;br /&gt;Deixam as marcas carolinas das suas patas&lt;br /&gt;O arado escreve na minha língua uma rima de Petrarca&lt;br /&gt;Em letra carolina da mais perfeita caligrafia &lt;br /&gt;Mi fluorescente métrica nova&lt;br /&gt;La porole ideal, &lt;br /&gt;As fadas papistas de tule&lt;br /&gt;Lambuzam-se de geleia e compotas&lt;br /&gt;Sonhos: os mais doces, por exemplo&lt;br /&gt;África partiu-se ao meio&lt;br /&gt;Na minha boca África inteira&lt;br /&gt;Na minha boca os bois lavram os campos&lt;br /&gt;Link, link, link, link&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo de ficar sozinha, com a deusa da fertilidade a roer-me o &lt;br /&gt;Útero&lt;br /&gt;Os desejos mais fundos – de um operador de gruas&lt;br /&gt;A boca cheia de neve &lt;br /&gt;Os cabelos a arder ao som da música – ruivos – os phones !&lt;br /&gt;As nuvens do sonho são menos bonitas&lt;br /&gt;Flocos de neve em Bruxelas, os anjos aquecem-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorro todos os dias uma auto estrada de prata que vai &lt;br /&gt;Até ao centro da tua alma&lt;br /&gt;O prazer está em cada átomo &lt;br /&gt;Em cada átomo – o universo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pasteleiros batem a massa em toda a Hungria&lt;br /&gt;na Alta Hungria&lt;br /&gt;E na Baixa Hungria&lt;br /&gt;Amanhã os meninos húngaros, os mais gulosos - &lt;br /&gt;os pasteleiros húngaros, os mais tristes&lt;br /&gt;Olha para mim nos olhos &lt;br /&gt;tenho os olhos tristes, dizias:&lt;br /&gt;Os mais tristes de todos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violeta de Gand, 19-10 -2008&lt;br /&gt;Nuno Brito 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2549426842881257274?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2549426842881257274/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2549426842881257274' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2549426842881257274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2549426842881257274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/10/delrio-hngaro.html' title='Delírio Húngaro'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-9201187957704486933</id><published>2008-10-09T08:22:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T08:31:48.956-07:00</updated><title type='text'>COISAS DE PARTIR</title><content type='html'>Tento empurrar-te de cima do poema&lt;br /&gt;para não o estragar na emoção de ti;&lt;br /&gt;Olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,&lt;br /&gt;a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:&lt;br /&gt;tudo coisas de ti, mas coisas de partir...&lt;br /&gt;E o meu alarme nasce: e se morreste aí,&lt;br /&gt;no meio do chão sem texto que é ausente de ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se já não respiras? Se eu não te vejo mais&lt;br /&gt;por te querer empurrar, lírica de emoção?&lt;br /&gt;E o meu pânico cresce: Se tu não estiveres lá?&lt;br /&gt;E se tu não estiveres onde o poema está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço eroticamente respiração contigo:&lt;br /&gt;primeiro um advérbio, depois um adjectivo,&lt;br /&gt;depois um verso todo em emoção e juras.&lt;br /&gt;E termino contigo em cima do poema, &lt;br /&gt;presente indicativo, artigos às escuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Luisa Amaral&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-9201187957704486933?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/9201187957704486933/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=9201187957704486933' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9201187957704486933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/9201187957704486933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/10/coisas-de-partir.html' title='COISAS DE PARTIR'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3955777675761788862</id><published>2008-10-09T07:45:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T07:51:11.470-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O tempo é uma provação da mágoa&lt;br /&gt;Não é um remédio -&lt;br /&gt;Tal provaria, se fosse um remédio,&lt;br /&gt;Que não existia doença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily Dickinson in Bilhetinhos com poemas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3955777675761788862?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3955777675761788862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3955777675761788862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3955777675761788862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3955777675761788862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/10/emily-dickinson.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-901897517757561540</id><published>2008-10-03T16:11:00.001-07:00</published><updated>2008-10-03T16:11:50.869-07:00</updated><title type='text'>Charlos Bukowsky  - Dinosauria, We</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KdWaOXgDQM4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KdWaOXgDQM4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-901897517757561540?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/901897517757561540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=901897517757561540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/901897517757561540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/901897517757561540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/10/charlos-bukowsky-dinosauria-we.html' title='Charlos Bukowsky  - Dinosauria, We'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3526347546254771400</id><published>2008-09-29T08:38:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T08:56:10.979-07:00</updated><title type='text'>Ívan o terrível no Alentejo -  Alexandre Pinheiro Torres</title><content type='html'>Ívan o terrível no Alentejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi exibido pela primeira vez nesta aldeia&lt;br /&gt;não longe do Torrão onde nasceu Bernardim&lt;br /&gt;Ivan o Terrível O ecrã era um lençol enorme&lt;br /&gt;estendido como um olho branco entre dois sobreiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os camponeses fitaram esse olho inquieto cheio&lt;br /&gt;de sombras de lírios durante horas sem fim&lt;br /&gt;Ou era que a eternidade concentrara&lt;br /&gt;por detrás do pano o magnetismo do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais tarde os camponeses regressaram&lt;br /&gt;através da charneca Com eles ia o olho branco&lt;br /&gt;levando-os pela mão E ajudava as crianças&lt;br /&gt;a atravessar esperanças apenas de riachos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram por fim às suas cabanas Tarde&lt;br /&gt;E pela primeira vez os homens esperaram que as mulheres&lt;br /&gt;se descalçassem e se lavassem da poeira&lt;br /&gt;do caminho Depois beijaram-lhes os pés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pares de namorados foram ainda procurar&lt;br /&gt;résteas de um seco rio Num pequenino charco&lt;br /&gt;procuraram em vão  rosto de Ivan Mas ele ardia&lt;br /&gt;alto e ardia ainda num céu de pano branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Pinheiro Torres in "Círculo de poesia" - Moraes Editores 1981&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3526347546254771400?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3526347546254771400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3526347546254771400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3526347546254771400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3526347546254771400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/ivan-o-terrvel-no-alentejo-alexandre.html' title='Ívan o terrível no Alentejo -  Alexandre Pinheiro Torres'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8223262207870526873</id><published>2008-09-29T07:54:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T07:57:57.951-07:00</updated><title type='text'>Adília Lopes - O meu tempo</title><content type='html'>Agora as pessoas&lt;br /&gt;não sabem morrer &lt;br /&gt;estar doentes&lt;br /&gt;sofrer&lt;br /&gt;ter prazer&lt;br /&gt;tocar-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dantes também não&lt;br /&gt;( Ó mais nu&lt;br /&gt;e branco dos homens)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adília Lopes in "O Peixe na Água" E etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8223262207870526873?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8223262207870526873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8223262207870526873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8223262207870526873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8223262207870526873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/adlia-lopes-o-meu-tempo.html' title='Adília Lopes - O meu tempo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-102479640221653505</id><published>2008-09-29T07:45:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T07:49:50.344-07:00</updated><title type='text'>Luiz Pacheco</title><content type='html'>XXVI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor que a mulher é o vinho&lt;br /&gt;que faz esquecer a mulher...&lt;br /&gt;que faz dum amor já velhinho&lt;br /&gt;ressurgir novo prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finale, muito católico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XXVII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asiim termina o Lamento&lt;br /&gt;pois recordar é sofrer.&lt;br /&gt;Ama e fode. É bom sustento!&lt;br /&gt;E por nós reza um pater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Pacheco in "Coro dos Cornudos" - Contraponto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-102479640221653505?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/102479640221653505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=102479640221653505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/102479640221653505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/102479640221653505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/luiz-pacheco.html' title='Luiz Pacheco'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2634432429525784651</id><published>2008-09-29T06:13:00.000-07:00</published><updated>2008-09-29T06:16:01.500-07:00</updated><title type='text'>SESSÃO DE POESIA MEXICANA - CAFÉ PROGRESSO / POETRIA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SODUz-ubCWI/AAAAAAAAAGI/TwNubFDPz-s/s1600-h/progress_setembro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xTUFhnnqvKM/SODUz-ubCWI/AAAAAAAAAGI/TwNubFDPz-s/s400/progress_setembro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251431154990123362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Livraria Poetria realiza uma sessão de "Poesia mexicana" no próximo dia 2 de Outubro, pelas 21,30h. no Café Progresso, com leitura de poemas por José Carlos Tinoco, Cláudia Novais, Nuno Meireles e Susana Guimarães. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será servido um cálice de tequila.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2634432429525784651?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2634432429525784651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2634432429525784651' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2634432429525784651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2634432429525784651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/blog-post_29.html' title='SESSÃO DE POESIA MEXICANA - CAFÉ PROGRESSO / POETRIA'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1620768289748588465?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1620768289748588465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1620768289748588465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1620768289748588465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1620768289748588465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/emily-dickinson.html' title='Emily Dickinson'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8462214078108449798</id><published>2008-09-28T15:48:00.001-07:00</published><updated>2008-09-28T15:50:58.773-07:00</updated><title type='text'>Os três pastorinhos búlgaros</title><content type='html'>Nossa Senhora não se esquece da Bulgária,&lt;br /&gt;Depois da escola os três pastorinhos vão lanchar&lt;br /&gt;Pães com manteiga molhados no café com leite&lt;br /&gt;Leite quente – faz frio – na montanha&lt;br /&gt;Muito frio na montanha BRRHh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa Senhora não se esquece do povo búlgaro,&lt;br /&gt;Dá-lhes frio quando é preciso e sol quando é preciso,&lt;br /&gt;Quando é preciso os búlgaros também têm neve,&lt;br /&gt;As ovelhas sobem a montanha seguindo os passos dos&lt;br /&gt;Três pastorinhos – sobem as ovelhas, sobem as pessoas,&lt;br /&gt;descem as ovelhas, descem as pessoas&lt;br /&gt;descem a montanha, as pessoas e as ovelhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa senhora não se esquece da Bulgária&lt;br /&gt;Aparece sempre bela e provocante aos búlgaros&lt;br /&gt;no seu vestido de seda vermelha, &lt;br /&gt;braços macios, não feitos de luz, mas de carne humana&lt;br /&gt;ajoelham-se diante dela á sombra duma oliveira&lt;br /&gt;Os três pastorinhos búlgaros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8462214078108449798?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8462214078108449798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8462214078108449798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8462214078108449798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8462214078108449798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/os-trs-pastorinhos-blgaros.html' title='Os três pastorinhos búlgaros'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' 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/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/734741664640419317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=734741664640419317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/734741664640419317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/734741664640419317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/mrio-cesariny-h-uma-hora.html' title='Sylvia Plath - Daddy'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1603787724636361512</id><published>2008-09-28T14:37:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T14:41:25.679-07:00</updated><title type='text'>Mário Cesariny - Há uma hora</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yDWSlNdYXx8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/yDWSlNdYXx8&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1603787724636361512?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1603787724636361512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1603787724636361512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1603787724636361512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1603787724636361512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/sylvia-plath-daddy_28.html' title='Mário Cesariny - Há uma hora'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5730322548804892749</id><published>2008-09-27T17:25:00.001-07:00</published><updated>2008-09-28T15:50:33.291-07:00</updated><title type='text'>As idólatras formigas do mal</title><content type='html'>O vento frio assobia e corre dentro do osso&lt;br /&gt;Voando triste de um lado ao outro do esqueleto;&lt;br /&gt;Sem medo,&lt;br /&gt;Percorre-o até ao arrepio,&lt;br /&gt;Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos,&lt;br /&gt;As extremidades violentas das pessoas dentro dos carros pretos,&lt;br /&gt;Passa um barco a apitar de uma ponta à outra do crânio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A medula, a caixa craniana ressoa&lt;br /&gt; Quando batida como um tambor contra os faróis de um camião&lt;br /&gt;A medula, A caixa craniana,&lt;br /&gt;Os ossos das mãos, os finos ossos dos dedos&lt;br /&gt; A Rússia inteira com fome,&lt;br /&gt;Com todos os seus dedos e articulações &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sagrada família esculpida em açúcar&lt;br /&gt;apocalipse em braille…&lt;br /&gt;As idólatras formigas do mal comem um menino Jesus de açúcar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito, 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5730322548804892749?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5730322548804892749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5730322548804892749' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5730322548804892749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5730322548804892749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/as-idlatras-formigas-do-mal.html' title='As idólatras formigas do mal'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8582803168509658725</id><published>2008-09-27T17:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T17:24:19.646-07:00</updated><title type='text'>A Fome da primeira Loba</title><content type='html'>I. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina sem braços tenta alterar a ordem das coisas,&lt;br /&gt;A menina sem braços, ela&lt;br /&gt;Só ela, claro, consegue alterar a ordem das coisas, Ela&lt;br /&gt;Só ela claro, &lt;br /&gt;a menina é loba e tem leite e fertilidade &lt;br /&gt;Como só as grandes lobas, tem realmente Poder&lt;br /&gt;A menina não é Deus&lt;br /&gt;A menina tem mais sangue e é mais coisa …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é real o menino com fome&lt;br /&gt;Não é real o dragão&lt;br /&gt;Não é real o tiro na boca&lt;br /&gt;Não é real&lt;br /&gt;A lama a entrar na veia &lt;br /&gt;Não é real,&lt;br /&gt;Não é real,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é real…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente acabar com todas as guerras, porque há mais guerras em espera que só podem começar quando estas tiverem acabado. E as nossas metralhadoras, a quem as podemos vender senão aos nossos inimigos e aos filhos deles? Para que ao menos eles tenham qualquer coisa com que nos atacar, não somos assim tão cruéis. Damos-lhes as pedras com que nos atiram à cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde há ursos polares há repórteres a fotografarem ursos polares&lt;br /&gt;Ou a comerem ursos polares, &lt;br /&gt;Onde há petróleo há xerifes de turbante a injectar leite condensado directamente no osso …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pasteleiro bate a massa e isso é natural&lt;br /&gt;O vidreiro esculpe o vidro e isso é natural…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Que se foda todo o simbolismo,&lt;br /&gt;Aqui temos pessoas a sério de carne e osso &lt;br /&gt;Físicas e não simbólicas&lt;br /&gt;Pasteleiros, montadores de andaimes, condutores de gruas, exorcistas,&lt;br /&gt;Todos pagam o IRS a tempo,&lt;br /&gt; Todos choram ao fim do dia, em frente aos crucifixos invisíveis do pensamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos vêm os jogos do Chelsea!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pasteleiros amassam a massa e acreditam na vida além da morte.&lt;br /&gt;Os vidreiros esculpem o vido e acreditam na vida além da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vidreiros sopram a cerâmica, a platina, o gesso&lt;br /&gt;As gaivotas e os albatrozes ficam com as patas presas no petróleo e isso é natural. Às vezes uma borboleta é atingida involuntariamente por um esguicho de urina e as suas asinhas não conseguem mais bater. Uma dolorosa morte que de tão natural e pacífica ultrapassa todas as melhores visões do Universo… O assassino da natureza entra depois no seu carro e segue o seu caminho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas costas frias de mármore sobe um caracol …&lt;br /&gt;RIP&lt;br /&gt;Indiferente à vida e à morte &lt;br /&gt;pelas asas de mármore de um anjo-menino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costas de mármore,&lt;br /&gt; Esculpida.&lt;br /&gt;Cimentar, fortalecer uma relação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construir laços, de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar os gestos&lt;br /&gt;mudou&lt;br /&gt;foi,&lt;br /&gt;A lâmpada partiu-se mas contínua acesa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito - 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8582803168509658725?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8582803168509658725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8582803168509658725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8582803168509658725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8582803168509658725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/fome-da-primeira-loba.html' title='A Fome da primeira Loba'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3791452844659375071</id><published>2008-09-27T17:20:00.001-07:00</published><updated>2008-09-28T15:50:05.571-07:00</updated><title type='text'>Exorcismo ao pasteleiro do século XXI</title><content type='html'>I. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas dormem de mãos dadas em Minamara&lt;br /&gt;As duas gémeas&lt;br /&gt; Com as suas cabecitas encostaditas,&lt;br /&gt; Como duas lobas com toda a fertilidade &lt;br /&gt;As duas meninas ainda sem mamas&lt;br /&gt;São mais braços e pernas entrelaçadas que outra coisa&lt;br /&gt;Num labirinto pouco geométrico mas muito quente&lt;br /&gt; uma respiração única&lt;br /&gt;A febre causa-lhes um único sonho delirante:&lt;br /&gt;Por toda a cidade estão a enforcar girafas no cimo das gruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o lado há girafas mortas amarradas no cimo das gruas&lt;br /&gt;Às vezes cavalos brancos também são enforcados&lt;br /&gt; As duas gémeas continuam abraçadas&lt;br /&gt;Agora com uma respiração mais rápida e ofegante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas meninas são já uma só coisa…&lt;br /&gt;O vento atira-lhes areia para a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai droga do olho de Maria&lt;br /&gt;Jesus partiu-se ao meio e tinha cocaína dentro,&lt;br /&gt;Os carneiros e os bois também se partiram em bocados…&lt;br /&gt;A porcelana está mais assustadora&lt;br /&gt;Maria injecta o caldo na veia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há droga no bairro chic&lt;br /&gt;Hoje vais ter que injectar vinagre chic…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderoso vidente trabalha amarrações fortíssimas&lt;br /&gt;Precisa-se cortador/a para trabalhar no talho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro: empresto na hora sobre o seu carro e também sobre casas&lt;br /&gt;Tel: XXXXXXXXXXX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um crucifixo fluorescente e extremamente triste cumpre a sua missão&lt;br /&gt;O pescador contínua sem aparecer, &lt;br /&gt;os pescadores nunca aparecem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito, 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3791452844659375071?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3791452844659375071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3791452844659375071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3791452844659375071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3791452844659375071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/exorcismo-ao-pasteleiro-do-sculo-xxi.html' title='Exorcismo ao pasteleiro do século XXI'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8575348669460046746</id><published>2008-09-27T17:19:00.001-07:00</published><updated>2008-09-27T17:19:23.506-07:00</updated><title type='text'>Pudim de droga</title><content type='html'>No Aleixo as pessoas têm dores violentas, &lt;br /&gt;Em Freiburg também&lt;br /&gt;Às vezes no Aleixo uma língua de mármore engole uma criança,&lt;br /&gt;Roubada aos pais no meio da noite &lt;br /&gt;– as mães que dormem têm de sentir culpa  -&lt;br /&gt;As crianças são levadas para o inferno, &lt;br /&gt;passam a ser alimentadas a pudins de droga&lt;br /&gt;Doces pudins que fazem delirar, &lt;br /&gt;Fazer coisas más&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cogumelos que fazem ver luzes &lt;br /&gt;crescem nos bosques do Aleixo&lt;br /&gt;As fadas vão comprar toalhetes&lt;br /&gt;no intervalo entre os clientes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8575348669460046746?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8575348669460046746/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8575348669460046746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8575348669460046746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8575348669460046746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/pudim-de-droga.html' title='Pudim de droga'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5871933810635746514</id><published>2008-09-27T17:12:00.001-07:00</published><updated>2008-09-27T17:13:04.431-07:00</updated><title type='text'>No bosque do Aleixo, as musas…</title><content type='html'>Para lá do bosque do Aleixo está&lt;br /&gt;O povo, filosoficamente caracterizado dentro &lt;br /&gt;dos seus apartamentos – todos abanam as línguas – todos têm cabelos a roçar&lt;br /&gt;por trás do ouvido – Quando chove no bosque&lt;br /&gt;do Aleixo, as musas vêm cá fora apanhar a roupa,&lt;br /&gt;Ao sábado no bosque do Aleixo um velho planta nabos&lt;br /&gt;Tem cinco metros quadrados e unhas sujas – &lt;br /&gt;As seringas no chão são chupadas pelos ratos&lt;br /&gt;Os preservativos esquecidos no meio do bosque &lt;br /&gt;Ainda com sémen desperdiçado – Os ratos vêm comer os preservativos&lt;br /&gt;Para lá do bosque do Aleixo está o povo filosoficamente caracterizado&lt;br /&gt;Para lá está o cinema, a filosofia, a vida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5871933810635746514?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5871933810635746514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5871933810635746514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5871933810635746514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5871933810635746514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/no-bosque-do-aleixo-as-musas.html' title='No bosque do Aleixo, as musas…'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-628027973241359357</id><published>2008-09-27T17:07:00.001-07:00</published><updated>2008-09-27T17:11:29.154-07:00</updated><title type='text'>Sonho violento de uma girafa recém nascida</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;A embriaguez do corpo, &lt;br /&gt;A embriaguez dos gestos,&lt;br /&gt;Mãos entrelaçadas, braços pernas…&lt;br /&gt;Adoro quando te vens dentro de mim&lt;br /&gt;Adoro quando ficas e explodes dentro de mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sylvia Plath liga o forno&lt;br /&gt;Mussolini gesticula violentamente&lt;br /&gt;Ainda depois da delapidação?&lt;br /&gt;link link link link …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um finíssimo fio de gelo sobe e desce pela espinha dorsal dos paralíticos&lt;br /&gt;Está revestido a seda e por ele circula informação muito secreta&lt;br /&gt;Faz com que os homens não caiam&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-628027973241359357?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/628027973241359357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=628027973241359357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/628027973241359357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/628027973241359357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/sonho-violento-de-uma-girafa-recm.html' title='Sonho violento de uma girafa recém nascida'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1083231753886773958</id><published>2008-09-27T16:57:00.001-07:00</published><updated>2008-09-27T17:02:26.448-07:00</updated><title type='text'>Pesadelo para quatro gémeos indianos</title><content type='html'>Não chore senhor lobo!&lt;br /&gt;Os profetas comem os seus pães com marmelada &lt;br /&gt;nas traseiras de uma fábrica de empilhadores. &lt;br /&gt;e ainda há petróleo dentro da esfinge&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chore senhor Lobo!&lt;br /&gt;A fome é uma alucinação das fadas guineenses,&lt;br /&gt;A energia nuclear também serve para iluminar os quartos das meninas assustadas.&lt;br /&gt;Os pais vêm ao quarto dar-lhes um beijo na testa macia&lt;br /&gt;Não chore senhor lobo&lt;br /&gt;As catanas também são utilizadas para cortar melancia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não chore senhor lobo, não chore senhor lobo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1083231753886773958?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1083231753886773958/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1083231753886773958' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1083231753886773958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1083231753886773958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/no-chore-senhor-lobo-os-profetas-comem.html' title='Pesadelo para quatro gémeos indianos'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8894396881364661387</id><published>2008-09-27T16:44:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T16:45:12.541-07:00</updated><title type='text'>Labirinto com touro dentro</title><content type='html'>No meio do labirinto dorme um touro de sonhos violentos&lt;br /&gt;No meio do labirinto dorme uma menina de sonhos violentos&lt;br /&gt;A meio do sonho, a menina bebe o leite &lt;br /&gt;O leite que acalma as meninas e os touros,&lt;br /&gt;O leite de uma fêmea jaguar que descansa no meio dos morangos,&lt;br /&gt;Com as facas aguçadas os talhantes tentam entrar no labirinto &lt;br /&gt;Para matar o touro, porque não acreditam em mitologia&lt;br /&gt;E porque os mitos não alimentam ninguém.&lt;br /&gt;Os homens do talho vão depois pagar os seus impostos,&lt;br /&gt;Teseu também está com a ficha de IRS ainda por preencher&lt;br /&gt;Declara às finanças que tentou matar um touro, &lt;br /&gt;As virgens fazem um broche ao touro &lt;br /&gt;O touro vem-se para dentro de uma taça dourada&lt;br /&gt;A bebida que está na taça não é mitológica &lt;br /&gt;Nem simbólica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o seu vestido da cor do vinho e com as suas tranças &lt;br /&gt;Chora para dentro do leite&lt;br /&gt;Chora leite para dentro do leite&lt;br /&gt;Chora no seu labirinto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuno Brito 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8894396881364661387?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8894396881364661387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8894396881364661387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8894396881364661387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8894396881364661387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/09/labirinto-com-touro-dentro.html' title='Labirinto com touro dentro'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3953044608103697336</id><published>2008-03-27T16:34:00.001-07:00</published><updated>2008-09-25T15:45:30.551-07:00</updated><title type='text'>Antiga Escritura</title><content type='html'>Deposito todas as minhas energias em ti&lt;br /&gt;nuvem, montanha, rapaz, céu, égua, sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deposito toda a energia e confiança em ti&lt;br /&gt;Ceroulas, couve, água, limão, Bomba atómica&lt;br /&gt;Deposito toda a minha confiança em ti&lt;br /&gt;homem que lês, homem que és muro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sei (como todos) que sou pedra&lt;br /&gt;e sei que sou muro&lt;br /&gt;e sei que sou homem a urinar contra muro,&lt;br /&gt;Na Turquia ou no Curdistão, ou nas Ilhas Sandwich, ou no Texas&lt;br /&gt;Muitos homens urinam contra muros&lt;br /&gt;ao mesmo tempo&lt;br /&gt;Eu sou urina&lt;br /&gt;e poça e arepio,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e riacho de urina quente a ferver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em paralelo perfeitamente moldado por mãos de homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------&lt;br /&gt;Ontem comi doze gelatinas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rezei a Deus&lt;br /&gt;lavei as mãos e a boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou feito de futuro,&lt;br /&gt;eis a minha matéria,&lt;br /&gt;tomai e bebei&lt;br /&gt;este é o sangue eterno que será derramado por vós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a 15 milhões de anos&lt;br /&gt;um dinossauro vai sair de dentro da sua gelatina glaciar&lt;br /&gt;para escrever&lt;br /&gt;a antiga história dos homens&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3953044608103697336?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3953044608103697336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3953044608103697336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3953044608103697336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3953044608103697336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/antiga-escritura.html' title='Antiga Escritura'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2512738613498867875</id><published>2008-03-21T08:45:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T08:50:44.475-07:00</updated><title type='text'>Os Segredos de Esfinge</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY0Mr5stI/AAAAAAAAAEQ/JFAY0R_B0Ek/s1600-h/esfinge.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180222387676361426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY0Mr5stI/AAAAAAAAAEQ/JFAY0R_B0Ek/s400/esfinge.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY08r5suI/AAAAAAAAAEY/z-U01gl3CfA/s1600-h/Sora-Aoi-027.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180222400561263330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY08r5suI/AAAAAAAAAEY/z-U01gl3CfA/s400/Sora-Aoi-027.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY1cr5svI/AAAAAAAAAEg/RJt2iHDhfLk/s1600-h/Sunny-Leone-011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180222409151197938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY1cr5svI/AAAAAAAAAEg/RJt2iHDhfLk/s400/Sunny-Leone-011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY1sr5swI/AAAAAAAAAEo/6GEiHStedYo/s1600-h/Sora-Aoi-011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180222413446165250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY1sr5swI/AAAAAAAAAEo/6GEiHStedYo/s400/Sora-Aoi-011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY18r5sxI/AAAAAAAAAEw/iCpl0Lh6OZE/s1600-h/Wolf_rayet2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180222417741132562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY18r5sxI/AAAAAAAAAEw/iCpl0Lh6OZE/s400/Wolf_rayet2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2512738613498867875?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2512738613498867875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2512738613498867875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2512738613498867875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2512738613498867875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/os-segredos-de-esfinge_21.html' title='Os Segredos de Esfinge'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-PY0Mr5stI/AAAAAAAAAEQ/JFAY0R_B0Ek/s72-c/esfinge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2173306135779734159</id><published>2008-03-20T18:59:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T15:46:59.666-07:00</updated><title type='text'>Carruagem Imperfeita</title><content type='html'>De onde é que vem esta necessedidade bestial e impotente de comer o mundo?&lt;br /&gt;Os outros homens também sentem isto.&lt;br /&gt;Todos os homens querem de vez em quando comer o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero todos os homens com os seus erros, as suas falhas, os seus arrepios ...&lt;br /&gt;Quero abraçá-los todos (comer será pedir de mais?) Porquê o afecto ter sempre a ver com a boca? A sede, as mamas, os beijos, Porquê a boca? Porquê todas as bocas? Porquê a boca ?&lt;br /&gt;Porquê as palavras?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2173306135779734159?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2173306135779734159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2173306135779734159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2173306135779734159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2173306135779734159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/devir.html' title='Carruagem Imperfeita'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8120731447683067263</id><published>2008-03-20T17:49:00.000-07:00</published><updated>2008-03-21T08:53:05.103-07:00</updated><title type='text'>Prefácio Náutico</title><content type='html'>Tenho estas mãos&lt;br /&gt;Para mudar o mundo&lt;br /&gt;Ou para te sentir os cabelos&lt;br /&gt;O que é o mesmo,&lt;br /&gt;como todos sabemos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as mãos suam e bebem de ti e suam e precisam de ti&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8120731447683067263?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8120731447683067263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8120731447683067263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8120731447683067263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8120731447683067263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/obrigada-deus.html' title='Prefácio Náutico'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8617566449115240048</id><published>2008-03-20T16:54:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T18:05:52.805-07:00</updated><title type='text'>Carta ao tribunal</title><content type='html'>Cartas do tribunal,&lt;br /&gt;Recibos das Finanças.&lt;br /&gt;Facturas, talões, 2002/2003&lt;br /&gt;Recibos de gasolina, cheiro a gasolina, manchas de gasolina&lt;br /&gt;camionista, travôes e morte etc.&lt;br /&gt;-------------------------------------------&lt;br /&gt;Fractura na espinha&lt;br /&gt;E Fractura no colon&lt;br /&gt;E Múltiplas fracturas no braço e na perna&lt;br /&gt;Radiografias mais radiografias&lt;br /&gt;E Tetraplégicos e Jesus Cristo&lt;br /&gt;e jesus Cristo;&lt;br /&gt;Cartas de tribunal e Jesus Cristo&lt;br /&gt;E Recibos de IRS e&lt;br /&gt;Jesus Cristo - Fractura na espinha e&lt;br /&gt;------ -----&lt;br /&gt;Reza...&lt;br /&gt;Menina reza,&lt;br /&gt;Para dentro&lt;br /&gt;Reza&lt;br /&gt;Menina Reza&lt;br /&gt;Para dentro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho apenas um bocado de sede...&lt;br /&gt;Dás-me da tua água? Por favor menina dás-me da tua água!?&lt;br /&gt;A que levas&lt;br /&gt;aí&lt;br /&gt;dentro das mãos&lt;br /&gt;Não é água que eu quero, são as tuas mãos molhadas&lt;br /&gt;-------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje percebi (não tarde de mais)&lt;br /&gt;que o único poeta do mundo é cobrador de impostos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8617566449115240048?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8617566449115240048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8617566449115240048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8617566449115240048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8617566449115240048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/encapuado.html' title='Carta ao tribunal'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3124328619282837874</id><published>2008-03-19T12:54:00.000-07:00</published><updated>2008-03-20T17:00:56.905-07:00</updated><title type='text'>Canárias</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-Fvysr5srI/AAAAAAAAAD8/NjpWqAZuHfo/s1600-h/Digitalizar0002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179543963232219826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-Fvysr5srI/AAAAAAAAAD8/NjpWqAZuHfo/s400/Digitalizar0002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3124328619282837874?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3124328619282837874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3124328619282837874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3124328619282837874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3124328619282837874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/blog-post_19.html' title='Canárias'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R-Fvysr5srI/AAAAAAAAAD8/NjpWqAZuHfo/s72-c/Digitalizar0002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-3937408734105325357</id><published>2008-03-19T12:29:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T15:50:13.717-07:00</updated><title type='text'>Saia a doença</title><content type='html'>SAIA A DOENÇA DO TEU PEITO E DA TUA CABEÇA... E DA TUA CABEÇA&lt;br /&gt;SAIA&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;dOENÇA&lt;br /&gt;de ti!&lt;br /&gt;Vá ela para a montanha... Suba a montanha e transforme-se em montanha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saia a doença do teu peito e da tau cabeça,&lt;br /&gt;Vá ela para o deserto e seja ela só deserto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente apenas o vento fresco na cara,&lt;br /&gt;Nos braços e dentro dos braços...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas mãos,&lt;br /&gt;Que passem a curar as tuas mãos&lt;br /&gt;Que passem a curar ainda mais as tuas mãos,&lt;br /&gt;e&lt;br /&gt;os teu olhos que Dêem mais vida!&lt;br /&gt;E os teus cabelos que atraiam mais VIDA!&lt;br /&gt;E que as tuas mamas dêem vida e sumo fresco.&lt;br /&gt;E que o teu sorriso faça nascer crianças&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3937408734105325357?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3937408734105325357/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3937408734105325357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3937408734105325357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3937408734105325357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/saia-doena.html' title='Saia a doença'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-5768690983346619751</id><published>2008-03-18T18:37:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T17:28:02.844-07:00</updated><title type='text'>Campeonato Mundial dos Conceitos Vazios</title><content type='html'>1ºBons 7 Pontos&lt;br /&gt;2ºMaus 7 pontos&lt;br /&gt;--------------------------&lt;br /&gt;3ºTerrorismo- 7 pontos&lt;br /&gt;4ºCapitalismo - 7 pontos&lt;br /&gt;5ºLiberdade - 7 pontos&lt;br /&gt;-------------------------&lt;br /&gt;6ºIgualdade -7 Pontos&lt;br /&gt;7ºFraternidade- 7 Pontos&lt;br /&gt;8º Shalke 04 -3 Pontos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8ª jORNADA:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade 4- Terrorismo 4&lt;br /&gt;Igualdade 2 - Fraternidade 2&lt;br /&gt;Bons 0 - Maus 0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Próxima Jornada:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo - Maus&lt;br /&gt;Igualdade - Terrorismo&lt;br /&gt;Liberdade -Bons&lt;br /&gt;Shalke 04 - Fraternidade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-5768690983346619751?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5768690983346619751/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5768690983346619751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5768690983346619751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5768690983346619751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/campoenato-mundial-dos-conceitos-vazios.html' title='Campeonato Mundial dos Conceitos Vazios'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2557428568193163099</id><published>2008-03-18T18:34:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T17:27:36.922-07:00</updated><title type='text'>Campeonato Mundial das Ideias Caducas</title><content type='html'>segunda jornada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem 2- Mal 2&lt;br /&gt;Brasil 3- Suiça 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Classificação à segunda jornada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil 6&lt;br /&gt;Bem 4&lt;br /&gt;Mal 4&lt;br /&gt;Suiça 0&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2557428568193163099?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2557428568193163099/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2557428568193163099' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2557428568193163099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2557428568193163099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/campeonato-mundial-das-ideias-caducas.html' title='Campeonato Mundial das Ideias Caducas'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-7009436991997574363</id><published>2008-03-09T15:22:00.000-07:00</published><updated>2008-03-09T15:34:51.706-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"A Felicidade Consiste em se querer ser o que se é"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erasmo de Roterdão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-7009436991997574363?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/7009436991997574363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=7009436991997574363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7009436991997574363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/7009436991997574363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/felicidade-consiste-em-querer-ser-o-que.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' 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/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/5810101234300638591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=5810101234300638591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5810101234300638591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/5810101234300638591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/girafas-arder-dali.html' title='Girafas a Arder - Dali'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' 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com outro dinossauro que tinha um escritório de advocacia.&lt;br /&gt;Para dizer verdade, este dinossauro não era um advogado de facto, era-o de direito.&lt;br /&gt;Mas não de facto, mas adiante, vou-lhe poupar alguns pormenores que não interessam… O dinossauro às vezes no fim do trabalho como tinha uma máquina de escrever…&lt;br /&gt;Era um dinossauro muito sério!&lt;br /&gt;Tomava banho uma vez por semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3343292625037066108?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3343292625037066108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3343292625037066108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3343292625037066108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/3343292625037066108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/o-dinossauro-dactilgrafo.html' title='O Dinossauro Dactilógrafo'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8549544875878346487</id><published>2008-03-09T15:06:00.001-07:00</published><updated>2008-03-09T15:07:39.727-07:00</updated><title type='text'>O Faraó</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O faraó passava as tardes a jogar tétris...&lt;br /&gt;Os escravos empurravam as peças de acordo com um sistema de cordas,&lt;br /&gt;As peças desciam à medida que os escravos iam soltando a corda dos rolamentos,&lt;br /&gt;De acordo com as decisões do faraó os escravos tinham que rodar e encaixar as peças umas nas outras. Em baixo alguns escravos retiravam as que já não eram necessárias. O contramestre sentado num balcão dourado, decidia quais as próximas peças a sair. Acorriam espectadores do alto e do baixo Egipto e também vinham estrangeiros que estacionavam os seus camelos em frente ao grande templo de jogo para ver o faraó a jogar. Os escravos a serem chicoteados pelos capatazes, a rodarem as peças, a encaixá-las. Cada linha era celebrada pelo país inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8549544875878346487?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8549544875878346487/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8549544875878346487' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8549544875878346487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8549544875878346487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/o-fara.html' title='O Faraó'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2729807639982350397</id><published>2008-03-08T16:39:00.000-08:00</published><updated>2008-03-08T16:54:17.638-08:00</updated><title type='text'>Sinfonia Nuclear para dois cravos e uns Búzios</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07Ck-YMI/AAAAAAAAABk/bBwW8S7aJKA/s1600-h/falkland23.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175538585687711938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07Ck-YMI/AAAAAAAAABk/bBwW8S7aJKA/s320/falkland23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07ik-YNI/AAAAAAAAABs/o8I5RxpsFAg/s1600-h/800px-Dubai_night_skyline.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175538594277646546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07ik-YNI/AAAAAAAAABs/o8I5RxpsFAg/s320/800px-Dubai_night_skyline.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07yk-YOI/AAAAAAAAAB0/rrOMZhsYXXY/s1600-h/010180051018-robo_joquei.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175538598572613858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M07yk-YOI/AAAAAAAAAB0/rrOMZhsYXXY/s320/010180051018-robo_joquei.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9M08ik-YPI/AAAAAAAAAB8/kY_GYtu0Uiw/s1600-h/orange02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175538611457515762" style="FLOAT: left; 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Inventaram as estrelas,&lt;br /&gt;E criaram os pântanos,&lt;br /&gt;E girafas , touros e zebras&lt;br /&gt;Há laranjas redondas para serem comidas&lt;br /&gt;Há cegonhas e baleias,&lt;br /&gt;Pinguins e elefantes,&lt;br /&gt;Há também elefantes de duas patas e sem tromba&lt;br /&gt;Com dois braços e com pêlos no cimo da cabeça&lt;br /&gt;Que falam como papagaios.&lt;br /&gt;Obrigada Deus maluco!&lt;br /&gt;Pela eterna loucura que nos deixaste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-2742664647740323541?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/2742664647740323541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=2742664647740323541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2742664647740323541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/2742664647740323541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/allegro-n-1.html' title='ALLEGRO Nº 1'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1258787725155133633</id><published>2008-03-08T16:20:00.000-08:00</published><updated>2008-09-25T15:52:53.837-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Que Deus abençoe o homem do talho!&lt;br /&gt;Que Deus abençoe o homem do talho!&lt;br /&gt;Que Deus abençoe o homem do talho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1258787725155133633?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1258787725155133633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1258787725155133633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1258787725155133633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1258787725155133633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/que-deus-abenoe-o-homem-do-talho-que.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-2405516955777141154</id><published>2008-03-08T16:02:00.001-08:00</published><updated>2008-03-08T16:03:20.507-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Que Deus abençoe os que vão dentro do autocarro&lt;br /&gt;E os que vão dentro do metro&lt;br /&gt;E todos os que vão fora do autocarro e fora do metro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-8461381930492726951</id><published>2008-03-08T15:58:00.000-08:00</published><updated>2008-03-08T16:16:58.941-08:00</updated><title type='text'>A Vida depois da Vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9Mr_Ck-YGI/AAAAAAAAAA0/7zPbHOPN8SY/s1600-h/sugar_elf.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175528758802538594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9Mr_Ck-YGI/AAAAAAAAAA0/7zPbHOPN8SY/s400/sugar_elf.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a 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href="http://bp0.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9MmDSk-YDI/AAAAAAAAAAY/Netf5oKve9M/s1600-h/ps3-and-sexy-babesl.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175522234747215922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9MmDSk-YDI/AAAAAAAAAAY/Netf5oKve9M/s400/ps3-and-sexy-babesl.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-3815348337481223529?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/3815348337481223529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=3815348337481223529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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E a minha sede... E a minha sede&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-8288137459291152004?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/8288137459291152004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=8288137459291152004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8288137459291152004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/8288137459291152004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/amo-te-meu-pequeno-anjo-e-minha.html' title=''/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_xTUFhnnqvKM/R9MwDyk-YII/AAAAAAAAABE/s2QxVTYI6LQ/s72-c/balloongirl2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1250103398031581787</id><published>2008-03-08T15:37:00.000-08:00</published><updated>2008-03-08T17:17:36.083-08:00</updated><title type='text'>o homem do talho</title><content type='html'>Tenho o sonho de mudar o mundo... E tenho outros sonhos&lt;br /&gt;Sou sincero Sunny, sou sincero porque acredito em tudo: Acredito na Ciência, na fé, no ocultismo e no homem do talho, sobretudo no homem do talho!&lt;br /&gt;Tenho uma confiança inabalável nesse homem: Sunny: Se soubesses como amo o homem do talho, com todas as minhas forças, não por ele ter um talho e a bata cheia de sangue &lt;em&gt;(se bem que isso ajude) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas por ele ser um homem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1250103398031581787?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1250103398031581787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1250103398031581787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1250103398031581787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1250103398031581787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/o-homem-do-talho.html' title='o homem do talho'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4594876339020366351.post-1426808696159193640</id><published>2008-03-08T15:19:00.000-08:00</published><updated>2008-03-08T17:02:28.468-08:00</updated><title type='text'>Acerca da Imortalidade</title><content type='html'>Muito haveria a dizer acerca da Imortalidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4594876339020366351-1426808696159193640?l=descoiso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://descoiso.blogspot.com/feeds/1426808696159193640/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4594876339020366351&amp;postID=1426808696159193640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1426808696159193640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4594876339020366351/posts/default/1426808696159193640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://descoiso.blogspot.com/2008/03/cerca-da-imortalidade.html' title='Acerca da Imortalidade'/><author><name>Nuno Brito</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00449921136664744067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://4.bp.blogspot.com/-jLcLo3OqOcA/TvecyuComsI/AAAAAAAAAdg/WVUWtcDaKYk/s220/FOTO1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
